Benfica no Estádio do Bessa.

Precisamente dois meses e um dia depois da goleada sofrida na Suiça contra o Young Boys, o Benfica arrisca-se desde já a ficar longe dos lugares cimeiros da Liga, depois de também se atrasar perigosamente no grupo da Liga dos Campeões.

Na altura, escrevi assim, num texto intitulado “Acordar para a realidade”.

Há não muito tempo, depois de humilhações sucessivas na pré temporada, culminada com um atropelo no Emirates, o Benfica percebeu que o que tinha em casa era curto. Chegaram então as claras mais valias de Júlio César e Jonas, que tanto contribuíram para elevar o nível da equipa.

Para a presente temporada fica a sensação de demasiada sobranceria na preparação da época. O delapidar dos melhores valores, não tem sido compensado com entradas que possam sequer minimizar os estragos. Sobranceria tal que fica a ideia de que na Luz há quem acredite que substituir vários jogadores de partida para as melhores equipas europeias é tarefa ao alcance de qualquer um.

Apresentou-se ainda com várias baixas na Suiça, mas não tantas que possam justificar a pouca qualidade individual evidenciada, sobretudo em posições que não deverão ser reforçadas.

Muitas são as vezes em que é na pré época que se percebe que não basta o símbolo na camisola para se continuar a vencer, mas antes, ter garantias de qualidade.

Tem a palavra o Benfica. Com a certeza que não se reforçando, e esperando somente o crescimento das actuais opções, correrá um risco muito sério de perder o seu favoritismo.

Sobrará sempre para o mesmo, quando a realidade aponta para uma equipa do Benfica com um nível individual absurdamente abaixo do dos rivais, tendo em conta a história recente marcada pelos triunfos encarnados. Os melhores ou têm partido, ou veem passar os anos, ficando mais “carregados” e com menos rendimento. Um mês e meio antes do fecho do mercado, foi por cá referido o que se poderia esperar da época do Benfica…

Rodrigo Castro
Sobre Rodrigo Castro 108 artigos

Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

23 Comentários

  1. Ainda assim, tem suficiente qualidade individual para jogar um bocadinho melhor contra Boavistas e Portimonenses.
    Todavia, aquilo que apresenta é de uma pobreza franciscana.

    • Sem dúvida.

      Com movimentos colectivos bem trabalhados, mesmo com um pouco menos de qualidade ao início, iriam jogar sempre mais.

      Agora, os tais movimentos colectivos não existem.

  2. Mais um mau jogo do Benfica e espero que o Rui Vitória perceba que é preciso mudar.
    Deste jogo as coisas positivas:
    – Foram a entrada do Rúben Dias no onze( esperava que tivesse sido no jogo da Terça mas era demasiada responsabilidade para ele estrear-se logo na Champions) e não esteve mal, muito melhor que o cepo do Lisandro.
    – O crescimento do Filipe Augusto, quer queiram quer não é injusto continuarem a chamá-lo de cepo pois tem vindo a crescer na posição 6 mas falta fixar-se mais em certos momentos dos jogos.
    – A entrada do Zivkovic e Grimaldo no onze, deram criatividade e critério à equipa.
    Três coisas positivas num jogo é muito mau para uma equipa desta dimensão e que é o tetra campeão de Portugal. Neste momento a equipa tem graves problemas nos processos e muito deve-se aos jogadores que o RV tem nas suas mãos.
    A saída de bola como a maior parte já sabe é muito limitada, pois só temos 1 defesa que sabe a sair a jogar com qualidade que é o Grimaldo (o Ruben Dias nem esteve mal neste aspeto mas talvez falte rotinas com os restantes colegas) e o posicionamento muito adiantado do Filipe Augusto por vezes não ajuda a equipa (tenho a teoria que é por ordem do RV pois o Pizzi está claramente limitado fisicamente desde que se lesionou) o que faz com que o Pizzi tenha de recuar no terreno demasiadas vezes.
    A reação à perda de bola tem estado uma lástima desde a época passada aquando da saída do Guedes para o PSG, o Jonas neste momento é mais um problema que a solução pois temos de jogar em 4-4-2 por causa dele e não temos jogadores que escondam as suas fragilidades atualmente. Há 2 anos tínhamos uma boa equipa na reação à perda de bola mesmo tendo 2 jogadores que acrescentavam pouco nesse aspeto, Jonas e Mitroglou. Na altura tínhamos um 8 agressivo à perda da bola que tinha pilhas que nunca mais acabavam, 2 extremos/médios criativos muito inteligentes e fortes na transição defensiva e na ocupação dos espaços interiores que permitia à equipa ter superioridade no meio campo, Gaitan e Pizzi. Tinhamos 2 centrais rápidos, que se posicionavam muito bem e que faziam bem a pressão no meio campo adversário quando necessário. Tínhamos 1 guarda-redes que sabia controlar o espaço na profundidade e apesar de termos tido de jogar com Eliseu a André Almeida a nossa saída para o ataque não era de todo mal feita pelas alas pois tinhas dois extremos com uma capacidade de decisão e drible que compensavam as lacunas dos laterais.
    Já o ano passado, numa fase inicial começamos a ter problemas pois não havia um 8 preparado para assumir o papel (o André Horta tem as suas qualidades mas estava muito verde e não se sabe se algum dia estará preparado para jogar no Benfica) até que Pizzi vai jogar para o meio e apesar de termos ganho critério com bola, a equipa perdeu capacidade de pressão pois o Pizzi não tem pernas para estar em todo lado como se pede na posição 8 neste esquema. Para além disso perdemos 2 referências nas alas que melhoravam o nosso controlo do jogo Pizzi e Gaitan pela sua ocupação dos espaços interiores e pela capacidade de decisão e passamos a ter Salvio( cujos defeitos são bem conhecidos) e mil e um extremos esquerdos pois se Salvio tinha o Red Pass já na ala oposta, Cervi, Rafa, Carrillo e Zivkovic foram sendo escolhidos quase num “Um-dó-li-tá” para ver quem jogava e nenhum acrescentou muito a não ser Cervi mas a espaços( quando havia Grimaldo principalmente). O que compensou durante a época a nossa saída com bola foram os nossos laterais que souberam colmatar o fraco critério dos nossos extremos (tirando o sérvio que é um jogador bastante inteligente), mas se isto foi colmatado a nossa reação à perda da bola não foi. O nosso grande salvador na primeira parte da época foi o Guedes que com o seu ritmo incansável foi compensado as fragilidades da equipa no processo defensivo e ofensivamente conseguia transportar a bola para a frente compensado a saída do Renato e a sua velocidade, potência e técnica conseguiam criar situações de perigo para o Benfica (faltava-lhe contudo um bocado mais de calma na hora de decidir pois ou decidia mal ou executava mal várias vezes).
    Mas em Janeiro saí Guedes e entra Jonas e as debilidades aparecem mas conseguimos sobreviver até ao final da época pois a equipa já estava oleada e a qualidade individual dos nossos jogadores foi fazendo a diferença apesar de quase sempre não termos o controlo do jogo quer com bola quer sem bola, sendo que o mesmo está a acontecer agora pois saíram elementos importantes que permitiam ainda assim conseguir dar resultados positivos à equipa, que desde o ano passado não está preparada para ter o Jonas no onze.
    Que Rui Vitória ganhe juízo e percebe de uma vez por todas que é preciso mudar.

    • Eu comecei a ler, mas ainda no inicio reparei que já tinha lido isto no Visão de Mercado. Devem ser muitos os que lêem as duas páginas diariamente

    • Boa noite,

      Já tinha escrito isso no bidão de mercado. Era mau lá e aqui não ficou melhor.

      Quando Jonas é um problema e isso é uma noção que fica enraizada na cabeça das pessoas, está tudo dito.

      Se há problemas físicos, isso não sei, o que sei é que se a equipa conseguir construir, Jonas vai criar e finalizar.

      Agora, com a baixa de qualidade na defesa do Benfica, nota-se claramente o pouco dedo do RV em tudo o que é colectivo no Benfica.

      Pode ser que com algumas vitórias seguidas a confiança volte, é sempre mais fácil construir algo sobre vitórias.

      Um abraço,

      • A equipa não tem jogadores para compensar o pouco que Jonas dá em momento defensivo essa é a minha opinião, há 2 época até dava para ter Jonas e Mitroglou sem ajudar muito defensivamente pois a equipa defendia muito bem pois tinha jogadores para isso, mas com a saída de Gaitan, Renato e a mudança de Pizzi para o corredor central a equipa começou a defender pior pois nunca tem superioridade no meio campo, é lenta na reação à perda da bola e por isso não consegue ter o controlo da jogo. Isto já vém da época passada não de agora, só que agravou-se com saída de jogadores essenciais à equipa e criou ainda mais problemas.
        Eu sou fã do Jonas tem uma classe brutal mas se para jogar com ele temos de andar a forçar este 4-4-2 mais vale mudar agora. Em Janeiro que vão ao mercado e arranjem soluções se querem o Jonas no onze.
        E esta já era a minha opinião o ano passado quando o Guedes se foi embora, não obtive esta opinião porque os resultados não estão a aparecer.

  3. Estará na altura de chamar o Vitor Pereira ao lugar que ele quer? Acham que, ainda que com pouca matéria prima de qualidade, conseguiria reforçar a qualidade de jogo apresentada?

    • O Vítor Pereira apresentou resultados numa equipa com Danilo, Alex Sandro, Otamendi, Mangala, Fernando, Moutinho, Lucho, James, Hulk, Jackson…
      Será que faria o mesmo com o que ia encontrar no Benfica?

      • O vitor pereira, reconhecendo-lhe qualidade têm um feitio que o ambiente na luz não suportaria, além de ser portista assumido e odiar o benfica. Certo é que o R.vitoria nunca foi treinador para o benfica apesar de ter qualidade. Vejo-o como um homem forte no futebol, coordenador. Não consegue ter um futebol atrativo, dinamico e de pressão/posse. é estilo italiano puro dos meados dos anos 2000. Contudo penso que não seja a altura para o mandar embora. Quissá no final da epoca.

        • Da maneira como para as bandas da Luz se contratam associados de outros clubes, VP tem via-verde para o banco, mas os objectivos de vida dele não sei se neste momento passam por aí.

  4. é certo que o treinador é o menos culpado… mas digam-me lá, alguma vez o Jesus papava isto?! Anos e anos a desinvestir… e meterem-lhe uma equipa de merda nas mãos? tá bem tá… Rui Vitória tinha de ter sido mais forte! Eu percebo que com esta merda de plantel não dê para voltar a ganhar… mas ele não podia ter aceite isto sem estrabuchar!

  5. Viva Rodrigo,

    Neste caso estamos em desacordo.

    Porque a tal culpa “que vai ser sempre do mesmo” aqui até está bastante certa.

    É verdade que a saída dos titulares não foi devidamente colmatada, mas caramba, não são nenhuns pernas de pau que ali estão.

    O que se nota aqui é, para além de uma enorme falta de confiança, a inexistência de movimentos colectivos devidamente trabalhados.

    E isso é o trabalho do RV.

    Enfim é depois é aquela coisa de enviar avançados à doida, parece que estamos nos anos 80…

    Portanto, neste caso, para além das decisões directivas, há muita culpa do RV.

    Um abraço,

  6. O problema no processo defensivo está na ausência de Fejsa. Assusta me o RV achar que o Augusto fez um bom jogo porque recuperou mais bolas, correu mais e fez mais passes para a frente… Assusta me ver o F Augusto a pressionar na área adversária e deixar o meio campo só com o Pizzi. Assusta me o Almeida não dar profundidade no ataque e podermos só atacar pelo lado esquerdo. Assusta me ter um GR que da zero confiança a equipa, que tem medo de sair aos cruzamentos e não sabe o que é um libero. Para quem quer jogar com a linha defensiva subida é assustador. Assusta me o discurso do RV que pensa que é apenas uma fase que vai passar sem medidas drásticas…

    • A mim assusta-me voltar a ver jogadores com qualidade em carregar a bola, como Ziv, a cruzarem quando têm via aberta para a área. Ou jogadores a cruzarem dois passos para lá da linha de meio-campo. Ou ninguém a querer a bola.

      Eu sei que #sefossefacil e tal, mas o que se tem visto nos últimos 4/5 jogos é o regresso dos primeiros 6 meses de RV no Benfica. E os problemas, mais do que a falta de qualidade na defesa, que mesmo assim tem mais qualidade do que os ataques de Portimonense e Boavista, o que me assusta é a falta de ideias do ataque.

  7. O problema individual do benfica e já tantas vezes dissecado é a falta de qualidade no sector recuado que não conseguem ter posse de bola nem criar desiquilibrios em transações e profundidade. Em termos coletivos este ano (para agravar) têm-se exposto em demasia este problema, atraves do meio campo deficitário, pela falta dos extremos em segurarem bola e desiquilibrarem e tambem pela falta dos golos que tudo mudam. Se na defesa não vale a pena falar mais (apenas que acho que o lisandro é vitima do luisão/eliseu/trinco atraves da sua vontade), no meio campo o problema têm sido diverso. No jogo de ontem viu-se muitas vezes o pizzi lado a lado com o f.augusto. Se os extremos não desiquilibram no um-para-um e encostam para dentro o que se vê è oportunidades para o adversario retirar a bola ao benfica e uma confusão enorme. O benfica precisa de um trinco posicional que “varra” a primeira posse de bola adversaria e que consiga fazer um passe de rutura. Precisa de um oito que “pape” linhas, temporize o jogo e crie tabelinhas entre linhas pondo os atacantes na cara do guarda-redes. Estas duas funções que nos ultimos anos têm funcionado bem, atualmente estão muitos afastados das linhas atacantes e defensivas provocando um desnorte na alimentação do ataque e a tapar a defesa. A jogar com estes espaços todos não seria melhor outra tactica (losangulo?) Outra incognita individual é o RAFA (qual a posição para ele, pois avançado não é). Este gabriel não pode ser encostado à direita? Num losangulo penso que ajustaria o futebol à benfica à qualidade atual dos jogadores – Samaris/fedja; Pizzi/salvio; F.augusto/j.carvalho; Rafa/zivkovic e na frente Jonas/ (jimenez/ou este gabriel muito movel na frente). Lembro-me do 1ºano do JJ (ramires/di maria e javi/aimar. não tinham muitas pernas mas equilibravam com a proximidade e tecnica.

  8. O problema foi não haver coragem em 2014 para contratar o Paulo Fonseca porque “ah e tal falhou no Porto.” Tinha-se talvez perdido um campeonato mas ganhar-se-ia o futuro.
    Portanto foi-se buscar o tipo que “trabalha com a formação”, que é “honesto e benfiquista”. Mas agora que a qualidade individual é bem menor do que a dos rivais, que não há um Ederson a ganhar pontos e chouriços a entrar por pura sorte é que se vê a verdadeira qualidade do RV.

    E vamos ter que aguentar isto mais uns aninhos. O P. Fonseca vai partir para mais altos voos. E treinadores portugueses livres e que tenham dado provas de qualidade em alto nível apenas temos o Paulo Sousa e o V. Pereira: e mais cedo o Pessoa começa a debitar poesia outra vez que esses dois entram no Benfica (“ah e tal, Porto, Sporting, traidor, etc)”. Entretanto, futebol jogado: zero.

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