João Moutinho versus André Martins.

white corner field line on artificial green grass of soccer field
First things first. A minha resposta ao post anterior seria Aimar.
Alguns de vós, e bem, recordaram as parecenças com João Moutinho.
Comparando-os. Perceba que é uma tarefa quase hercúlea. Comparar o melhor médio português, com o melhor médio português, dará seguramente azo a diferentes opiniões e interpretações.
Com Moutinho eu ia para a guerra. É o jogador perfeito. Com bola, sem bola. Cem por cento fiável. Sabemos que jamais nos falhará. Sabemos que aquele esforço extra para garantir uma qualquer cobertura será feito. Com onze Moutinhos, sei que tudo o que idealizar estará no campo, assim eu o saiba transmitir. Com onze Moutinhos sei que se as minhas ideias forem boas, vencerei, porque tudo será feito “by the book”. Sem bola ocupará o espaço como eu pretendo. Com bola sairá tudo tal como treinámos. Quase mecânico, diria. Com Moutinho iria até ao fim.
Mas, o João que é o melhor médio português, não me ensinará nada. Interroga-me, eu respondo. Trocamos ideias e no relvado confirmaremos que se eu tiver qualidade para lhe solicitar o que lhe devo solicitar, juntos iremos no bom caminho.
O André, que é o melhor médio português é diferente. Não me falhará defensivamente. É inteligente e sabe perfeitamente ocupar o espaço. Sem bola o seu comportamento será tal e qual eu pretendo. Mas com bola é diferente. Acredito que na maioria das vezes consiga ver e executar o que pretendo. Outras, tomará decisões diferentes das minhas. Daquelas para as quais por vezes o tento formatar. Todavia, não me zango com ele. Nunca. No final percebo sempre que o caminho que escolheu era melhor que o que eu próprio idealizei. Interrogo-o, mas o André não tem respostas. Não sabe porque temporizou, porque conduziu na direcção da oposição apenas para os atrair à bola para em seguida rodá-la por outro lado. Não sabe. As coisas saem com a naturalidade dos predestinados. Com o André eu aprendo. Há opções menos óbvias mas mais interessantes que as que me surgem na mente.
Quando o Moutinho marcar um auto golo, penso na pouca sorte que teve. Colocou mal o pé na bola. Acontece a todos e se há quem não mereça ter tal azar é o João. O André é diferente. Porque vê mais além, no dia em que introduzir a bola na sua própria baliza, interrogar-me-ei. Porque o fez? O que o levou a tal? Será que crê que a equipa precisava de sofrer um golo para espevitar?
O que os separa? Criatividade.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3255 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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