Desportivo de Chaves elimina um FC Porto de duas faces

Já por cá se havia analisado ao pormenor a equipa de Jorge Simão.

Primeiro aqui quando seguia sem derrotas, e posteriormente aqui após quase surpreender o SL Benfica.

Porque por cá se conhece bastante bem o quanto pode surpreender a equipa flaviense, o Pedro Bouças afirmou no podcast que o Nuno não estaria em condições de não usar a sua melhor equipa. O Desportivo de Chaves é uma das equipas em Portugal que melhor interpreta os momentos de jogo defensivos. Tem sido assim ao longo de toda a época. Contra os flavienses, os adversários têm todos criado menos do que o que fazem habitualmente. Por isso, se anunciava no podcast a dificuldade que enfrentaria o FC Porto. São sempre as equipas com este nível de organização que podem surpreender as equipas mais fortes. Estrutura defensiva forte, e ofensivamente, saber esperar pelo momento (transição ou bola parada) que tantas vezes não surge, em virtude do desnível evidente entre individualidades.

Pensou diferente Nuno e abdicou para um jogo em que já se sabia que os azuis e brancos iriam enfrentar muita situação de jogo em espaços reduzidos, de dois dos seus melhores jogadores. Dois dos criativos mais capazes de desbloquear as organizadas linhas adversárias. Oliver e Corona.

Não os levou a jogo. A jogo iria levar o desengonçado Depoitre, que mudaria por completo o ADN do jogo que apresentou nos seus melhores períodos na temporada o FC Porto. Menor cuidado e menor elaboração na construção, trocada pelo (de)confortável jogo directo. Todo um quarteto defensivo a assumir uma postura bem diferente na construção. Da procura de Oliver para o chuto para o ar. Um FC Porto de duas faces. Tem sido sempre assim ao longo da época.

Um desperdício de talento ofensivo não entregar a bola redonda aos médios para iniciarem construção / criação.

Hoje, com a fortuna que sempre é muito necessária para se ser bem sucedido perante equipas cujo pior jogador do plantel seria o melhor do outro, Jorge Simão bateu a toda a linha Nuno Espirito Santo. E ninguém pode afirmar que não o estava a ver acontecer. Tal como poucos não terão tido a sensação de que Depoitre não converteria em golo a grande penalidade…

 

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Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 217 artigos
Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

11 Comentários

  1. eu percebo pouco de futebol…mas elogiar o chaves…..meu Deus…cegueira clubistica?? talvez…o que chaves fez não é nunca será futebol que eu defendo e gosto…resultou é uma verdade…de resto zerinho. quanto ao resto no futebol ganha quem marca.

      • destaco até num dos textos anteriores esta passagem:

        “um jogo muito pouco aprazível. A táctica “do pontinho” valeu 3 ao Desportivo, que é uma das surpresas em Portugal. Se nos centrarmos na performance pontual.”

  2. Não acho que o Depoitre tenha jogado mal ou mudado por completo o ADN de jogo do FCP até à sua entrada, claro que passou a procurar mais cruzamentos/bola pelo ar, mas antes da sua entrada também o procurou; em cruzamentos sem fim de Alex Telles e Varela. É fácil lembrarmo-nos do bico falhado e dizer “ihh que cepo”, mas teve intervenções interessantes: faltas conquistadas, acções de pressão bem feitas para recuperação de bola, etc.

    “Tal como poucos não terão tido a sensação de que Depoitre não converteria em golo a grande penalidade…”

    acho que não podemos mesmo ir por aí, o André Silva também falhou e o Layun idem.

    “Hoje, com a fortuna que sempre é muito necessária para se ser bem sucedido perante equipas cujo pior jogador do plantel seria o melhor do outro, Jorge Simão bateu a toda a linha Nuno Espirito Santo. E ninguém pode afirmar que não o estava a ver acontecer.”

    Também discordo aqui, como é que se pode dizer que num jogo em que uma equipa bateu a outra na lotaria dos pénaltis um treinador bateu o outro a toda a linha? Foi uma 1º parte equilibrada e interessante mas na 2º o fulgor ofensivo do Chaves praticamente não existiu, era um jogo em que se via que ou dava golo do Porto ou ia para prolongamento. Falha de novo no mesmo o Nuno (imo), nas substituiões… Demasiado conservador, e más escolhas quer para entradas quer para saídas (Depoitre para mim fez sentido, mas como alguém para criar igualdade/superioridade na área em determinados lances) mas se tira Octavio que pese embora o jogo fraco que tenha feito ser sempre um jogador que pode tirar um coelho da cartola a qualquer momento e André André que foi dos melhores se não o melhor jogador do Porto do meio-campo para a frente, acho que diz tudo…

    • “como é que se pode dizer que num jogo em que uma equipa bateu a outra na lotaria dos pénaltis um treinador bateu o outro
      Falha de novo no mesmo o Nuno (imo), nas substituiões… Demasiado conservador, e más escolhas quer para entradas quer para saídas

    • Já agora um elogio para a irreverência de António Filipe, que partiu para cima deles com jogo psicológico e na minha opinião foi um ponto a seu favor. Que se lixe o antiquado ir à marca de grande penalidade e soltar uma ou duas provocações, toca a continuar a inovar, grande António 😀

  3. Marco, quando digo que o Nuno falhou nas substituições fi-lo numa óptica de ver o que o treinador poderia ter feito de diferente para o clube ganhar e não numa óptica de: o Jorge Simão foi melhor que o Nuno nesse capitulo.

    Até porque isso é difícil de avaliar, um dos jogadores que o Jorge colocou em campo lesionou-se minutos depois da entrada e deixou-o a jogar praticamente com 10, e o Patrão não o conheço… Não tenho conhecimento profundo do plantel do Chaves nem dos jogadores menos utilizados.

    Por exemplo no Porto – Benfica e analisando só esse capitulo podemos facilmente chegar à conclusão que o Rui Vitória esteve muito melhor que o Nuno, neste jogo não consigo dizer o mesmo em relação ao JS, acho só que o Nuno foi igualmente mau.

  4. O Chaves já reduzira o Benfica de Rui Vitória a um redondo nada, que é aquilo que o SLB de Vitória normalmente rende nos jogos fora de casa quando pela frente tem equipas organizadas.
    No mais, a associação Simon Vukcevic, explosivo farol Transmontano, com uma equipa blaugrana já fazia prever sucesso para a carreira do muito bom Desportivo em 2016/17.

    Esse sucesso foi aqui discutido entre Van Basten e N’tsunda há muitos meses, quando a época nem se tinha iniciado. Não há milagres caros amigos, quem semeia frutos colhe boas sobremesas.

    O Desportivo e Simon Vukcevic merecem toda a sorte do mundo.
    Nunca duvidei que os veríamos aqui gabados.

    Se no sorteio da Taça calhar uma nova visita do Benfica a Chaves, Jorge Simão rectificará o resultado de há uns meses para o campeonato.

  5. Este fcp tem mentalidade de equipa pequena, deram tudo contra o Benfica fizeram desse jogo o jogo da vida deles e contra o Chaves que demonstraram que são uma equipa com poucas soluções, André Silva que tem sido o abono de familia de NES parece cansado, Otávio não se viu, Jota tambem parece ter ficado no porto, e o adversário também não ajudou, o Chaves é uma equipa muito bem trabalhada, gostem ou não di estilo este Chaves tem um mérito qye é muito importante numa equipa que é saber quais as suas limitações.

    http://benficanascidosparavencer.blogspot.pt/

  6. “Da procura de Oliver para o chuto para o ar. Um FC Porto de duas faces. Tem sido sempre assim ao longo da época.”

    Caro Marco Van Basten

    Após nova jornada de selecções, Porto e Barcelona não conseguem ganhar.

    Duas faces é pouco, há mais faces neste Porto, pois resulta das condicionantes que o adversário impõe.

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