Subir o nível. Treinadores / Jogadores. E as novas regras.

Numa “tertúlia” mais ou menos recente, explicava-me um dos treinadores em Portugal que vale a pena conhecer que o facto de nunca ter tido “matéria prima” de qualidade indiscutível o levou a procurar sempre forma de colectivamente ajudar ao máximo possível os seus jogadores no processo ofensivo. O perceber e fazer perceber ligações e uma forma muito especial de articular o onze garantindo sempre muitas opções ao portador. No fundo, sistematizar o seu jogo para que os seus jogadores tivessem mais condições / ligações para chegar com bola “redonda” ao último terço, prontos para atacar a baliza adversária.

O próprio Martí Perarnau no último livro sobre Pep, refere a maior dificuldade para agora orientar o momento ofensivo. No Barcelona bastava construir uma forma de a bola chegar a Messi. Sem Messi, há que continuar a criar e potenciar ligações colectivas até ao último metro do campo.

Evoluir é sempre possível. Mesmo quando na área tens um jogador deste nível:

Todavia, o primeiro passo para a mudança e crescimento, terá de passar sempre pelo sair da zona de conforto. Deixar de fazer igual a todos, entregando o resultado à qualidade individual. Procurando a diferença somente no processo de liderança.

Mais do que novas regras, o jogo precisa de nova gente. Gente corajosa. De quem se predisponha a fazer diferente. Isto, numa era em que está institucionalizada a primazia pelo defender com todos, fechar os espaços, privilegiando ao máximo o processo defensivo, entregando o ofensivo ao sucesso das bolas paradas ou do erro clamoroso do adversário.

Talvez o que precise de mudar sejam as mentalidades de quem nos clubes toma decisões. Procurar diferente. Procurar o atractivo. Como tão bem me passou a mensagem, Fernando Valente. Como querem os clubes valorizar os seus activos e tornarem-se rentáveis também financeiramente se se propõem a jogos de autêntico atletismo, onde tocar na bola é uma miragem? Quantos saem valorizados no jogo nos dias de hoje?

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3009 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

2 Comentários

  1. Essa última frase é a pedir Superleão a.k.a Brincadeiraa nas seleções

    Gostei do post, como já vem sendo hábito e gostava de deixar a minha posta. Os treinadores, tal como nos, tem um emprego que é o sustento da vida deles. Acontece que neste caso a estabilidade do seu posto é muito reduzida. O que quer dizer isto? A volatilidade do posto é muito grande e mesmo a avaliação que se faz do seu trabalho é super objetiva “não atingiste os objetivos? Vais embora”. Isto faz com que os treinadores, com medo de perder o seu posto e porque não confiam nas suas capacidades ou dos seus jogadores, procuram propostas de jogo que diminuam o espetáculo mas que lhes dêem mais possibilidades de conseguir safar os ‘objetivos’.

    Dando um exemplo que, não tendo nada a ver, tem tudo a ver. Na NBA, dando este exemplo pois é o desporto que me sinto vontade para falar, não há descidas de divisão nem nada, logo isto permite que haja equipas que se encham de jovens jogadores com potencial tremendo e que estes evoluam no fim da tabela, que é objetivo de algumas (poucas) equipas.. Isto faz com que mesmo essas equipas do fundo da tabela joguem bem, porque não têm pressao para ganhar, mas vão perdendo dada a inexperiência dos jogadores, que mesmo no futuro serão super-estrelas. Aqui os critérios da avaliação dos treinadores são muito mais virados para a qualidade de jogo e evolução de jogadores.
    Com isto quero dizer que não devia haver descidas de divisão no futebol bem ‘idas à Europa’? NÃO!! Claro que não. Estou só a dizer que há maneiras de ver as coisas e há razoes para elas serem como são. Porque podes ter 18 Guardiolas na liga, mas só 1 é que vai ser ‘bom’, que é o campeão. Os outros não prestam e 2 ‘Guardiolas’ até vão descer de divisão.

    Isto tudo para dizer só uma coisa: se acabassem com as brincadeiras nas seleções isto resolvia se já!!
    Um abraço para o Superleao, um comentador muito próprio é que todos gostam de ter por cá! ?

    • “Como querem os clubes valorizar os seus activos e tornarem-se rentáveis também financeiramente…”

      Caro Francisco Magalhães

      Fico extremamente sensibilizado pela atenção que dás à minha teoria, mas efectivamente assim é: os jogadores desde as camadas jovens já estão desvalorizados pelas brincadeiras nas selecções.

      É preciso elevar o nível no FUTEBOL PROFISSIONAL e começa-se por afastar as brincadeiras nas selecções que não passam de simples falta de profissionalismo.

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