Rendidos! Como Zidane aproveita as individualidades que construíram a melhor equipa Europeia pós Barcelona de Pep.

Aos troféus que chegam a Madrid como nunca antes na “Era de Messi”, juntou-lhe a superioridade moral de um jogar impressionante, que deixa os próprios “culés” rendidos. Pela primeira vez numa década a frase de Guardiola não parece correcta:

Não me atreveria a dar favoritismo a uma equipa que joga contra Messi.

Não conseguiu apenas vencer tudo, mas demonstrar tamanha superioridade que levou Piqué a expressar que pela primeira vez em nove anos se sente inferior ao Real Madrid, e Jordi Alba a referir-se à equipa blanca, como sendo superior e ponto final.

Em Novembro de 2016, aqui, o Luís Cristóvão começava a adivinhar o fabuloso destino da equipa comandada por Zidane, libertos da “padronização” e “onde os melhores jogadores acabam por encontrar espaço para jogar o seu futebol”.

Mas como extrai Zidane o melhor de cada um dos seus jogadores?

Num modelo de jogo pensado em função dos traços de cada uma das suas individualidades.

Aos mais resistentes, mais rápidos e de traços físicos mais acentuados, Carvajal e Marcelo, profundidade e largura máxima. São os “corredores” da equipa, que baixam para defender para a linha defensiva, mas aceleram dando profundidade em organização ofensiva. Sobem e descem, passando à frente ou voltando para trás do centro do jogo madrileno. Leia-se, Kroos, Isco e Modric.

Kroos como central esquerdo na saída em construção, aparecendo Isco mais adiantado já nas costas dos primeiros adversários para possíveis ligações. Porquê o alemão, e porquê no corredor esquerdo? Porque Kroos é o melhor a definir ritmo e timing para sair para o ataque. Com Isco descobrem caminhos para sair com bola de trás para a frente, e se espaço fechar porque adversários se concentram nessa metade do relvado, porque executa ainda melhor com o pé direito do que com o esquerdo, beneficia do espaço que ocupa para conseguir ligar com Carvajal, deixando o “corredor” com espaço para explorar as situações em que ofensivamente é mais forte. Espaços grandes para correr e jogar.

Sérgio Ramos, o defesa com mais dificuldades na construção, apenas como elo entre Kroos e Varane, os dois pontos por onde sai noventa por cento das vezes para o ataque a equipa de Zidane.

Modric que surge como linha de passe à esquerda, sobre o interior a Varane na construção, e que aproveita subida de Casemiro que arrasta opositores para vir dar mais uma ligação a Kroos na construção madrilena. O croata é com Kroos um dos portos seguros da equipa do Real. Sempre disponíveis para receber e ligar o jogo com zonas mais adiantadas com uma qualidade ímpar.

Ter sempre Modric e Kroos de frente para um jogo é um dos maiores segredos para que a equipa do Real domine, atraia e execute com excelência.

Casemiro, o pior jogador do onze madrileno, porque tecnicamente e na tomada de decisão está a léguas dos colegas, esconde-se subindo metros na construção, proporcionando mais bola aos melhores, e quando bola entra em zonas de criação, baixa para cobertura entre Kroos à esquerda e Modric à direita. A sua utilização prende-se sobretudo com o facto de Zidane pensar ser necessário um “guarda costas” que com a sua agressividade e disponibilidade assegure transições defensivas. Cumpre o seu plantel, mas garantidamente que poderá ainda crescer mais a equipa de Zidane, assim utilize mais um jogador para participar em todos os momentos, e não Casemiro para somente defender. E que jogo fez Kovacic na noite de ontem, como que o provando!

Isco com liberdade para se mover entre corredores, mas sempre mais adiantado que Modric e Kroos. Surge como referência para a bola entrar nas zonas mais adiantadas, e é do triunvato de criativos do meio campo do Real, aquele que mais tempo passa de costas para a baliza. A forma como define, como recebe e enquadra, como ultrapassa adversários com aparente simplicidade, tornam-no o elemento ideal para o espaço e papel que ocupa.

Benzema, o avançado perfeito para o jogo que propõe a equipa madrilena. Junta-se ao trio de médios e faz jogar a equipa. Baixa no campo para ligar as jogadas ofensivas, sempre por dentro. Em transição muda demasiadas vezes posicionamento e aparece no corredor lateral para dar um ponto rápido para sair para o ataque. Recebe e define como um dos melhores do mundo que é. É tantas vezes o primeiro elemento a definir se há condições para sair rápido em transição. Se não há, o próprio guarda a bola, temporiza e só depois de equipas mais organizadas toca em quem está de frente.

E por fim, Cristiano. Com Zidane finalmente a perceber onde pode dar mais, onde acrescenta mais a um jogar comum. Finalmente um jogador que entende o que o limita e a tornar-se alguém que executa e prima por processos simples fora da grande área, sabendo esperar o momento e o timing para ter o protagonismo que tanto adora, e que merece pela forma inacreditável como nas grandes áreas adversárias produz resultados.

Desengane-se porém, quem acredita que o Real se vale apenas pelo onze mais utilizado. Jogadores como Kovacic, Bale ou Ansesio são também sempre bem aproveitados e suas características bem integradas na equipa que já havia conquistado a Europa. Inteligência e proporcionar conforto aos seus melhores jogadores, dando-lhes um jogo que os potencia, são marcas dos melhores de 2017. O Real Madrid, a equipa mais marcante do futebol mundial, pós Barcelona de Guardiola.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3011 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

5 Comentários

  1. Maldini, precisamente nessa altura que o Cristóvão comentou o feeling sobre Zidane, atalhei que o treinador do futuro tem o perfil de Rui Vitória, um Zidane à nossa escala.

    Só que, ambos, também à escala, têm o melhor conjunto de jogadores de ambos os países, pelo que se podem dar ao luxo de dar a liberdade que dão, dentro de um contexto de jogo pré estabelecido, sobretudo na frente.

    A primazia de serem os jogadores, sempre, a tudo decidir é perfeitamente encarnada no Bernabeu e na Luz. Os dois golos de ontem do Real e o golo do Benfica em Chaves resultam disso mesmo: contexto definido, indivíduo decide. Asenso decidiu pelo remate de longe, Seferovic pelo toque de circo; um porquê Benzema abriu a defesa (pré definido), o outro porque Pizzi insistiu na abertura a rasgar (pré definido).

    • Já lá estão quase todos, o que demonstra como o Real tem contratado muito bem nos últimos anos: Varane (24 anos), Ceballos (21 anos), Kovacic (23 anos), Casemiro (25 anos), Asensio (21 anos), Isco (25 anos) e o próprio Toni Kroos só tem 27 anos (inacreditável como o sacaram ao Bayern).

      Todos juntos saíram mais ou menos ao preço de 1 Pogba.

      Os mais veteranos (Ronaldo, Modric, Ramos) podem jogar à vontade mais duas épocas.

      Gostava de lá ver o Griezmann, mas parece-me impossível.

  2. O Casemiro pode ter as suas limitações, mas compreendo que seja um jogador muito importante no Real.

    Apesar de Kovacic ter feito um grande jogo (adorei), compreendo que mesmo os próprios jogadores (e estamos a falar de superestrelas) se sintam mais confortáveis sabendo que têm um Casemiro atrás do que um Kovacic.

    E temos que reconhecer, o Casemiro melhorou imenso na última época, está a jogar o dobro do que jogava no Porto.

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