Porque é que este Benfica não esteve no Dragão?

É uma questão legitima. Porém, a diferença não esteve no Benfica. Antes no adversário dos encarnados.
O FC Porto é mesmo uma equipa de nível mundial (que ironia terem de voltar a ler aqui isto, não é?) e não deixou de o ser por ter perdido com um elemento a menos em campo para o Málaga, que recorde-se viu-se eliminado da Liga dos Campeões por um super finalista Borussia Dortmund, no período de compensação com um golo pleno de irregularidades várias. Mas o Málaga até poderia ter a qualidade do Olhanense, que “acidentes” acontecem, e o FC Porto não seria menos competente e menos forte por um resultado.
O FC Porto não é só bastante superior ao Chelsea. Como aliás, também o SL Benfica colectivamente o é. O FC Porto beneficia de ter um excelente treinador, bastante superior ao bom e muito titulado Benitez, por exemplo, que conhece como ninguém o adversário que enfrentou no fim de semana. Ao contrário do Chelsea, que percebia-se não sabia bem para o que ia. Ainda que tenha corrigido um pouco as coisas na segunda parte, quando começou a condicionar a primeira fase da construção encarnada.
É soberbo o futebol do Benfica quando o adversário não tenta controlar logo no primeiro momento as investidas encarnadas. Garay sem pressão entrega com qualidade em Matic e/ou Enzo. Matic recebendo e enquadrando, mesmo que com pressão é fantástico. Tem mil formas de dar seguimento com muita qualidade ao ataque, e descobre normalmente Gaitán entre sectores, e ai o argentino tem estado a um nível impressionante. Porém, condicionar a primeira fase ofensiva dos encarnados significa desmoronar metade do potencial perigoso do SL Benfica. Os centrais jogam longo, a bola não passa por Matic, não chega com qualidade a Gaitán e não se perde tudo, mas bastante.
Sporting, Estoril e FC Porto. Três dos adversários mais recentes dos encarnados que o perceberam, e que fruto disso colocaram mais dificuldades ao Benfica que qualquer outro em praticamente toda a temporada encarnada.
Não foi um Benfica diferente em Amesterdão. Foi um adversário incapaz de o conhecer e controlar. A diferença de qualidade e produção ofensiva esteve sobretudo nas diferenças entre adversários. O FC Porto é bastante superior colectivamente ao Chelsea e sobretudo tem um treinador de grande qualidade que sabe como ninguém como travar o Benfica de Jorge Jesus.
Menos Benfica na segunda parte em Amesterdão deveu-se acima de tudo a uma nova organização / estratégia blue. Menos liberdade aos encarnados na saída de bola encarnada, Benfica a jogar longo mais vezes, Matic com menos bola, Benfica com menos ataques prometedores. 
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Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

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