Descodificando Fejsa

Que o sérvio transporta o Benfica para outra dimensão, todos o percebem. Mas, como o faz?

Fejsa é na actualidade um dos jogadores mais impressionantes no contexto futebol Europeu no momento específico de transição defensiva. Pela sua capacidade de análise de cada lance transforma completamente o jogo encarnado, não só pela forma como percebe o espaço e contexto ideal para se posicionar, mas também com os timings que define para sair para roubar a bola, ou baixar e manter o equilíbrio defensivo, compensando posicionamento mais aberto dos laterais ou centrais, aquando da posse.

Com bola na construção e criação em zonas mais baixas, vai se mostrando para ser mais um elemento a participar ofensivamente. Quando a bola entra no último terço e se percebe que o Benfica investe por aquele caminho para chegar à finalização, muda o seu comportamento. A preocupação já não é servir para receber, até porque a decisão colectiva da equipa já não passa por o solicitar, mas sim assegurar transição defensiva. Benfica no último terço, e Fejsa identifica logo os pontos de saída da transição ofensiva adversária. Encosta e impede que sejam referências para receber. Duas possibilidades para o adversário:

  1. Força a entrada da bola no espaço de Fejsa, e aí não raras vezes o sérvio rouba a bola e o Benfica mantém-se com posse, em zonas mais altas e com situação vantajosa porque adversário em contra pé, por após a recuperação, a equipa começar a abrir e a subir metros;
  2. ou perante a presença de Fejsa a tapar caminhos para sair em ataque rápido, opção por despejar na frente, onde o avançado se encontra sempre em desvantagem perante os dois centrais encarnados, e… bola para o Benfica, mesmo que o sérvio não toque, não intercepte ou sequer roube a bola.

Sem ter dados que o comprovem, é bem provável que com Fejsa em campo o Benfica tenha mais bola. E tenha mais bola em espaços mais adiantados.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

10 Comentários

  1. PB, o RV não consegue fazer um vídeo semelhante e ensinar o Samaris e o Augusto? Eles são assim tão limitados que não consigam compreender o jogo desta forma?

  2. PB, se o tempo vo-lo permitisse, seria interessante fazer um vídeo a comparar o comportamento do Augusto, do Samaris e do Fejsa em situações de jogo semelhantes (quando não iguais). Talvez assim o RV perceba as diferenças (que perceberá, creio, apesar da decisão de não contratar um médio-defensivo decente, tendo em conta a frequência de lesões do Fejsa, me cause, por vezes, algumas dúvidas).

  3. Na minha perspectiva, este tipo de inteligência consegue-se treinar. Mas da minha experiencia de jogador de outras modalidades, parte muito do gosto que o jogador tem na função, da inteligência do jogador, rapidez de raciocínio em antecipar o que vai acontecer saber as capacidades físicas para arriscar encostar, antecipar e cortar ou baixar. São milésimos de segundo na decisão mas alguns segundos para ocupar uma óptima para estar no local certo para decidir. Isto leva muito tempo (anos?) até ser quase instintivo!!

    Quantos… Que após um pre-epoca, levam ensaboadelas e depois ficam perdidos, chegam tarde, indefinidos, etc.

    • Concordo, acho que a transição defensiva(especialmente no 6 e centrais que são quase sempre os jogadores atrás da linha da bola) com trabalho se pode aperfeiçoar e permitir à equipa equilíbrio sem que se perca a qualidade ofensiva.

  4. Mais:
    para alguns cortar um ataque e dar jogável colocando em desequilíbrio o adversário , limitar opções do ataque adversário é um orgasmo.
    Para outros é… tocar o baixo numa banda onde tocam os violinos parece que fazem solos

  5. Maldini, não é só o fejsa a transportar o benfica para outra dimensão quando joga… são também os vossos artigos que nos transportam. Excelente post !!!
    Abraço

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