A melhor transição ofensiva do mundo? O jogo sem controlo do Liverpool.

Não! De todo!

Para se perceber o entendimento do que é a transição ofensiva, recordo a proposta do Ricardo Ferreira, com o nosso entendimento do jogo:

“Três sub-momentos da transição ofensiva:

  1. Reacção ao ganho da bola: em oposição à reacção à perda da bola, surgem neste sub-momento os comportamentos e acções de quem recuperou a bola, e a procura de sair da primeira zona de pressão adversária. Seja ela realizada por um jogador ou por mais. Se possível, alcançá-la no sentido da baliza adversária, porém, em muitos momentos, esses espaços encontram-se fechados e portanto será necessário garantir outras soluções e uma boa decisão do jogador com bola. A eficácia na reação ao ganho da bola e na saída da zona de pressão influenciará os sub-momentos seguintes da transição ofensiva, que aqui, provavelmente, já não surgem numa lógica sequencial, mas sim como alternativas de decisão.
  2. Contra-ataque: se a equipa conseguiu sair com eficácia e rapidamente da zona de pressão, poderá encontrar espaço e / ou uma relação numérica com o adversário interessante para optar pelo contra-ataque. Nesse caso, é nosso entender que deverá explorá-lo na larga maioria das situações, procurando as suas vantagens, pois parece-nos mais difícil ultrapassar uma boa organização defensiva adversária. As excepções irão surgir por influência da dimensão estratégica. Neste caso, por exemplo, quando uma equipa se encontra com uma vantagem mínima no resultado ou numa eliminatória, está a poucos minutos do final do jogo, e não lhe interessa explorar uma situação de contra-ataque, que em caso de insucesso irá, provavelmente, lhe retirar na resposta do adversário alguns jogadores da sua organização defensiva, e mais importante, porque privilegiando a posse de bola, não só poderá descansará com bola, como retirará a possibilidade de atacar ao adversário.
  3. Valorização da posse de bola: se após a saída da zona de pressão a equipa não encontrar espaço e / ou uma relação numérica interessante para atacar a baliza adversária, deverá evitar a decisão de contra-atacar numa situação desvantajosa e possivelmente perder a bola. Ao invés, deve assim garantir a sua posse, ganhando tempo para se reorganizar para atacar, procurando esse momento seguinte do jogo para criar desequilíbrios na organização adversária.”

A equipa de Klopp poderá ser a mais interessante do futebol mundial quando sai em contra-ataque. Muito longe de ser competente em tudo o que envolve uma transição ofensiva. Sobretudo por falta de qualidade na tomada de decisão. Não há análise da situação. O Liverpool simplesmente vai! Vai sempre! Todas as recuperações são tidas como momentos para contra atacar.

Não é uma equipa competente no entendimento que deve ter da forma como passa de uns sub momentos para os outros. Em ataque posicional, quando a bola sai do guarda redes, por vezes até demonstra capacidade para parecer menos “sôfrega”, mas nunca em transição ofensiva. Ai, invariavelmente coloca as fichas todas, e nunca entra numa fase de valorização da posse de bola. Matar ou morrer, sempre! Sem controlo!

Se os adeptos querem emoção e tudo o que lhes podes dar é um jogo de xadrez, é provável que ou tu ou eles mudem de equipa…

O meu jogo é um de um louco Rock and Roll pesado!

Eu vi muitos jogos na minha vida e houve alguns que foram muito aborrecidos, até ao ponto em que eu adormeci. Foram tão aborrecidos que me pergunto por que eles os jogam e o fazem perante 60.000 e 80.000 pessoas.

… em um estilo agressivo, com alta intensidade e pressão, com transições de bola muito rápidas e verticais.

Jurgen Klopp

Opções totalmente relacionadas com a filosofia de jogo de Klopp, que ao mesmo tempo que diverte a audiência, também não aproxima totalmente da vitória o Liverpool, pelo facto de ser a equipa da cidade dos “Beatles”, uma equipa sem controlo sobre o jogo. Porque vai sempre, soma perdas e fica sem bola.

Porque vai sempre para a pressão, mesmo sem bola, parte a equipa em dois blocos diferentes, deixando demasiadas vezes os quatro mais recuados com muito espaço para intervir, com as dificuldades que tal acarreta para uma linha defensiva que por si só já tem demasiadas lacunas na forma como interpreta e aborda cada lance.

O estilo atractivo do jogo de Klopp tem demasiados momentos em que é marcado por uma enorme falta de inteligência colectiva que prejudica os resultados dos “reds”.

Klopp não tem sido até hoje um treinador de resultados, mas antes de espectáculo. Não que ambos não possam andar de braço dado, pelo contrário. Não é todavia o caso.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3043 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

9 Comentários

  1. O processo de jogo a mimetizar a personalidade do treinador?

    Klopp é maluco de todo, quando quero desligar o cérebro, em vez de reality TV, vejo um jogo do Liverpool.

    Um abraço,

  2. Cual es el error en el gol del Newcastle? Yo creo que los defensas deberían haber reculado hacia atrás, pero creo que su decisión de pararse no era del todo mala… espero que me podáis comentar qué os parece. Saludos!

    • sim Carlos! Os defesas deviam ter recuado… e não de costas… pq assim demoram muito mais a chegar ao passe para as costas

  3. Não esquecer que, mesmo com estes defeitos todos, o Liverpool na época passada foi a equipa que fez mais pontos nos jogos entre os seis primeiros do campeonato Inglês, não perdendo nenhum desses jogos.
    E que, até ficar sem Coutinho por lesão e posteriormente sem Mané por ida à CAN, o Liverpool andou sempre nos primeiros lugares, praticando um futebol espectacular.
    Não me lembro de ver nenhum autocarro estacionado à frente da baliza do Liverpool na época passada – pelo contrário, vi muitas vezes o autocarro estacionado à frente das balizas do Man.United e do Chelsea.

  4. Eu gosto, tirando as parvoíces que estão aqui demonstradas. É uma equipa sufocante a todos os níveis (até se sufocam a eles próprios), com muita coragem e a vontade de dominar a acabar com todos os adversários. Fantástico. Agora, há que ter um bocadinho de calma e de cabeça. Quase todos os lances tinham outras opções para aproveitar. Infelizmente não tenho conseguido ver os jogos deles.

  5. Análise muito boa. Mas é certo que a qualidade dos defesas não ajuda. Aliás, pela forma como os plantéis do Liverpool têm sido construídos vê-se que a tendência é precisamente esta. Jogadores com qualidade do meio-campo para a frente, adaptados para este estilo de jogo vertiginoso e atrás, jogadores que não são de nível “Champions League”.

    No Dortmund, estas ideias estavam lá mas disfarçava terem uma defesa com jogadores de classe mundial para resolver alguns dos problemas criados pelo modelo de jogo.

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