Ser Messi

Fui durante muitos anos professor de Educação Física e dei também durante um bom período de tempo aulas de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa. Os meus alunos preferidos raramente foram os rapazes com a melhor habilidade motora de todo o grupo, com maior capacidade para a actividade propriamente dita. Tende-se sempre a valorizar mais quem para além de executar com qualidade cumpre também com distinção outros critérios de avaliação como o esforço, a perseverança, a concentração, atitude e a capacidade de evolução. Na própria avaliação tal está contemplado. Pelo que é normal e justo que nem sempre a melhor nota seja atribuída ao aluno que é melhor do ponto de vista motor.

Posto isto, creio que se a atribuição da bola de ouro fosse da minha responsabilidade, talvez Cristiano mantivesse todas as bolas de ouro que tão justamente venceu. Na verdade, se Cristiano tivesse “existido” uma década antes, talvez lhe atribuísse as dez bolas de ouro.

Contudo, na última década, não se passou um único dia neste planeta sem que Messi tenha sido o melhor jogador do mundo. E nos tempos mais recentes, começa a tornar-se até fútil debater sobre se é o melhor de sempre. Porque o é, e com larga margem para os demais. É preciso é compreender o que faz no jogo! É um Maradona que não tem momentos. Está sempre em uma década de jogo, ao nível mais elevado possível.

É difícil ser Messi?

Para qualquer jogador do futebol mundial, seria impossível ser Messi. Porque o argentino enfrenta sucessivamente situações de jogo mais difíceis e de maior complexidade que todos os outros. Quando pisa o relvado, não há equipa que não prepare toda a sua estratégia, que não monte todo o seu jogo com o intuito muito especifico de o parar. E parar Messi, envolve anulá-lo em cada centímetro do campo. Não especificamente no seu meio campo, não no meio campo defensivo ou na área. Não no corredor lateral ou central. Em todo o lado! Se recebe uma bola, esteja onde estiver, é certo que nos próximos quatro, cinco segundos o jogo pode mudar totalmente!

Messi tem crescido a enfrentar aglomerações de jogadores que de forma conjunta o tentam impedir de criar. Onde recebe juntam-se três, quatro, cinco jogadores. Mesmo quem poderia estar mais longe do centro do jogo, aproxima. Toda a ajuda é precisa para que o argentino em drible não fure toda uma estrutura defensiva.

Cada vez que recebe, aumenta o estado de alerta em todo e qualquer adversário. Aumenta a concentração, a predisposição para a entre ajuda defensiva. Não há quem o tenha defrontado que não o reconheça. Que não entenda como manipula o jogo. Por vezes, basta ouvir a bancada sempre que a bola lhe chega ao pé, para perceber o que ai poderá vir.

Cada vez mais é mais difícil ser Messi. Tudo é preparado para o impedir de criar. Não há espaço para o argentino jogar. Curiosamente, é do estímulo crescente que o obriga a enfrentar situações de resolução cada vez mais complexa, que o “monstro” tem crescido! É assim precisamente que se evoluí. E se hoje Messi é o melhor de sempre, também aos adversários e à forma como todos se preparam para de forma conjunta tentar impedir a sua influência no jogo, tal se deve.

Mas, e quando os colegas do argentino conseguem que Messi receba somente contra três, quatro, cinco adversários? Quando os adversários não conseguem impedir que Messi receba com o espaço que seria por vezes o normal para qualquer outro executante?

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

9 Comentários

  1. Caro Paolo Maldini, deves ser um miudo…para cometeres a asneira de dizeres que o Messi é o melhor de todos tempos…cada jogador é intemporal…se analisares toda envolvência…recursos fisicos, tecnicos…e demais…impossivel afirmar uma barbaridade dessas! Cada jogador marcou sua geracao…alias se analisares selecao por selecao Diego Armando Maradona fez toda diferença…e na altura nao havia replay´s nem tecnologias de informação que focavam o pelo púbico de cada jogador! Sê objectivo na ilustração do teu trabalho…pareces ter o conhecimento empírico e científico do futebolzinho atual…mas não entres em analogias!
    Felicidades!

  2. Parabéns pelo post Pedro. Muito bem fundamentado o seu argumento. Aprendo (aprendemos, pois somos muitos) imenso. Obrigado.

    Quanto a certos comentários, como dizia um jogador famoso: “quando as gaivotas seguem o barco…(…)”

    um abraço!

  3. Caro Paolo Maldini

    Insisto, o que realmente interessa é o FUTEBOL PROFISSIONAL.

    Na selecção argentina, Messi marcou 3 golos contra o Equador, já contra o Atlético Madrid Messi falhou 3 golos além de não ter sido assinalado um penalty bastante evidente sobre ele (até parecia um jogador do FCPORTO).

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