Pressão alta – O valor da cobertura defensiva

Soccer Football - La Liga Santander - Real Madrid vs FC Barcelona - Santiago Bernabeu, Madrid, Spain - December 23, 2017 Real Madrid’s Cristiano Ronaldo helps Barcelona’s Lionel Messi get back to his feet REUTERS/Sergio Perez

É com alguma frequência que assistimos a ações de pressão feitas de forma individual. Muitos daqueles que pretendem pressionar em todo o campo, através de posicionamentos altos e agressivos, optam por utilizar a marcação individual como método defensivo. Fazem-no no meio campo ofensivo do adversário e, ao contrário do que possa parecer, são muitas as vezes em que alcançam o sucesso.

Todos sabem que valorizamos a proposta zonal. No entanto, entendo que existem momentos e situações onde esse método defensivo pode perder alguma eficácia. Falo sobretudo do valor da cobertura defensiva.

Fig.1) Exemplo de marcação individual no meio campo ofensivo;

A cobertura defensiva têm como função aumentar o número de jogadores entre a bola e baliza, de forma a dificultar a progressão nesse sentido. Exigimos cobertura a quem está na contenção para pudermos fechar uma possível linha de passe ao mesmo tempo que garantimos oposição no caso de o adversário conseguir driblar o nosso colega de equipa.

Quando os elementos da linha defensiva ou o guarda-redes têm bola, perto da sua baliza, existem algumas particularidades que podem ser importantes na definição do método defensivo a adotar. Sabemos que só existe fora de jogo a partir do meio campo. Existem 50 metros nas costas de quem pressiona e um segundo de liberdade pode fazer a diferença. É ainda relevante o facto de o guarda redes poder participar no processo ofensivo (aumenta a dificuldade para criar superioridade numérica!).

Percebendo isto, é hora de identificar o quão frequentes são as ações de drible realizadas por parte dos elementos da linha defensiva e se existe mobilidade nesse setor. Se quem está a realizar contenção nunca vai ser ultrapassado em drible e não existe mobilidade nos elementos mais recuados, a cobertura defensiva perde valor.

Nestes casos, optando por defender de forma zonal, é provável que o caminho para a baliza esteja melhor protegido. No entanto, é possível que as estações que permitem ao adversário chegar lá não estejam fechadas.

É por tudo isto que o condicionamento direto e individual de um opositor pode servir as pretensões de quem quer pressionar alto, longe da baliza que defende.

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 75 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

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