Sabor agridoce vindo de Camp Nou

FUTEBOL - Jorge Jesus, Treinador do Sporting e Lionel Messi, durante o Barcelona X Sporting CP, a contar para a Fase de Grupos (D) da Liga dos Campeoes 2017/18, no Camp Nou, em Barcelona. Terca Feira, 05 de Dezembro de 2017. (ANDRE ALVES/ASF) BARCELONA X SPORTING CP - LIGA DOS CAMPEOES 2017/18

Da partida de Camp Nou fica um misto de sensações:

“Doce”:

  • Bem preparado tacticamente, enquanto Messi não entrou o Sporting foi quase sempre controlando. Bons timings para trocar controlo por pressing;
  • Boa imagem na Europa, pese embora a derrota;
  • Adaptabilidade táctica da equipa, que variava a sua organização defensiva entre um 5x3x2 e um 4x4x2, em função do posicionamento de Paco Alcácer. Posicionado entre Coates e Piccini, Ristovski baixava, aumentava linha defensiva e permitia a Piccini sair aos apoios frontais do avançado do Barcelona, mantendo a largura da última linha a quatro. Com posicionamento diferente àquele que um dia levou Jorge Jesus a catalogar Saviola como o avançado mais inteligente que treinou em termos posicionais, a organização defensiva mantinha o seu habitual sistema, esperando momento para o pressing;
  • Jogo muito bem conseguido nos momentos sem bola de Piccini. Defensivamente o melhor lateral direito em Portugal.
  • Competência colectiva evidente na movimentação conjunta.

 

Amargo“:

  • Ausência de profundidade ofensiva na primeira parte;
  • Sensação de que o jogo poderia ter sido diferente e que deveria ter sido aproveitada a ausência de Messi para com outras opções, mais do que deixar boa imagem, ferir a equipa catalã;
  • Mais uma vez, contra a toada geral de um jogo sem muitos lances de potencial perigoso, sofrer um golo de bola parada de uma equipa tremenda ofensivamente em tudo o que não é… bolas paradas, é duplamente penalizador;
  • Em 10 bolas como as que permitiu a defesa ao guarda redes do Barcelona, Bas Dost faz 9 golos. Seria o empate, ainda sem Messi em campo, e num momento em que já era uma equipa com maior profundidade ofensiva;

Nota final:

  • Incrível como Messi mesmo numa partida sem importância competitiva para o Barcelona, muda todo um jogo. Depois de entrar, é dos seus pés que saem quatro, cinco bolas que entram nas costas da última linha do Sporting para lances de perigo, como foi o do segundo golo. Parece impossível que um só jogador, tenha tamanha influência num jogo. Ter Messi é neste momento a diferença entre ser-se uma equipa banal, amarrada e com dificuldades para criar, para se ser uma das mais perigosas do futebol mundial. Somente porque o astro argentino toca na bola e a magia acontece.
Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3047 artigos

Criador do “Lateral Esquerdo”, tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto – Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino.

Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).

Autor do livro “Construir uma Equipa Campeã” da PrimeBooks.

Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

2 Comentários

  1. Destaco a exibição de Acuña principalmente na primeira parte.

    Incrível Messi. Sem tirar nem pôr. A precisão dos passes é algo de inacreditável, passes que se fossem para o pé ou para -50cm do espaço tornava a jogada muito menos perigosa. Passa para o colega receber na melhor posição possível e imaginável. Só na cabeça dele.

    Incrível. De nada vale bolas de ouro ou números. Valem nada. No fim, é isto que faz em campo…

    Que regalo.

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