Um Vitória superior apesar das limitações

A meia final entre o Vitória e o Desportivo proporcionou-nos um bom jogo. O lado emocional sobrepôs-se a a um duelo tático que se antevia interessante.

As duas equipas apresentam boas organizações e processos de jogo bem vincados. Os golos, porém, surgiram de lances de bola parada. O Chaves chegaria ao 3-0 e a verdade é que fez muito pouco para o conseguir.

Depois da entrada que resultou em golo para os da casa, o Vitória, assumiu o jogo. Como é habitual no seu modelo, existe uma variabilidade posicional que permite que Marega jogue como avançado, ou então como extremo esquerdo. Hurtado, outro elemento importante nesta manobra, é um médio ofensivo bastante móvel. Em algumas ocasiões pode surgir ligado a um corredor, sobretudo se Pedro Martins quiser juntar Marega e Rafael Martins na frente de ataque. Esta variabilidade facilita a alternância entre um 4-2-3-1 e o 4-4-2.

O Vitória revelou-se muito capaz em construção, a equipa conseguiu invadir o bloco adversário e conquistar espaços importantes. Ainda assim, o hábito de criar por fora limitou bastante a performance ofensiva. As características dos seus jogadores mais adiantados não facilitam o aproveitamento do jogo interior e isso retira imprevisibilidade ao seu jogo atacante.

O Desportivo organizou-se defensivamente em 4-4-2. Já aqui elogiei os seus comportamentos defensivos mas também já tinha apontado algumas situações que os podem prejudicar. Nesta meia final, a equipa de Ricardo Soares não foi tão forte, sobretudo em organização e transição ofensiva.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 57 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

6 Comentários

  1. Eu gosto muito do Pedro Martins, sempre gostei mas não sei se algum dia passará deste nivel. Achas que isto que chega para um grande Bruno?

    • Não tenho ficado impressionado com o Vitória, ainda que seja das melhores equipas da nossa liga. É bem trabalhada mas não é genial. Falta perceber que jogo quereria jogar o Pedro, com outro tipo de jogadores e o porquê deste plantel.

  2. Quem teve sempre mais perto do golo foi o Chaves,criando mais situacoes de golo que o Vitoria embora tenham adotado postura mais especulativa,recuados apos golo cedo equipa foi sempre mais agressiva ofensivamente que o Vitoria,que dominou mas nao criou,jogou sempre a rimto baixo e sem jogo interior perante um chaves muito equilibrado em fase def.

    • Discordamos Miguel. O Vitória não foi deslumbrante mas procurou durante mais tempo e de uma forma mais pensada o golo.

  3. Mais uma boa análise do Bruno.

    Um Vitória de Pedro Martins, que privilegia o jogo exterior, mesmo quando o adversário tem dificuldades no seu espaçamento na zona central (Tiba e Bressan jogam distantes sem bola). Podia e devia ter explorado melhor a zona central (melhorou muito após a entrada de Bongani).

    Um Chaves que jogou na expectativa, e que apostou muito na transição ofensiva.É uma Equipa forte neste momento, e não em ataque organizacional.Discute o jogo e passagem à final, muito graças às bolas paradas, onde Bressan é exímio.

    Bom jogo (passou a que tem ainda aassim melhores individualidades, e jogo mais fluído e trabalhado desde trás), duas Equipas qualitativas, dois técnicos com boas propostas e que jogam para proporcionar um bom espetáculo.

    Saudações

    • Obrigado!É isso, José. Já vi um Chaves bem mais forte do que neste jogo e o Vitória não conseguiu tirar proveito desse desacerto.

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