Mais rápidos e mais fortes. Um jogo onde o intelecto é tudo.

FUTEBOL - Jardel durante o Benfica Guimaraes referente a 32 jornada do campeonato Nacional realizado npo estadio da Luz. Sexta 29 de abril 2016. (ASF/ANDRE ALVES)

Segunda meia final da Taça da Liga. Mais um jogo perfeito para demonstrar o quão desinteressantes podem ser as capacidades físicas se a elas não se juntar uma capacidade para raciocinar e analisar o jogo a grande velocidade.

Poderia falar-se da segunda parte de Francisco Geraldes, que de cabeça levantada liderou com as suas decisões uma autêntica rebelião que dizimou o Benfica.

Não é porém no jovem maestro leonino que se centra o post.

Benfica com Jardel e Lisandro. Os centrais com os traços individuais mais marcantes. Os mais rápidos, os mais fortes no choque. Os mais capazes de enfrentar duelos. Porém, ser mais rápido e mais forte está muito longe de significar ser melhor, quando tudo o que é mais importante no jogo é percebê-lo e de forma muito rápida. Decidir a grande velocidade, mesmo que sem bola.

De que importa a passada e a vantagem que retiram no choque se demoram eternidades a mudar posicionamento em função dos estímulos? Mal posicionados em profundidade, sem ajustar sobretudo o momento para baixar quando Moreirense saia com bola no pé na pressão. Mal posicionados em largura. Afastados em demasia. O golo do empate a servir como exemplo claro de uma má leitura da situação de jogo. Demasiado altos e sobretudo demasiado afastados. Tão afastados que permitiram que a bola entrasse até rasteira!

Porque o jogo há muito que não é um somar de características individuais, uma dupla sem rotinas nunca conseguiu ajustar correctamente o seu posicionamento às diferentes situações que enfrentava. E tantas foram as vezes em que fruto das más abordagens que os médios tinham, foram chamados a ter de tomar decisões.

Futebol, um jogo de ligações e de relações. De quanto o movimento de um altera a decisão e movimento de outrem. Sem rotinas conjuntas, sem capacidade para ler a grande velocidade, e em conjunto! (não bastará ser somente dois ou três a perceberem o que se está a passar), os erros sucedem-se.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

10 Comentários

  1. Lisandro apenas esteve presente no primeiro golo. A defesa com Lindelof até piorou bastante. Sendo que jardel foi claramente o elo mais fraco.

  2. Olha que o Lindelöf tem um lance de 2×1 que o resolve muito bem. Em vez de sair ao portador mantém se junto da única linha de passe possível e o portador só lhe resta seguir junto à linha. O ataque acaba por não surtir efeito porque a defesa se recompõe. Foi o que me ficou na retina,posso tarde enganado.

    • O Lindelof é q foi safando aquilo… com o n de c.ataques q houve c slb c pcs atras… se la ta o Lisandro q nem em organização safou… era uma hecatombe

  3. Concordo com tudo o que dizes. Tem se criticado o Luisão ao longo da época, mas nota-se bem a diferença quando ele joga. É que toda a defesa é influenciada por ele, assumindo o papel de patrão. Está dupla já tinha sofrido 2 golos com o Leixões na Luz, precisamente com bolas a entrar entre os centrais.

  4. Não concordo quando diz “os mais rápidos”… na minha opinião (pelo menos) Rúben Semdo tem de estar nos principais em questões de velocidade! Tudo o resto, certíssimo.

    • O central mais rápido dos três grandes que me lembro é o Ilori e vejam lá onde está ele agora com Kloop. Ah, esperem lá…

    • É uma questão de contexto. Passeando pela blogosfera benfiquista os elogios a Lisandro é ser muito rápido (normalmente a desfazer a borrada que criou, mas isso nem todos dizem) e ao Jardel ser muito forte.

      Face ao que se tem visto Luisão é a natural segunda escolha, mas tem revelado problemas de acerto com os companheiros em várias ocasiões. Parece é ser melhor a disfarçar as limitações do que os outros.

  5. Aproveito este post para vos perguntar o que têm achado da dupla marcano e Felipe. Ao inicio aquilo parecia wrestling, mas vejo uma cumplicidade e acerto demasiado grandes… Penso que só não queimam mais linhas porque o treinador prefere baixar o Oliver para pegar jogo. Resumindo, se os deixassem decidir mais, talvez o seu patamar e o próprio patamar de jogo colectivo fosse superior.

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