Outra vez James Rodriguez. E porque difere tanto de Carlos Martins? Actualizado.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Jogar para si ou para a equipa?

James apesar de muito jovem já joga a um nível estratosférico. Soberbo tecnicamente, tem mil e uma formas de receber e enquadrar mantendo sempre a bola colada ao pé. É rapidíssimo a perceber o jogo e sobretudo joga com a linguagem corporal dos colegas. Sabe o que eles pedem e tem qualidade para os servir da forma mais ajustada a cada situação.

Consegue imaginar a tomada de decisão de Carlos Martins na presente situação? O português que ocupa espaços parecidos ao colombiano tem sempre a mente no espaço e é inegável que encontra demasiadas vezes óptimas possibilidades para servir os colegas em tais situações. Porém, é muito raro encontrá-lo a jogar com o que a linguagem corporal do colega pede. Sempre que vislumbra “uma aberta” na defensiva adversária, bola para lá. Mesmo que ninguém esteja em condições (pelo movimento anterior) de receber a bola no espaço que idealizou. James não. É diferente. Joga de cabeça levantada e procura sempre o êxito colectivo, mesmo que tal signifique um passe aparentemente banal. Martins nesta situação a dar a bola no pé? Só se fosse com bola picada por cima do adversário, dificultando a recepção ao colega, obrigando-o a perder tempo precioso para se isolar…
P.S. – Naturalmente que com uma desmarcação diferente (movimento horizontal ao longo da linha defensiva) de quem faria golo, o lance pediria bola no espaço aberto isolando no corredor central o colega. Mas, não foi ai que Cuadrado pediu a bola, e nisso James não tem responsabilidade.

Adenda. Repare no número de jogadores que a tabela de James deixou para trás. De X contra 7, passou para X contra 3. Numa única acção.

Sobre Paolo Maldini 3804 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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