Múltipla da semana. Competições Europeias

SEVILHA X BILBAO
Sevillha de Emery em 4231 no momento defensivo, com ponta de lança entre centrais, procurando cortar linha de passe e condicionar lado da saída para o ataque do adversário, para um modelo de grande desdobramento ofensivo. Muita mobilidade, com várias trocas posicionais em organização ofensiva, tornam o jogo de Emery muito complicado de parar. A proximidade entre jogadores acautela também a transição defensiva para além das opções que dá ao portador da bola.
Em organização defensiva joga sempre com as superiorides e os médios centro articulam bem em cobertura garantindo protecção ao espaço central à frente dos dois centrais.
Na transição ofensiva é das mais atraentes da Europa. Banega define a grande velocidade e na frente há quem finalize com mestria.
O Sevilha já é um clássico da Liga Europa e em casa deverá voltar a vencer o Bilbao.
Equipa extremamente bem definida a do Bilbao. Em organização ofensiva Raul Garcia move-se para as costas da linha média adversária aproximando do fantástico Anduriz, que alterna movimentos a pedir no pé e nas costas. Susaeta e Muniain nos corredores laterais, mas também sempre nas costas da linha média adversária. Iturraspe e Benat formam o duplo pivot a meio que tem a responsabilidade de fazer a bola chegar jogável à criação entregues sobretudo aos quatro da frente. Laterais abertos e também profundos em organização. Grande dinâmica ofensiva onde apenas centrais poderiam desequilibrar mais logo desde o primeiro instante.
Defensivamente em organização a equipa junta e não concede espaços, sendo as dificuldades maiores sentidas em transição porque afasta muito os jogadores. Seja em largura ou em profundidade. Chega a Sevilha em desvantagem e o factor casa deverá ser determinante para que acabe por voltar a ceder perante a também muito bem organizada equipa adversária.


LIVERPOOL X DORTMUND
Grandes noites europeias de volta a Liverpool, de Jurgen Klopp que se apresentará em 4231. Em organização defensiva pouco trabalhada a equipa do alemão. Posicionamentos definidos pelo sistema e não pela dinâmica. Ausência de coberturas e de trabalho posicional da última linha em função da situação de jogo. Também na transição defensiva há dificuldades. A qualidade da sua ultima linha não está à altura da história do clube.
É com bola que surgem as melhores ideias do Liverpool, ainda que faltem jogadores diferentes para que a orquestra de Klopp seja mais atraente.
Mobilidade com no último terço, com Coutinho mais dentro partindo do corredor esquerdo, envolvendo-se em trocas posicionais com Emre, enquanto que Hendersson mais fixo. Firmino a mover-se sobretudo na profundidade dão uma variabilidade de jogo importante à equipa inglesa. Factor casa e ideias ofensivas a equilibrar o jogo contra uma grande potência Europeia. Um previsível empate!

Com um modelo incrivelmente ofensivo, Tuchel tem derretido quase toda a oposição. Uma das principais equipas da Europa em organização ofensiva pelas características dos seus atletas, muito criativos, com enorme qualidade técnica e de decisão, e pelos posicionamentos que potenciam ao máximo a fase da criação. Deixa pouca gente atrás da linha da bola, porém, a transição defensiva é agressiva o suficiente para que o portador adversário não tenha sucesso e não consiga sequer lançar o contra ataque. Vai ter de fazer golos em Inglaterra, mas tal não alterará a sua matriz sempre ofensiva. Perante um ambiente extremamente adverso, a sua superioridade poderá desvanecer-se. Um possível empate no mítico Anfield.
ATLÉTICO X BARCELONA
Será no seu habitual 442 que a equipa de Simeone receberá o Barcelona. Um condicionar do jogo adversário logo na sua construção como poucas na Europa elevam o Atletico à condição de grande europeu. Não é para menos. Simeone transformou o Atletico num grande Europeu. Há processos de muita qualidade, mesmo que por base um jogo muito físico e agressivo na recuperação e saídas muito objectivas na transição.
O próprio plantel está hoje completamente virado para as ideias do treinador, e jogadores como Griezmann nas rupturas e velocidade com que transporta na transição encontram no modelo do argentino um espaço perfeito para ainda se mostrarem mais. O adversário é de peso e em Madrid é expectável um empate.
 433 de Luis Enrique rumo às meias finais da Liga dos Campeões.
Equipa soberba a do espanhol. Uma das melhores a nível mundial em todos os momentos. Pela enorme qualidade individual e pela forma como o seu treinador usa com critério todas as armas que tem. Transição super veloz e bem definida no critério de Messi, Iniesta e Neymar, sempre com Suarez a mover-se na profundidade onde é letal.

Em construção ou transição, o Barcelona sabe sempre o que fazer a cada posse. Há paciência para jogar, circular e desgastar adversário. Sem bola bola a equipa encurta o espaço e equilibra-se rápido. Não deverá perder em Madrid apesar das dificuldades. Um previsível empate e carimbo para a semi final da prova milionária.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3010 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

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