Enganado – Uma vez mais

O Liverpool de Klopp é famoso pelos bons espectáculos que proporciona, e pelos muitos golos que soma. É, por exemplo, a segunda equipa da Premier com mais golos marcados.

Sobre a filosofia dos reds, já me referi imensas vezes:

A equipa de Klopp poderá ser a mais interessante do futebol mundial quando sai em contra-ataque. Muito longe de ser competente em tudo o que envolve uma transição ofensiva. Sobretudo por falta de qualidade na tomada de decisão. Não há análise da situação. O Liverpool simplesmente vai! Vai sempre! Todas as recuperações são tidas como momentos para contra atacar.

Não é uma equipa competente no entendimento que deve ter da forma como passa de uns sub momentos para os outros. Em ataque posicional, quando a bola sai do guarda redes, por vezes até demonstra capacidade para parecer menos “sôfrega”, mas nunca em transição ofensiva. Ai, invariavelmente coloca as fichas todas, e nunca entra numa fase de valorização da posse de bola. Matar ou morrer, sempre! Sem controlo!

No seu espaço pessoal, um treinador português habituado às equipas técnicas da Primeira Liga referia, pós vitória do Swansea:

Mais uma demonstração de capacidade dos treinadores portugueses. Estrategicamente muito fortes

Tiago Oliveira

Sobre o estilo, embora atractivo, mas pouco inteligente e sem controlo de Jurgen Klopp, e o lado estratégico do treinador português, ficam alguns dados.

Nas últimas duas temporadas, Klopp defrontou por 6 vezes treinadores portugueses. Nos seis jogos, em quatro a sua máquina demolidora de ataque não marcou! Nos seis jogos disputados, não somou qualquer vitória, com a particularidade de ter perdido para o Swansea e para o Hull. Quer a Swansea quer ao Hull, na primeira volta, antes da chegada dos treinadores portugueses havia vencido por cinco! Soma quatro pontos em seis jogos, e um score de 4 – 7. Três desses jogos foram contra Swansea, Hull e Watford. É apenas sorte?

E sim, continuará a ser favorito quando defrontar de novo as equipas de muito menor dimensão, e de muito menor recursos individuais. Porém, em Portugal não nasceu somente a metodologia de treino mais debatida no mundo do futebol. Também a forma de analisar o jogo e preparar a estratégia para anular pontos fortes e realçar pontos fracos do adversário, são trunfos muito importantes da escola do treinador português. Tal como a metodologia chegou mais longe, também a forma como os portugueses olham para o jogo hoje, marcará o desenvolvimento da preparação dos jogos pelos melhores treinadores do mundo.

Para já, tem a palavra Sérgio Conceição.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3767 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. O FC Porto pode, na teoria, ter hipóteses muito boas de passar, ou pelo menos de dar uma boa réplica. A Champions, no entanto, é uma competição cuja experiência conta muito e o Liverpool tem um treinador e jogadores com essa virtude. Estão acostumados a jogos decisivos. Na hora da verdade, podem muito bem ‘matar’ a eliminatória, se o Porto não estiver 100% concentrado.

    Sucintamente, a estratégia, na Champions, pode não ter tanto impacto. Veremos.

  2. Será na transição ofensiva um JJ dos tempos do Benfica?
    Será esse o grande elogio ao JJ (especialmente no Benfica); capacidade fazer coexistir boa organização e transição defensivas com poucos elementos, procurando sempre ter muitos à frente da linha da bola para a transição e vertigem?
    Será sempre este tipo de abordagem mais viável, recorrentemente, contra as equipas mais fracas?
    Será o Conceição um treinador capaz de fazer o mesmo que o JJ mas sabendo implementar um sistema adaptativo para defrontar tanto equipas mais fracas como mais fortes?

  3. Essas estatísticas são impressionantes, sobretudo se entendermos que não são um acaso e as palavras de Carvalhal no final do jogo facilmente nos demonstram isso.
    Creio que o Porto tem boas hipóteses de passar. A saída de Coutinho e esta análise ainda mais confirmam essa esperança. A única coisa que verdadeiramente temo são aqueles momentos eufóricos em Anfield onde em 10 minutos podem marcar 3 golos e sentenciar a coisa…

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