Taça de Honra de Lisboa

MAIS
– Organização colectiva de Benfica e Sporting. Com apenas quinze dias de trabalho fantástica a organização de Marco Silva e Jorge Jesus. Percebem-se os princípios todos. O Sporting parece finalmente ter um treinador ao nível daquele que o Benfica usou para dar um salto qualitativo nos últimos cinco anos. As organizações colectivas sobrepuseram-se de tal forma à qualidade individual que desde o início do jogo se adivinhava que quem marcasse primeiro ganharia sempre o jogo. 
– Oriol Rosell. Qualidade medida no critério com que decide. Marco Silva havia dito que teria uma dor de cabeça com o espanhol. E assim será. No que procura impor (paciência com posse e primazia pela circulação interior) o espanhol tem condições para ser uma mais valia.
– João Teixeira. Fica ligado ao golo da final, da mesma forma que estava ligado ao golo que levou o Benfica até à final. Em tudo o mais foi o melhor jogador do Torneio. Agressividade e atitude competitiva fantástica. Capacidade para progredir descobrindo espaços. Um recuperador que sai a jogar com imensa qualidade. A fazer lembrar João Moutinho. Para quem nunca o tinha visto, foi sem dúvida a melhor surpresa do torneio. Não pode voltar à segunda liga. Tem o triplo do potencial de André Almeida, e se não ficar a trabalhar com a primeira equipa tem de evoluir na primeira divisão.
– Eric Dier. Encaixa com grande qualidade no que pretende Marco Silva. Centrais que saibam jogar futebol. Que tenham critério com bola, que progridam, que participem no processo ofensivo. É o melhor defesa do Sporting e estou a incluir todos.
– Ola John. Bastante melhor na meia final que na final. O estilo “pachorrento” cria-lhe anticorpos nos adeptos. Parece lento mas não é. Apenas sabe que o jogo não vive só de acelerações (uma espécie de Franco Jara ao contrário). Muito forte nos espaços interiores e muita qualidade técnica. Afigura-se como a primeira opção a Salvio e Gaitán. Muitos níveis acima de Candeias, Sulejamani e Cavaleiro.
MAIS OU MENOS
– Talisca. Para ele as mesmas palavras que para Matic na sua primeira aparição. Está muito longe de poder ser tido como um jogador importante para a presente época, se o Benfica pretender manter o nível dos anos anteriores. Percebe-se porém o potencial. Grande qualidade técnica e capacidade para comer metros em poucos segundos. Será mais um projecto de Jorge Jesus. Com a idade que tem e o potencial que apresenta, é uma questão de tempo para subir o critério com que joga e tornar-se uma figura. 
– Carlos Mané. Não se percebeu o porquê de ter tido pouco tempo no torneio. Todavia, o que teve aproveitou para mais uma vez mostrar que é o melhor extremo do Sporting. Para além do de maior potencial. Grande qualidade técnica e sabe definir melhor que qualquer outro. Promete ser uma das figuras da época leonina e quem sabe, possivelmente, saltar para um contexto competitivo mais elevado. A forma como prende a bola à bota direita é deliciosa. Vai ser um quebra cabeças para os defesas da Liga.
– César. Outro que se adivinha o potencial. Um monstro físico a mostrar qualidade técnica. Um jogador à medida do que aprecia Jorge Jesus. Ter jogado como central direito poderá querer dizer que não conta para opção. Afinal, aquele espaço é de Luisão.
– Benito. Longe, naturalmente, do nível técnico de Siqueira. Mostrou ainda assim qualidades que não são de desprezar. Só com muitos jogos em cima se poderá perceber a sua real valia.
– André Martins. Dois golos no torneio. Acabou por ser na finalização o jogador mais importante. Ficou, ainda assim, marcado por um jogo de menor qualidade na meia final. Muitas más recepções a impedirem que desse maior seguimento às bolas que recebeu entre sectores, sobretudo na meia final. Não está fácil para ninguém segurar o lugar nas costas de Montero.
– Montero. Tecnicamente e também na decisão o melhor jogador do Sporting. A ausência de golos vai-lhe retirando confiança. Mostra, porém, a cada toque que é um jogador diferente. Com a qualidade de processos que Marco Silva se prepara para dotar a sua equipa, confie no colombiano e Montero vai acrescentar imenso. Os golos voltarão com naturalidade. O que faz jogar a equipa não tem preço.
– Derlei. Vai fazer estragos. Um avançado na linha do que é Lima. Muita força, muita capacidade para segurar e jogar entre linhas. Rápido, forte na ruptura e com boa capacidade de finalização. Esteve desaparecido na final porque não teve bola. É teoricamente, à data, o único reforço de qualidade inegável do SL Benfica.
– Tanaka. Mais para a sua movimentação. Muito bem sempre a mostrar-se. Sempre com movimentos em apoio, a criar nos centrais a dúvida sobre se o seguir abrindo avenida no centro da defesa, ou largá-lo, permitindo que rode depois de receber. Está sempre em Jogo. Menos para o critério com bola. E um menos baixinho. Para despejar sem olhar já bastava Capel e Cédric. 
MENOS
– Luís Filipe. Catastrófico. Quinze quilos a mais de má qualidade técnica e de más decisões. Em todas as intervenções percebeu-se que não tem nível para o Benfica. Há que resolver rapidamente Luís Filipe e enviá-lo de volta para onde veio. Inacreditável.
– Slavchev. Sobretudo na meia final. Já que na final, e pelo jogo anterior que teve, praticamente não teve minutos. Erros técnicos em cima de erros técnicos. Perdas de bola em cima de perdas de bola. É muito jovem e poderá não ser o que mostrou na Taça de Honra de Lisboa. Porém, o que apresentou foi muito pouco. A sua luta será para se fixar no plantel.
EQUIPA DO TORNEIO
Boeck; Mano, Dier, Jardel, Benito; João Teixeira, Rosell, Ola John, Miguel Rosa, André Martins e Montero.
NOTAS FINAIS
Sporting que havia feito uma semi final a um nível muito baixo, mostrou-se muito superior ao SL Benfica na final da prova. Grande qualidade organizacional. Linha defensiva muito bem trabalhada. Controlo da largura mas também da profundidade. Excelente Dier na organização colectiva. Sectores muito próximos e saídas com muita qualidade nas transições. Maior qualidade individual sobretudo nos extremos e o jogo poderia ter tomado um rumo mais pesado para o Benfica. Em apenas quinze dias Marco Silva mostra credenciais para ser o “Jesus” do Sporting. O fardo pontual de Leonardo Jardim é elevadíssimo. Que em Alvalade percebam as condições com que Jardim fez tantos pontos, quando avaliarem o trabalho de Marco Silva, se o actual treinador do Sporting não fizer tanto como o seu antecessor.
Fantástico o trabalho de Jorge Jesus. Com uma equipa totalmente nova e em apenas quinze dias, excelente o trabalho colectivo da equipa. Falta de qualidade gritante comparada com o passado recente. Cardozo não pode continuar a jogar e no meio campo Talisca não tem argumentos para fazer a equipa crescer naquilo que Enzo oferta. 
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3407 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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