Para o jogo, os melhores jogadores

Esta era a impressão e avaliação que Pep Guardiola fazia de Kimmich enquanto ponderava a possibilidade de o utilizar como defesa central:

Sabe aguantar la pelota si hace falta o atravesar líneas sin miedo, y con él la salida de tres es muy fiable. Tengo la impresión de que puede ser un central ideal. Este chico no tiene miedo de ir hacia delante.

Porque o jogo se liga desde trás, cada vez mais é imperioso ter os melhores jogadores em campo. Os melhores definidos como tal pela sua qualidade com bola. Técnica e de decisões. A melhor equipa será sempre nos dias de hoje, a que reunir os onze melhores que reúnam tão decisivo binómio. Mostrando-se, contudo, disponíveis para todos os momentos, e não somente para os mais aprazíveis.

Para saber si había hecho un buen partido me preguntaba si había hecho mejores a mis compañeros

Mesmo que a notoriedade se centre no último passe. No golo ou no drible. Há um sem número de decisões que os antecedem. Sem os quais o golo nunca chegaria. A forma como se progride no campo, o espaço que se decide para progredir são o que mais potencia as possibilidades para os que surgem nos resumos terem mais chances de serem bem sucedidos. Receber uma bola que vem rasteira, nas costas dos médios adversários, depois de conquistado mais espaço para enquadrar, é totalmente diferente de ganhar uma “segunda bola” no mesmo espaço. Porque veio longa, porque permitiu juntar oposição e porque perde velocidade o jogo quando há que a dominar num gesto mais difícil.

Se na frente queremos desequilíbrio, melhores possibilidades de o ter teremos, se a bola lá chegar em condições óptimas para receber.

Essa é a velocidade de jogo que realmente importa. A da recepção / decisão rápida. Nunca a do “esticar” que tanto conduz o jogo ao “quanto mais depressa vai, mais depressa volta”.

Fazer melhor os colegas é entregar redonda, no espaço e tempo ideal. É promover o desequilíbrio pelo atrair. Pelo fixar. Pela decisão rápida e passe de fácil recepção. E tais decisões não têm melhor espaço para acontecer. O jogo é igual em cada metro do campo. E se mais recuado não crias condições para quem na frente quer receber, menos probabilidades terão estes para poder fazer a diferença. Se são os elementos mais recuados que mais participação ofensiva têm no jogo, como ignorar a importância da qualidade técnica e de decisão mesmo quando se pensa nos defesas centrais ou médio defensivo?

…quizás juegan veinticinco fases seguidas a base de fijar y abrir hasta que el rival se agota y ya no llega a las coberturas…

O jogo inteligente. O jogo de ataque posicional. Onde a pressa não significa fazer melhor. Fazer melhor é mesmo que devagar ir movendo a oposição. Chamar a ti, e soltar. A pressa a chegar no momento ideal que espaço livre adiante permite. Proporcionando o tal melhor jogo aos colegas.

 

 

 

 

Sobre Paolo Maldini 3791 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

3 Comentários

  1. «Para saber si había hecho un buen partido me preguntaba si había hecho mejores a mis compañeros.» – Tantas e tantas vezes que era esse o caso. Aquela época com o Fenómeno em que era ele a começar o que Figo, Ronaldo e de la Peña acabavam… =)

  2. Pena o frango. A liga Francesa é uma mentira, e por isso espero que o Bernardo saia no final da época, e vá para um clube de elite. Fala-se do Man Utd, mas assusta-me o que Mourinho poderá fazer com ele. Vejam o que acontece com o génio Mata que não é titular em detrimento de um jogador banal como Lingard.
    Barcelona quando iniesta se aposentar, Dortmund, Bayern, seriam sempre melhores escolhas.

  3. Bernardo não saberá explicar tão bem quanto Guardiola o porquê de ser um enorme jogador. Tudo o que tem, e faz, ninguém lhe ensinou. Se temporiza, se fixa, se atrai ou conduz, fa-lo sempre porque só sabe jogar assim.

    Lembro-me da sua passagem dos juvenis para os juniores do SLB, quando de repente passou de suplente pouco utilizado a imprescindível (a imaturidade física deixou de ser uma contrariedade tão decisiva), o próprio afirmar:

    – “Não sei o que se passa, mas estou a jogar de cara&%$#@!”

    http://www.abload.de/img/bernardo1lzajk.gif

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