Jesus e os rebeldes na vitória do Restelo; desafios para 2017

Tornares-te previsível: acontece, quase sempre, aos melhores.

Curiosamente, dois jogadores de características menos conformes às ideias do treinador acabaram por ser elementos disruptivos no jogo de hoje. Campbell oferecendo capacidade de desequilíbrio pela faixa, Castaignos procurando romper com a organização do adversário no corredor central.

Parte da solução parte por entender isso e melhorar a ideia de equipa que Jorge Jesus tem para oferecer. No entanto, todo o seu caminho tem sido feito exatamente no sentido contrário, a reforçar na equipa os comportamentos que defendem a sua ideia (ler, neste caso, o artigo do Bruno Fidalgo).

Aos 62 anos, para atingir em Alvalade a hegemonia que deseja, Jorge Jesus terá que se colocar em causa.

É esse o seu grande desafio para 2017.

Sobre Luís Cristóvão 95 artigos
Comentador no Eurosport Portugal.

11 Comentários

  1. 3 golos nos ultimos 5 jogos. Todos Dost a responder a cruzamentos. Pior versão ofensiva dos últimos 8 anos do JJ. Vamos ver como cresce… pq tem crescido sp!

  2. O JJ já respondeu na flash.

    Incapaz de fazer auto-critica… Culpa árbitros, culpa lesões, culpa todos mas não faz auto-critica.

    Parece estar a ser incapaz de lidar com este insucesso temporário da equipa e a equipa sente isso…

    • Atenção que a mensagem que se passa para fora é bem diferente daquela que se tem internamente. Para fora, com certeza que ele não vai dizer que a culpa é toda dele. Mas imagino que por dentro ele se esteja a roer todo.

  3. Deixem me colocar aqui um nome que hoje fez a diferença no jogo interior da equipa: Alan Ruiz.

    Se o jogo do Sporting se tem tornado demasiado previsível e exterior, Alan hj mostrou o tipo de opções que pode dar no corredor central!!!

  4. Para mim há explicação simples… JJ é muito bom, mas quanto mais exigente e mais dinâmico é o modelo implementado, melhores têm de ser os intérpretes… e em termos de ataque, tanto SLB como FCP têm os melhores.

  5. Uma questão para vós, que percebem mais disto que eu: considerando a vossa opinião sobre o Mourinho, que parece que estagnou no tempo sem evoluir, e a vossa apreciação de há dias sobre o trabalho do JJ e o facto de muitos hoje o imitarem e por isso ele parecer pior, pergunto até que ponto é que acham que JJ vai ser capaz de se reinventar, ou vai cair na mesma questão do Mourinho, e estagnar? E com que riscos? É que o Mourinho mesmo assim conseguiu estar no topo vários anos, e vai conseguindo novas equipas para treinar, mas o JJ tem ficado sempre dentro de Portugal…

    Por outro lado, consegue o JJ e o SCP reinventarem-se assim tanto com um plantel bem pior em termos de individualidades do que o SLB ou o FCP? Considerando o crescimento que tem havido nos dois rivais…

    • A questão central, para Mourinho e para Jesus, é que ambos construíram o seu modelo por oposição a uma realidade que, quer em Inglaterra, quer em Portugal, já não existe. Por isso mesmo ambos estão perante a mesma exigência de evolução para que a sua vantagem se volte a verificar. Ora, quer num caso, quer noutro, penso que poderá voltar a existir sucesso (títulos, vitórias importantes…), mas não creio que nenhum deles possa repetir o mesmo efeito hegemónico que chegou a ter.

      Os riscos são semelhantes, como as realidades diferentes. Mourinho não tem, hoje, acesso às melhores equipas e aos melhores jogadores (pegou num Manchester United que está em quebra desde a saída de Ferguson), tendo que fazer a sua evolução a partir de um ponto de muito maiores dificuldades. Jesus, a meu ver, ainda terá espaço para voltar a ter condições próximas das ideias para alcançar o sucesso, seja no Sporting, seja noutra equipa portuguesa. A questão das individualidades é problemática e, no futuro imediato, o seu trabalho será, também, muito difícil de realizar. Mas não é, no contexto português, uma questão inultrapassável.

  6. O jogo que vi na 1ª parte foi bem diferente do da 2ª. Na 1ª parte o sistema normal que controla tudo e todos (o Belem conseguiu chegar com perigo uma vez à baliza do Beto e foi já perto do intervalo) e algumas oportunidades mal definidas no último passe (o verdadeiro problema da equipa).

    Na 2ª parte depois da entrada de Campbell o SCP voltou a dominar e a encostar o Belem. Tivemos oportunidades para marcar, mas ou por grande defesa do GR ou porque os jogadores têm medo de rematar, não se fez golo. Aí o jogo ficou partido e o Belem criou perigo. Depois entrou-se no jogo direto (acho que a partir dos 75m o que eu considero demaisado cedo), mas curiosamente foi quando a equipa voltou ao seu jogo de toque curto que marcamos o golo.

  7. O JJ passou de melhor treinador em Portugal para ultrapassado e previsível? Na época passada, que terminou há sete meses, JJ realizou um trabalho verdadeiramente assombroso. Pegou num clube morto, numa equipa sem grande valia individual e fez 86 pontos! 86! Transformou jogadores banais em estrelas.

    A maior culpa deste insucesso recente é de Bruno de Carvalho e sua estrutura. Enquanto que o Benfica, tricampeão, tinha o plantel definido em junho (e o único titular habitual que chegou esta época -Cervi- já estava contratado desde janeiro), o Sporting esperou até à última semana de mercado para constituir uma equipa. Ninguém, muito menos quem compete com um tricampeão, sobrevive a isto. Qualquer falha, por mínima que seja, pode ser fatal. E este ano o fatalismo justifica-se.

    É evidente que JJ tem culpas no cartório -podia ser mais disponível na relação individual dos jogadores, abrindo mais espaço para a irreverência- mas está longe, muito longe, de ser o principal responsável. E, note-se, há ainda muito para se jogar.

    • É o resultadismo. J. Mourinho tem muito pouco a ver com Jesus, estão hoje em ligas completamente diferentes e as suas equipas há muito que não se destacam por nada. É um treinador vulgar relativamente a Jorge Jesus.

      Últimos dias do mercado = 4ª jornada do campeonato, momento em que a equipa ficou profundamente mais pobre pela saída de João Mário e quando essa equipa (com João Mário, 15/16) já estava muito atrás dos 2 principais rivais em matéria individual. “86! Transformou jogadores banais em estrelas.”, há meros 6 meses, como diz. O jogo na Luz onde Jesus engoliu mais uma vez o Benfica foi há 3 semanas. O jogo de Madrid foi há 3 meses ou coisa que o valha.

      A única coisa previsível sobre Jorge Jesus é a certeza de que as equipas que ele treina estarão sempre capacitadas para vencer jogos e títulos.

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