Aprendizagem de Bas Dost fora da grande área – Trabalho de Jorge Jesus

O treinador ensinou-me onde sou mais e menos forte, mostrando-me muitos vídeos. Mesmo dentro da equipa, confrontou-me muitas vezes. Tinha tendência para passar a bola de primeira, mas às vezes é melhor mantê-la…

Nem todos os treinadores sabem como tornar um jogador melhor… o Jorge Jesus confronta-me mesmo quando marco, porque quer que eu seja melhor…

Bas Dost

Foram inúmeras as vezes em que nos reportámos ao tipo de decisões do avançado holandês, que fora da grande área, tinha uma dificuldade imensa em jogar com o contexto e tomar boas decisões. Ao invés, tomava sempre a mesma decisão. O passe para trás de primeira. Hoje, numa entrevista na sua terra Natal, Bas Dost confirma o que tantas vezes foi por cá debatido, e como Jorge Jesus contribuiu para a sua melhoria.

O crescimento do Bas Dost… todos sentem isso, até ele. Vocês hoje vêm o Bas Dost quando sai para jogar a bola já não bate na parede. Bate num jogador com outra qualidade técnica, não era isso que ele tinha, nem sabia fazer esses movimentos… é um trabalho que temos vindo a fazer…”
Jorge Jesus

Na crónica no Jornal Record, que abordava as mudanças que paulatinamente o avançado vai experimentando (aqui) já o referia:

Hoje Bas Dost já se vai mostrando no espaço entre linhas nas zonas de criação. Já vai saindo de trás do defesa para se mostrar. E sobretudo porque deixou de sentir o desconforto com bola, não toma sempre a mesma decisão de tocar a um toque. Deverá ser muito complicado em mais de meia época encontrar lances em que o ponta de lança, recebe a bola e joga com o contexto, ou enquadra, ou temporiza. Fazia sempre tudo a um toque e para devolver para trás. A bola que batia na parede, termo a que Jorge Jesus se referia não somente como dificuldades técnicas. Porque o gesto técnico nunca se dissocia da decisão.

Em Braga, Bas Dost mostrou por mais de uma ocasião que mesmo não sendo um prodígio fora do seu espaço natural, pode conseguir ligar o jogo, porque mudou perfil de decisões. Sobretudo por isso, porque na verdade, os ganhos puramente técnicos em fase tão adiantada da carreira são sempre mínimos, e Jorge Jesus melhor que qualquer outro sabe-o.

 

Também aqui se referenciava como o holandês estava a mudar o seu perfil de decisões, procurando jogar com o envolvimento, em vez das decisões tomadas três segundos antes de a bola se lhe dirigir.

A bola que já não bate na parede, afirmou Jorge Jesus no final da partida. A curiosidade de em duas / três acções em que decidindo diferente do habitual durante grande parte da época (passe de primeira sempre na direcção de onde a bola vem), também num grupo privado enquanto se debatia o jogo alguém ter soltado um “olha, não trouxe as raquetes a Braga”. Jorge Jesus confirmaria a mesma ideia no final do jogo de Braga.

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3380 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

4 Comentários

  1. É por demais evidente o impacto que o Jorge Jesus tem nos seus atletas. Incrível!

    Bas Dost é hoje melhor jogador, já não é ” parede”.

    Mais uma vez, como diria o Mister Abel, “Há bons blogs de futebol”, isto é serviço público, pena nenhuma televisão não dar tempo de antena a quem sabe!

  2. Boa noite,

    Bas Dost não é propriamente um mau jogador, que tinha duas talochas e agora é “Zidane”. Tanto na Holanda como Alemanha…basta ver alguns dos jogos.

    “Bato” um bocado na questão JJ e respectivo endeusamento, eu sei, mas não me surge mais nada. Grande treinador, como outros!

    Isso de potenciar jogadores … qual o que não potencia uns e que potencia outros ? Agora existe o potenciar de jogadores já com alguns créditos … e em outros e bem mais dificil: Carlos Mané, Tanaka, Tobias Figueiredo … e aproveitamento de Iuri, Paulo Oliveira, do próprio Podence…

    Acreditem que no lugar do Ruben Dias estaria um Mathieu ou algo do género …

    Em termos coletivos, este Sporting também continua a deixar muito a desejar!

    Não entendam isto como critica ao vosso blogue e sobretudo à forma de verem o jogo.

    Cpts

  3. Não concordo nada com isto, o Dost continua a ser um zero fora da área e não há treinador nenhum que consiga resolver as dificuldades. Muito menos o JJ que mete cinco ou seis conceitos na cabeça e lá vai ele, seja contra o muro ou contra a glória. Olha, boa sorte Podence!

    • eu não pretendi dizer que ele de repente ficou bom fora da área! Mas, tenta pelo menos ver um pouco mais e decidir com mais variáveis… isso parece-me inegável…

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