Critério ou atirar à sorte. André Carrillo.

Último lance da partida no Estádio da Luz.

Carrillo entra na área, o lance é prometedor e há colegas já dentro da grande área para quem a bola poderia sobrar. O que faria qualquer jogador que não tenha o critério como característica vincada? Atiraria uma bola forte a passar pela área esperando que esta batesse em alguém e acabasse na baliza. Muito provavelmente sairia para fora, mas da bancada viria o “Bruáááá” e a aprovação.

Carrillo, observa o lance, percebe que não tem linha de passe e tal como qualquer jogador inteligente, entende que na grande área o jogo é o mesmo! Pode-se continuar a decidir com cabeça. Mesmo que a bancada fique impaciente. Sem linha de passe, define para a criar, ultrapassando adversário. Não o fez pelo prazer do drible. Fê-lo pela necessidade de conseguir ter opções para prosseguir a jogada, uma vez que não havia um único colega com linha de passe clara.

Dificilmente haverá melhor definição sobre o que é ser criterioso em cada posse, sobre o que é não fazer as coisas só porque sim, mas sempre com a melhor opção, do que aquilo que a jogada do último golo do SL Benfica demonstrou.

A muita qualidade nas alas ofensivas encarnadas, e a falta de agressividade defensiva (notada na menor velocidade com que ocupa o espaço ou pressiona portador na sua zona) quando comparada com a dos colegas, seja na transição seja em organização tiram Carrillo das opções. Não se duvide da qualidade imensa do peruano, porém.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

8 Comentários

  1. Mas ainda apresenta lacunas na decisao. Há um lance em que ele foge na linha, quer meter no meio por nao ter mais opcoes, mas a bola ressalta no defesa e sobra para ele outra vez. Na segunda tentativa, se tivesse olhado, já estava o Pizzi solto no meio, mas ele repetiu a jogada e voltou a cruzar para uma zona menos favoravel.

    E ha ainda o cabeceamento sem angulo com o Pizzi a entrar. Acho que está a demorar a apanhar as movimentacoes dos colegas…

  2. Acho que nesse lance perdeu a oportunidade de passar a bola a um colega que estava atrás, e que tinha uma boa oportunidade para alvejar a baliza com perigo. Já o vi noutros jogos com comportamento semelhante, a pausar o jogo, a não ser lesto a colocar a bola, e o lance a perder-se. Desta vez, por acaso, saiu bem, e digo por acaso porque o passe ainda toca de raspão no jogador do Leixões… se fosse feito 5 cm mais recuado, se calhar tinha ganho um canto e desperdiçado uma boa ocasião. E é de realçar a capacidade de fugir à oposição de Mitroglou e de fornecer uma linha de passe para o Carrillo, que de outra forma não teria conseguido endossar-lhe a bola. Mérito também para o Carrillo em ter pensado numa solução, e não ter feito aquilo que o público quer, como bem diz o autor do post. Mas foi uma boa decisão perdida num mar de perdas de bolas disparatadas, e até lances semelhantes onde define mal, hoje e noutros jogos. Acho que muitas vezes faz o exato oposto daquilo que o jogo pede. Do outro lado do campo há um miúdo que tem essa capacidade de definir bem, fá-lo de forma consistente, e traz ao jogo uma imprevisibilidade que o peruano não traz, ainda ajuda a defender e entrega-se aos lances como quem se quer afirmar no plantel. E à frente desses 2, há mais 2 ou 3 extremos que fazem isso tudo, e mais. Quando o extremo em pior forma do Benfica, dos que têm um número significativo de minutos, se chama Carrillo, é sinal de que a equipa está muito bem servida nessa posição.

  3. Ontem, mais uma vez, Zivkovic.

    A prova viva de que os cruzamentos podem ser passes. Que qualidade, em condução, passe, drible e até sem bola.

    Tem de ser opção para os jogos a doer, já.

  4. O Carrillo sempre foi mau no momento defensivo, já no SCP era assim.
    Não tem noção do espaço defensivo, de como o ocupar nem sequer tem noção de quando deve entrar à bola no timming certo.

  5. Gosto, excelente jogada com uma série de abéculas sempee a chatear o rapaz. Porra, é demais. Bom jogador. Muita pausa, muita qualidade técnica e bom conhecimento do jogo. Precisa de entender de uma vez por todas que é preciso trabalhar. A enorme concorrência assim obriga.

  6. Não é só uma questão defensiva. Sim, defensivamente, há momentos em que me faz lembrar o Ola John, mas ofensivamente, off ball, está muito longe daquilo que se exige a um extremo num 4-4-2 como o do Benfica. Está a evoluir nesse capítulo, mas tem que assumir mais o jogo, tem que procurar mais a bola e não pode ter medo de a receber em zonas do terreno que não se sinta tão confortável. Passa demasiado tempo longe do jogo, como se fosse o rei, à espera que lhe coloquem a comida na mesa.
    Tem que perceber que no Benfica é apenas mais um , e extremos de qualidade não faltam. Se souber acatar os conselhos do Vitória, poderá dar extremo de topo. Hoje por hoje, não conheço futebolista que tenha mudança de velocidade tão forte como a do Peruano- num simples espaço de terreno, é capaz de acelerações fora do normal.

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