Jogo de inteligência, jogo de decisões.

Benfica's head coach Rui Vitoria reacts during the Portuguese First League soccer match against FC Porto held at Dragao stadium in Porto, Northern of Portugal, 20 September 2015. FERNANDO VELUDO/LUSA

Brilhante Rui Vitória no pós jogo que opôs o seu Benfica ao Belenenses, no derby de Lisboa do passado fim de semana.

Em pouco mais de um minuto, tanto do que por cá vamos passando desde sempre.

Um jogo de decisões, não padronizado. Excepto nos comportamentos defensivos. E ai na presente temporada, os encarnados valem-se muito mais da sua competência colectiva do que das individualidades que compõem os seus sectores mais recuados.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3046 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

8 Comentários

  1. Gosto deste discurso mas depois de o ouvir tenho alguma dificuldade em entender salvio em detrimento de rafa ou zivkovic. Só o consigo justificar pelo “rendimento” que tem em golos e assistências, porque é um gajo que tem muitas perdas de bola e estraga muitas jogadas com decisões no mínimo duvidosas.

    • O Salvio dá outro tipo de soluções que nem Rafa nem Zivkovic conseguem dar. Sim, perde imensas bolas, e decide muita vezes mal. Mas tem muita presença na área, mais golos que os outros dois, um 1×1 mais eficaz que esses dois (não é necessariamente melhor, mas a verdade é que se torna mais eficaz), e penso que defende melhor que qualquer um desses. Enquanto tiver estas características, parte na linha da frente, penso eu…

  2. Ahhh! Quando ouvi isto lembrei – me logo de vocês! Porque vocês já tinham falado da maior liberdade que o RV dá aos seus jogadores e porque imaginei que fossem pegar nestas palavras para reforçar isto mesmo 🙂

  3. Gosto muito do Vitoria. Sempre o quis no Benfica desde que vi o Paços dele. No Guimaraes não segui.
    Posto isto, sempre me causou uma certa especie esse vosso chavão da predominancia do cérebro sobre o físico. A nova moda de darem muita importancia à tomada de decisão em deterimento dos outros aspectos tambem acho um bocado de piada porque o futebol não mudou nada nos ultimos 50 anos (ou pouco). Sempre assim foi, mas não é assim tão linear.
    Primeiro que tudo, o cérebro faz parte do corpo. Continuo sem entender estas divisões que me parecem um bocado artificiais. De que serve o cerebro se os olhos não virem bem o que se passa? etc… E ainda há a questão do consciente e do inconsciente. Onde se localiza isso? Todas as partes do corpo estão ligadas ao cérebro. Experimentem lá pôr um cérebro numa redoma sem corpo para ver o que conseguem dele. Se nunca passarem para lá do monte, por muito inteligentes que sejam, nunca vão saber o que se lá passa.
    Segundo, a tomada de decisão está sempre dependente da capacidade tecnica do jogador. É facil de entender mas cá vai um exemplo. O Marcelo vê o Carvalhal liberto no outro lado do campo e sem pensar duas vezes mete lá a bola direitinha. Um jogador limitado no capitulo do passe tambem o pode ver e até pensar em meter lá a bola mas depois lembra-se que provavelmente falha o passe e resolve dar a 5 metros, para trás, no central do lado dele.
    Terceiro, e por experiencia, muitas vezes o cérebro (não sei bem o que querem dizer com cérebro; se é a capacidade de entender o jogo – a razão portanto; se a criatividade – a imaginação; se o sentimento ou sensibilidade; enfim, não atingo bem mas talvez seja o pensamento) só atrapalha. Recorro a uma frase do Simoes: “o grande jogador já leva a jogada pensada, o génio leva-a pensada mas no ultimo milésimo muda tudo e saca uma outra jogada … (ndr)que nem ele sabe como a fez, sem pensar – isto é literalmente o que acontece muitas vezes a quem é craque. Quando o Messi mete a bola na gaveta não está a pensar como há-de meter o pé. Se pensar muito, a bola não vai lá. Pelo contrario, tenta não pensar. Mete os olhos no sitio onde quer meter a bola, dá uma ordem ao corpo e o corpo faz o resto sozinho. Leiam a “Arte do Arqueiro” que está lá tudo bem explicado. Se começar a pensar cria bloqueios.
    O que na realidade interessa é a experiencia e claro, quem souber entender o jogo e as suas circunstancias, quem souber pensar nele e inventar coisas novas, leva sempre vantagem. Mas isso é como tudo na vida. Não é preciso ser nenhum Einstein para perceber isso.
    O futebol de rua prepara melhor do que nada porque os putos passam horas e horas a praticar. Jogam 2 contra 2, 3 contra 3, aos centros, em campos lavrados, onde desenvolvem os reflexos e o controlo de bola, assim como aprendem a jogar com o corpo inteiro e não só com os pés, e continua. Tambem, claro, têm liberdade para experimentarem.
    os grandes jogadores conhecem as situaçoes de jogo quase todas e instintivamente optam pela acção que as resolve. Não estão a pensar, tipo exame da escola, qual das opçoes é melhor, se a A, a B ou a C. Ficavam logo sem ela. Fazem-no simplesmente. Penso que seja isto o que o vitoria quer dizer com automatismos.
    E ainda há o instinto, que é o que realmente cria.
    Concluindo, não compreendo essas divisoes todas. Qualquer dia cortam os jogadores em partes. Será que ainda vou ver um jogo de 11 cabeças contra 11 corpos sem cabeça? Aposto que acaba 0 a 0 e a bola não sai do meio-campo.

    • Meu caro Pantera, disseste muita coisa para concluir que a inteligência é quem melhor governa para não dizer que é o único que governa. Claro que, antes. teríamos que acordar alguns dos conceitos a usar mas a “decisão” enquanto acto ou substrato do “jogar” é um acto intelectual para o qual contribui o conhecimento que o centro do intelecto (cérebro) têm do corpo ao seu dispor, do jogo, dos adversários, etc. etc. Um dos exemplos que deu é paradigmático. Quando houver limitações/deficiências, nomeadamente da ordem física ou de algum conhecimento em particular, melhor e mais necessária deve ser a intervenção intelectual/inteligência, para compensar e/ou limitar os prejuízos dessas deficiências físicas e outras. Claro que poderíamos falar também da inteligência motora no quadro dos 7 tipos de inteligência de Howard Gardner mas estaremos sempre a falar da inteligência enquanto uma das faculdades específicas de um ser racional/inteligente.

  4. pantera vê o Nápoles jogar sff….Não tem os melhores jogadores do mundo…mas tem o melhor futebol da actualidade…jogam tal e qual o santos do pele de 1975…

    • Que brutalidade a quantidade de apoios e jogo interior que proporcionam.

      Ontem o Hamsik quando recebia dentro do lado esquerdo já fazia os passes de primeira para O Mertens e o Insigne sem olhar.

      Desmontam quem quer apareça pela frente.

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