Os golos do Moreirense – Comportamentos em transição defensiva

Foi um Benfica muito menos competente aquele que vimos ontem na meia final da Taça da Liga. Rui Vitória falou em desatenções e colocou a hipótese dos erros estarem relacionados com as alterações feitas na estrutura defensiva.

Olhando para os lances dos golos, que surgem em transição defensiva, percebe-se a falta de adequação, de alguns jogadores, a determinadas situações.

No primeiro golo do Moreirense, para além do mau passe de Eliseu, existe uma lentidão na forma como André Almeida e Lisandro se apercebem da intenção e possibilidade da bola viajar para as suas costas. A reação tardia permitiu que Dramé se isola-se. Foi genial, o passe de Franscisco Geraldes.

No terceiro golo é Samaris quem abre caminho para o desenrolar do lance, depois da falha de Jardel. O jovem Podence recupera a bola e é o grego que vai sair na “contenção”. O médio benfiquista relevou uma enorme imprudência ao “entrar de primeira”: ofereceu o corredor central ao adversário, ao mesmo tempo que lhe permitiu solicitar a velocidade de Boateng.

Neste tipo de situação, estando o médio a cobrir uma área tão importante, no corredor central, seria fundamental que não se deixasse ultrapassar e orientasse o adversário, para zonas que lhe diminuíssem o poder de progressão.

 

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 75 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

17 Comentários

  1. Ha um contra-ataque identico que o fejsa impede sem se quer tocar na bola por aqui. Nao sei se me conseguem arranjar o link. Penso que foi o Maldini que fez o post

  2. Na Btv ja tinha referenciado estes comportamentos do Samaris.

    Jardel e Lisandro n têm jogo , ritmo nem rotinas. Meteram agua no posicionamento e nas abordagens por tds os lados… e mais uma prova q ser mais rapido e mais forte signifique melhor…

    • Concordo plenamente. O samaris e o eliseu nunca ajudam à festa… Mas nesta altura do campeonato não devia esta dupla ter já alguns comportamentos defenidos? Fez me alguma confusão!

    • Acho que isto também está relacionado com o modelo do Benfica. Tentando não pôr em causa a qualidade do jogador, mas o Samaris claramente não é um médio recuperador de bolas, por isso o modelo devia ser adaptado para esconder as suas fraquezas, em vez de se esperar que ele possa fazer o mesmo papel do Fejsa. Samaris era para jogar num meio campo com um gajo com outra agressividade defensiva que o Pizzi não tem.

      • Boa, bem visto. Mas não sendo um grande recuperador nem um grande condutor de jogo, como acham que pode encaixar neste modelo? Tendo um jogador como o Enzo ou Matic ( por ser as ultimas referências no Benfica) ?

  3. Muito fraca a segunda parte… Erros atrás de erros e falta de conhecimento que gerou uma nervoseira que não se compreende.

    No terceiro golo também achei que o Eliseu ainda complicou mais a situação ao fazer como o Samaris. Não sendo o culpado, não valia a pena arriscar o corte no chão.

  4. Bruno, consideras com mais culpas no cartório o Samaris do que o próprio Jardel ou até mesmo Eliseu e Lindelof?

    É que vendo os erros dos 4, no de Samaris houve uma classe enorme do opositor (Podence), já nos erros dos outros 3…

    E o quê que vem a ser isto? ->

    “O médio benfiquista relevou uma enorme imprudência ao “entrar de primeira””

    Entrar de primeira? É esse o termo técnico da gíria futebolística agora? Querem matar o “entrar à queima”? 😀

    Obrigado pelo post.

    PS: E ao Pedro que ponha a última participação na BTV 🙂 faz favor

    • Não é uma questão de quem tem mais culpas. Mas acho o erro do Samaris mais grave e importante.

      Ahah, jamais!

      Obrigado eu, pela presença e comentário.

  5. Caro Bruno Fidalgo

    No primeiro golo do Moreirense, além do que foi mencionado, o posicionamento de André Almeida é incorrecto, pois deveria defender por dentro e não por fora.

    Aos 10 segundos para a frente, André Almeida mantem-se sempre por fora, deixando Dramé entre si e Lisandro.

    • É verdade, Super.

      Mas também é verdade que o lance é confuso, com perdas de bola dos 2 lados e muito rápido.

      Há algum defesa do Benfica neste jogo que nos 100 metros batesse Drame?

      Ora é precisamente aí que a “predominância do cérebro sobre o físico” no futebol, não é uma verdade absoluta. 🙂

  6. Muitos erros “individuais”. Mas e o treinador? Saberá melhor que ninguém como estão os “suplentes” (ritmos, rotinas, etc). Houve imprudência ao arriscar ou insapiência de proteger fraquezas? Duvido que não se descortine aqui outras culpas para antecipar e proteger o processo das inevitáveis faltas de entrosamento.

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