Dicionário Vítor Pereira

Vítor Pereira fala ao Jornal Expresso e podemos construir um autêntico dicionário com marca-de-água deste treinador.

Ideia e Evolução

Repara, devemos ter a nossa ideia e ele tem uma ideia muito própria de jogo. Só que o problema é que a ideia tem de ser evolutiva.

Importância do Contexto

As minhas ideias continuam lá: um jogo de domínio, um jogo pressionante, um jogo de toque, com bola. Mas o respeito pelas caraterísticas dos jogadores é fundamental.

O conhecimento da crítica

Às vezes eu era criticado porque diziam que ele devia jogar a ‘dez’. Pois devia, mas os outros três que tínhamos no meio, juntamente com ele que partia de uma posição mais aberta e depois aparecia nas costas da linha média adversária, isso é que fazia a diferença. Só que ver isso não é para todos. Por isso é que eu a partir de determinada altura disse para mim próprio: “Como é que posso valorizar uma crítica se eles não entendem?”  (…) Foram jogadores e alguns deles nem foram exemplo para ninguém. Quando é que eles tiveram de tomar decisões sobre pressão? Onde é que eles foram avaliados e criticados ao mesmo tempo por tanta gente? Não foram.

Estímulo

Sempre fui muito autocrítico e nunca me chega aquilo que faço. Quero sempre mais porque sei que consigo mais. É como o nosso cérebro: nós só exploramos uma parte muito pequena do nosso cérebro. E eu sinto que bem estimulado e motivado sou capaz de virar uma equipa de pernas para o ar. Sou capaz de mudar tudo e de convencer as pessoas a mudar, porque é essa a questão da liderança.

Modelo de Jogo

É esse domínio e esse controlo tático que eu adoro. Oiço aí alguns “eh pá, eu ganho 5-4 e é um grande jogo”. 5-4? Fazerem-me quatro golos? A uma equipa minha? Isso para mim é desorganização. É porque nós não dominamos todos os momentos do jogo. Ou que criem oportunidades de golo. Se me criarem uma eu já fico chateado.

Campeonatos dominados por correntes de pensamento diferentes (como Premier League)

Quero estar lá e provar que a forma de jogar em que eu acredito vai ter sucesso. A ideia de jogo vai-se construindo.

Reflexão pessoal (a influência de Vítor Frade)

No segundo ano, parece que se fez luz. Tudo começou a fazer sentido. Porque comecei a entrar numa lógica de pensamento que punha em causa muitas das coisas que se diziam. Porque é isso que ele transmite. Ele transmite a capacidade de nós refletirmos sobre as coisas. Não comermos se não gostarmos.

Inteligência específica e entusiasmo

Sabes que há gente que na escola não funciona mas a jogar futebol, cuidado. Entendem tudo. Nós temos muitas inteligências. Há gente que cá fora não dizem duas palavras mas lá dentro são inteligentíssimos. O que te entusiasma tu também aprendes melhor. (…) Passo o dia todo a pensar futebol, a refletir futebol.

Para ler, aqui.

Sobre Luís Cristóvão 95 artigos
Comentador no Eurosport Portugal.

9 Comentários

  1. Falar bem ou conhecer os aspectos tácticos do jogo não fazem de Pereira um bom treinador. Aliás o seu percurso fala por si…

      • Uma derrota para a liga portuguesa, porque para as outras competições foram só mais 11.

        No Fenerbahce falhou a toda a linha, e esta ida para a 2º divisão alemã tem tudo para ser outro tiro ao lado mas vamos ver.

        PS: Gosto do VP e aprecio o seu trabalho no geral.

  2. Os meus destaques:
    A opinião dele sobre Guardiola e a Premier (exatamente aquilo que vocês têm dito aqui, principalmente o Nuno)
    A opinião dele sobre a crítica, aqui por ser uma batalha com a qual eu pessoalmente me tenho encarado muito. Adoro quando ele diz ‘viessem falar comigo e eu punha-os a fazer o pino e caiam-lhes as moedas dos bolsos’.
    A maneira que ele fala da sua equipa no Porto…que saudades, mas acho que agora temos equipa (leia-se jogadores) para voltar a jogar assim.
    De realçar por último aquela que para mim é um das maiores qualidades de VP, ele tem um perfeito conhecimento dele próprio. Ele sabe todas as suas fraquezas (a maneira como fala do aspeto comunicacional) e pontos fortes (sabe que é alguém que percebe do jogo como poucos no mundo e não tem medo de se por no patamar dos grandes como Guardiola e outros). Eu quero muito acreditar que VP um dia vai atingir o que sempre quis, ganhar um Champions League, e se a ganhar vai ser com muito merito, porque ele vem debaixo, a fazer o seu trajeto e sempre sem ajudas. Para mim será eterno.

    • «Adoro quando ele diz ‘viessem falar comigo e eu punha-os a fazer o pino e caiam-lhes as moedas dos bolsos’» – Ver e ouvir a análise dele ao SCP-BVB. Caramba que pedrada no charco!

  3. Fantástico!

    É sempre um prazer muito grande ouvir, ver ou ler o VP. E as equipas dele normalmente cumprem as ideias que apregoa.

  4. Até simpatizo com o Vítor. Interessante o discurso. Pelo percurso de entra/sai, difícil ver evolução.
    No global, muita teoria, mas prática “lenta” e que dança demais quando é obrigada a mover-se. Maquilhagem posicional. Boas casas de partida e chegada, mas confusos no caminho.
    Muito duvidoso a performance na Bunda II.

    • Como muito duvidosa a performance na Bundesliga II se tem, até ao momento 0 (zero) jogos realizados? É que ele tornou-se treinador efectivo a partir de 1 de Janeiro e terá o primeiro jogo apenas na sexta feira.

      Eu diria que até é neste momento o local ideal para recuperar da passagem pela Turquia. Um clube que luta “apenas” para não descer, num dos países onde o trabalho do treinador é mais valorizado.

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