Young Boys adianta-se. A ausência de Luisão.

Luisão é o central da Liga que desmente categoricamente uma série de frases feitas.

É lento, é pouco móvel, pouco hábil do ponto de vista motor, e ainda assim o mais importante no jogar de uma equipa da Liga.

É por ter Luisão que o Benfica consegue ser uma equipa segura na defesa da sua profundidade, mesmo jogando muito alto. Já quando coabita Lisandro com Jardel, ambos bastante mais rápidos que o capitão, sucedem-se as bolas nas costas. Ser rápido poderá fazer a diferença depois de se ser batido. Contudo, para não se ser batido, é necessária outra velocidade. A do pensamento, a de antecipar o que se irá passar.

No golo que adianta o Young Boys no marcador, comportamento incrível de Jardel e Lisandro, que foram incapazes por um momento de perceber o que se estava a passar, mantendo um subir a passo, com os apoios de frente para a baliza adversária enquanto o portador da bola ganhava espaço para fazer o último passe. Apoios mal colocados e pouco importou ser mais rápido, porque aquele milésimo que uma boa posição corporal permite poupar é decisivo. Jardel, como noutros lances na partida, sem capacidade para intervir numa bola que lhe passa a escassa distância. Abordagem estranha por nem sequer ter tentado interceptar uma bola que tão perto passava. Porque mentalmente reagiu muito devagar?

Erros cometidos e… sem Ederson para resolver. Já o passe saiu (por portador que nunca teve condições para surpreender de longe), já a bola entrou nas costas da defensiva adversária e Varela ainda a sair de dentro da pequena área. Milésimos de segundo que também Ederson ganhava e que lhe valiam impedir finalizações adversárias.

Se Luisão passar por dificuldades físicas na presente época, e sem a leitura de jogo e velocidade de Ederson fora da baliza, poderá o Benfica sentir dificuldades defensivas que nunca sentiu nos tempos mais recentes.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3011 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

8 Comentários

  1. Atençao que nesta bola NUNCA seria apanhada por varela ou Ederson, o jogador que recebe ja está muito proximo da bola e sair para a intercetar seria convidar a levar um chapéu. (Digo isto porque sou guarda-redes e naturalmente fico mais atento a estes pormenores)

  2. Na questão das saídas Ederson na primeira época também não começa muito famoso, foi foi melhorando com o passar do tempo, até se tornar no GR apetecível para Pep que se tornou.

    Lisandro e Jardel sempre forma beneficiando de terem ao lado ora Luisão ora Lindelöf. Assim “até eu” era central do Benfica! No caso de Lisandro, depois de ser ultrapassado pela direita pelo sueco, será que vai ver mais algum puto da B a roubar-lhe o lugar? É que o argentino parece não sair disto…

  3. Significa que o Benfica só defendeu muito alto e não levou (praticamente) bolas nas costas devido à presença do Luisão?

  4. Qualquer lateral banal apercebia se que tinha de seguir com o jogador adversário que está a entrar na sua frente. Apesar dos erros dos centrais. O P.Pereira não pode ficar parado a ver o adversário isolar se

    • Cá está o velho “vai com ele”!! O lateral está a seguir a “linha” dos centrais… até porque o avançado já lhe ganhou a frente, nem de mota ele o agarrava.

      • A seguir a linha dos centrais? Ele está 2 metros adiantado em relação aos centrais. Se ele estivesse a seguir a linha dos centrais estava realmente muito bem. Mas nem isso… o mais hilariante de tudo é ele a fazer a movimentação de colocar o adversário em fora de jogo quando, estando de frente para o jogo, é perfeitamente claro que isso não vai acontecer, precisamente por não estar na “linha dos centrais”.

  5. Penso que a exibição do Jardel teve uma grande taxa de condição fisica envolvida. Ainda na 1ª parte, perde um lance em profundidade (acho que foi o da bola no poste), que o adversário lhe ganha metros de distência em poucas passadas e ele simplesmente desiste do lance. Já o Lisandro… na segunda parte tem um lance em que é batido na lateral, perto do meio cmapo, o Pereira faz-lhe a dobra na corrida do adversário para a linha de fundo e o argentino em vez de tentar recuperar a posição ao centro, vai a correr atrás do Pereira e do adversário. O Lisandro é um central bestial para as bancadas: faz 10 carrinhos por jogo, mete 5 bolas no mato e tem golo, mas de resto é uma nulidade

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