Aparecer e não estar. Variabilidade. Podence. E o losango português.

Em vários textos foi por cá defendida a importância de ter no modelo leonino a presença de Daniel Podence. Há inúmeras razões que o justificam, e há mais uma que quase o torna obrigatório.

Relacionado com a variabilidade que traz ao jogo, por ser totalmente diferente dos restantes avançados leoninos. Porque tem características importantes, Podence pode jogar e decidir o que é melhor no momento para a equipa, não estando limitado por dificuldades próprias suas enquanto individualidade. Há quem nunca possa pedir no espaço porque não tem capacidade para se mover de forma rápida, e há quem por ser rápido passe o tempo todo a pedir nas costas.  Podence tem capacidade para trazer a variabilidade que faz diferença ofensivamente. Se há espaço nas costas sabe explorá-lo, mas também usa ameaça de movimento de ruptura para receber no pé e enquadrar.

No primeiro golo de Portugal, a importância de saber usar o espaço, e a melhor forma de procurar rupturas quando se joga com dois avançados. Avançado do lado da bola baixa para apoio. Se não traz oposição, bola pode entrar e ele enquadrar. Se traz, abre espaço onde pode entrar um passe de ruptura.

Ainda que o golo tenha chegado por um erro grosseiro do guardião adversário, uma lição de como usar o espaço e mais uma demonstração do que Daniel Podence poderá dar jogando no corredor central. A procura pela profundidade no momento oportuno trazendo desconforto ao adversário, mesmo que a bola entre menos enquadrada é absolutamente decisivo num processo de criação. Por isso tão demonstrado por video e abordada por Luís Castro na sua recente palestra no Congresso da Periodização Táctica.

 

Apesar de mais uma vitória e da demonstração de talento dos jovens portugueses, ficaram algumas dúvidas sobre o desempenho defensivo do 442 losango com que Portugal foi a jogo.

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Na primeira fase defensiva, Podence a saltar na frente, e a equipa a transformar-se muitas vezes num 433, com todo o controlo da largura da linha média entregue a apenas três jogadores. Rúben Neves, João Carvalho e Bruno Fernandes. Não foi especialmente difícil para a equipa sérvia ter possibilidades de garantir enquadramento dos seus jogadores no corredor central, enfrentando somente a última linha portuguesa. E não fosse a pouca paciência para circular e a tentação de procurar colocar demasiadas vezes e demasiado cedo o último passe, e o jogo poderia ter sido ainda mais difícil do ponto de vista defensivo.

O video traz um lance em que a precipitação é de Zivkovic, ele que foi o melhor sérvio no jogo, mas pretende reflectir uma tendência global nas decisões do adversário português. Muita procura pelo último passe e menos progressão para ir fixar elementos da última linha.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2931 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

4 Comentários

  1. A forma como o Ruben Semedo sai dali é fantástica. Não sei qual o seguimento do lance, mas só aquilo já dá tanto à equipa

  2. Gosto muito do Rui Jorge. Dito isto, e não sei qual é a tua opinião, mas parece-me que estivemos muito muito mal em organização defensiva, principalmente no acompanhamento dos laterais adversários. Se os posicionamentos contra Espanha forem semelhantes, vamos ser destruídos a partir das acções do Gaya e do Bellerín.

  3. Es la primera vez que veo a Podence, hoy contra España, y tenia referencias de lo publicado aqui, y no me ha defraudado, es mas, me ha encantado su movilidad y sobre todo su capacidad para moverse y tomar la eleccion correcta en las tres posiciones del ataque. Verdaderamente, creo que va a tener un futuro enorme.

    Saludos desde España!

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