FC Porto 2017 / 2018. Parte III.I

Médios Centro.

Ainda por perceber quantos médios centro farão parte do sistema de jogo de Sérgio Conceição para a presente temporada. Com a ausência de reforços para a posição de avançado, começa a ficar a expectativa de um regresso ao 433 como sistema para um plano A, do FC Porto.

Danilo. Decisivo na temporada passada, onde fruto de um modelo com pouca articulação colectiva, defensivamente os jogadores azuis e brancos viam-se obrigados a disputar duelos constantes. Acabou por ser um dos premiados pelo tipo de jogar imposto por Nuno Espírito Santo, pois se há algo onde faz a diferença é no usar das suas características físicas. Muito mais competente defensivamente do que ofensivamente, com a confiança que foi ganhando aumentou qualidade e surgiu até a experimentar passes de ruptura nos derbys / clássicos que fizeram a diferença. O lugar é garantidamente seu, ainda que tenha dificuldades para decidir e executar rápido, seja para iniciar transição ofensiva, seja para desequilibrar em organização.

Mikel. Com a partida de Rúben Neves será a primeira alternativa a Danilo. Uma época de qualidade no Sado, embora muitas vezes como médio box to box e não como número seis. Fisicamente muito forte, também muito capaz nos duelos defensivos. Qualidade técnica, mas tal como Danilo, ausência de criatividade e dificuldades para iniciar desequilibrios desde trás. É uma boa alternativa na posição.

Herrera. Deverá ter o seu espaço como médio interior. Capaz de comer metros em curto espaço de tempo, ganha visibilidade nos momentos de transição, seja ofensiva ou defensiva. Entende o jogo, sabe tomar decisões, mas muitas vezes é atraiçoado pelos aspectos técnicos. Dependendo do perfil que Sérgio Conceição idealizar, poderá ter de lutar pela posição de interior com Otávio.

André André. Um perfil não tão distante do de Herrera, embora diferentes morfologicamente. Sempre muito disponível nas transições, carece-lhe criatividade para poder ser um interior que faça a diferença. Ainda que surja em espaços adiantados e demonstre qualidade na finalização, falta-lhe uma maior qualidade nas decisões e na forma como vê tudo o que se passa ao redor para poder ser o desequilibrador que a criação azul e branca necessita. Ûma boa alternativa aos habituais titulares.

Otávio. Dependendo do que idealizar Sérgio Conceição, poderá ter o seu espaço como interior ao lado de Óliver. Rápido a executar e muito dotado tecnicamente, falta-lhe melhorar a tomada de decisão para aumentar a sua importância no FC Porto. Demasiadas vezes sai do desequilibrio para uma má decisão que coarcta possibilidades maiores ao que criou. É agressivo e cumpridor defensivamente. Uma época com muito jogo contribuirá para o crescimento que o seu potencial faz prometer.

Sérgio Oliveira. Sem conseguir ganhar espaço no FC Porto, deverá solicitar novo empréstimo. A concorrência para o sector é muito grande e Sérgio ainda que tecnicamente demonstre atributos está longe de poder afigurar-se como uma opção importante. Demasiada sede de protagonismo expressa na forma como decide mais para si que para a equipa, será uma das razões pela qual não conseguiu até hoje espaço.

Óliver Torres. O melhor médio da Liga em potencial. O tipo de jogador que manda em todo um jogo com as suas decisões bem expressas na qualidade de passe e progressão pelas linhas adversárias. Vê antes e vê mais rápido que todos os outros. É um génio criativo que liga o jogo ofensivo como nenhum outro em Portugal. Sem erro! Um talento incrível que precisa urgentemente de um modelo de jogo que privilegie um jogar pensado e não atlético. Candidato a figura mais do ano.

João Teixeira. Com o talento e potencial que tem, foi surpreendente a pouca importância assumida na temporada passada. Muita qualidade técnica, capacidade para provocar com bola, invadindo espaços e atraindo oposição. Com uma série consecutiva de jogos que lhe permitisse aumentar confiança, quem sabe não seria candidato a surpresa da época. Falta perceber competências defensivas, e se não terá passado por ai a longa ausência. Porque talento, ele tem!

Fede Varela. Depois de uma temporada de qualidade na Segunda Liga, a subida ao primeiro escalão é o mais natural. Em função da enorme concorrência para o mesmo sector, um possível empréstimo na primeira divisão seria o mais acertado. Jogar num contexto competitivo bem mais complicado faria crescer o jovem argentino, preparando-o para na temporada seguinte preparar a sua integração.

Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 108 artigos

Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

1 Comentário

  1. Aqui até nem seria preciso muitas mexidas e com Danilo(Mikel), Óliver(Otávio) e Herrera(André) o meio campo do Porto seria um dos melhores da liga (encaixam-se bem os 3).

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