Diz-me quanto rematas que dir-te-ei o critério com que jogas

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Não é, garantidamente, linear. Não deixa todavia de poder dar azo a especulações e a exercícios menos rigorosos.
Há quem remate muito porque cria muito. Há quem muito remate porque joga sem ou com pouco critério. Porque joga com a fé própria dos que ainda crêem que o jogo está mais nos pés que na cabeça. 
Foi com um misto de pasmo mas também compreensão que soube hoje que o Sporting é a equipa com mais remates da liga, decorrido que está o primeiro terço do campeonato (dados do site da Liga). 
Pasmo, porque há muito tempo que não se vê um clube com ambições produzir tão pouco, ser tão fraco no processo de construção de jogo ofensivo e de criação de oportunidades. A cada jogo leonino, parece que é o guarda redes de leão ao peito que mais tem de intervir. Compreensão porque há muito que é notória a falta de critério nas acções de vários jogadores leoninos. Muitos remates não significam apenas muito caudal ofensivo. Pode significar, e significa, ausência de critério a definir a jogada. “Pressa” para chegar ao golo, procedendo a tentativas de finalização condenadas ao insucesso por falta de enquadramento óptimo com a baliza.
Recordei os jogos leoninos da presente época e pensei em Labyad. Não se sabe se há de facto ali o potencial que a Uefa lhe adivinha. Por ora, o que é perceptível é que há demasiada falta de critério e incapacidade para tomar boas decisões e ajudar a equipa. Não é na presente época um jogador com valor para incrementar a qualidade do futebol do Sporting, tão pouco para ajudar o clube a sair da posição desconfortável em que se encontra. Os disparates são contínuos, e a ideia que foi ficando das suas acções foi confirmada com a estatística da Liga. O marroquino remata a cada 18 minutos. Com doze remates para apenas duzentos e vinte e cinco minutos de utilização, é muito provavelmente o jogador da liga que percentualmente mais recorre ao remate. Das suas doze tentativas, três conseguiram chegar à baliza. Alguma delas com perigo? Honestamente, não recordo nenhuma. 
Há não muitas épocas queixava-se Paulo Sérgio da sorte. Estatisticamente ninguém rematava mais que a sua equipa. Se a ideia for continuar com o mesmo “álibi” para o insucesso, é soltar Labyad lá para dentro e no final lamentar o infortúnio de que quem remata sem critério, perdendo sucessivamente a posse, não tem a felicidade de fazer golos…
Não são tempos fáceis para entrar na equipa leonina. Todavia, quanto mais rápido Vercauteren separar os homens dos miúdos, mais rápido poderá chegar ao sucesso.
P.S. – Demasiadas vezes a necessidade urgente de ganhar o próprio espaço, leva bons jogadores a pensar que mostrando-se um pouco mais a nível individual se estará mais próximo de entrar regularmente na equipa. A juventude de Labyad não será “boa conselheira”, mas há que trabalhar o miúdo.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3255 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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