O regresso dos baixinhos. Mil e uma formas de a roubar. A noite mágica de Camp Nou.

Falava nas vantagens de um baixo centro de gravidade para guardar e proteger a bola, Pastore. E se o futebol de Xavi, Iniesta e Messi abriram os olhos ao mundo, mostrando que ofensivamente não é por se apresentar um perfil morfológico mais pequeno que se poderá estar em desvantagem, pelo contrário,  falta ainda entender que o mesmo baixo centro de gravidade poderá trazer vantagens também nas tarefas defensivas. Sobretudo quando falamos

Entender a maior ou menor competência somente pela envergadura física nunca será um bom sinal. Cada jogador é um jogador diferente. E em Camp Nou numa das mais míticas partidas da história do futebol, ter uma série de jogadores cujo centro de gravidade é baixo foi uma vantagem tremenda nas tarefas defensivas. Sobretudo no momento de pressionar de forma muito activa.

Não é só no guardar a bola. Nos duelos individuais, na pressão, ser mais baixo é tantas vezes ser mais ágil e mais apto do ponto de vista motor na forma e na velocidade como se muda de direcção, como se reage à mudança de direcção do adversário.

Precisava de ter a bola o tempo todo a equipa culé. Sem ela, risco máximo no meio campo ofensivo. A organização era pressionar! Praticamente cada um com o seu em todo o meio campo ofensivo. E ai, os baixinhos recuperaram as bolas todas. Porque proteger a bola destes “ratinhos” é de uma dificuldade tremenda. Passam por todo o lado. Colocam o corpo e movem-se de toda a maneira. Surgem pela direita para roubar quando um milésimo antes apertaram pela esquerda.

 

Largura, profundidade, linhas de passe dentro do bloco adversário. Bem junto, ligações de Rafinha com Rakitic, quando Rafinha recebia largo. E de Iniesta com Neymar quando era o brasileiro a receber no corredor lateral. Movimentos dos interiores a levarem oposição abrindo espaço para Messi poder receber dentro. Se não abria espaço recebiam os interiores em profundidade fora. Na perda, pressão imensa a campo inteiro. Homem ao homem e os baixinhos com a sua agilidade roubavam cada bola.

Teria um perfil morfológico diferente possibilitado ser tão rápido e tão ágil a roubar bolas e antecipar espaços a grande velocidade, quanto o que apresentou o Barcelona?

Na noite mágica uma certeza. Nunca ter certezas sobre o rendimento que X ou Y poderá apresentar por ter mais ou menos centímetros. Seja nos momentos defensivos ou ofensivos. Quem é bom, é-o porque a qualidade tem qualidade técnica e um desenvolvimento das habilidades motoras superlativo. Motor, não morfológico. Tudo isto, em cima de decisões. Em cima da inteligência específica para o jogo.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2941 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

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