Mathieu resolve!

Foram muitas as dificuldades do Sporting em levar de vencido o Vitória de Pedro Martins. Jorge Jesus promoveu algumas alterações no onze e em algumas dinâmicas, fruto dessas mesmas alterações no onze e a equipa mesmo sendo controladora e dominadora, encontrou algumas dificuldades para criar situações de finalização propriamente ditas.

Curiosamente e tendo em conta os jogos anteriores, até achei interessantes as ligações da construção com a criação por parte da equipa leonina, o problema foram as entradas no espaço para potenciar situações de finalização propriamente ditas. Pelo menos no que à primeira parte diz respeito. Destaque para o posicionamento de Bruno Fernandes como interior direito, um pouco à imagem da adaptação bem sucedida de João Mário na primeira época de Jesus em Alvalade. Bruno, actuando mais pela meia direita, nunca foi um ala propriamente dito, antes sim um terceiro médio, participando em todas as fases do jogo quase sempre dentro, deixando a largura para Ristovski, sempre muito disponível a aparecer detrás para a frente.

Foram interessantes as ligações no corredor direito entre Bruno Fernandes, Rúben Ribeiro e Ristovski, os dois primeiros sempre dentro e o lateral macedónio responsável por oferecer largura e profundidade ao processo ofensivo leonino, também com a ajuda de William em cobertura. No entanto, à qualidade do toque mesmo em zonas de criação, faltava assertividade e melhores execuções nas decisões, o que dificultava a entrada no espaço. No corredor esquerdo, Fábio Coentrão e Acuna procuravam combinar e tentar criar situações de 2×1 no corredor.

Destaque para a entrada no onze inicial de Battaglia que se estabeleceu como o médio mais recuado, responsável por dar maior segurança e intensidade à transição defensiva e aos reajustamentos defensivos em situações de ataque rápido que o Vitória pouco potenciou ainda assim, libertando William Carvalho para maior amplitude de movimentos e de cobertura aos jogadores mais ofensivos do Sporting, algo já visto principalmente na segunda parte da final da Taça da Liga. Battaglia, é um jogador com limitações no que ao processo ofensivo diz respeito, sobretudo pelo critério das suas acções, mas defensivamente equilibra a equipa como nenhum outro médio leonino o faz e possivelmente por esta razão, é que é visto como imprescindível para Jorge Jesus. O Sporting não é uma equipa tão criativa e capaz ofensivamente no corredor central com o argentino em campo, mas defensivamente ganha equilíbrio e o “andamento” que Jorge Jesus tão preconiza no centro do terreno.

A segunda parte trouxe uma nova versão atacante ao jogar do Sporting. A lesão de Bas Dost e a saída de Ruben Ribeiro, promoveu a estreia da dupla Doumbia e Montero na frente de ataque. Aqui e ao contrário do que acontece quando Bas Dost está em campo, as dinâmicas alteraram um pouco até pelas características dos jogadores em questão. Doumbia é um avançado mais móvel e com maior capacidade de atacar a profundidade e potenciar movimentos de ruptura, quer em organização quer em transição, algo que pouco acontece quando Bas Dost está em campo, devido às características específicas do holandês. Apesar da segunda parte ter sido um constante potenciar de cruzamentos a partir dos corredores laterais e de um jogo menos pensado, quer Doumbia quer Montero, apesar deste último ainda estar longe do nível esperado, ofereceram uma dinâmica diferente e interessante de se poder seguir na possível ausência de Dost.

Assim, foi nos momentos finais que o Sporting resolveu o jogo com um golo daquele que tem sido um dos destaques da época leonina: Jéremy Mathieu. Quer defensivamente, quer ofensivamente uma mais valia na equipa do Sporting e deste campeonato pela qualidade em todas as intervenções e uma peça fundamental nesta equipa de Jorge Jesus.

José Carlos Monteiro
Sobre José Carlos Monteiro 47 artigos
Treinador de Futebol, Uefa B, com percurso e experiência em campeonatos nacionais nos escalões de formação. Colaborador como observador e analista em equipas técnicas na Primeira Liga. Alia a paixão pelo treino e pelo jogo à analise de jogo.

1 Comentário

  1. Mathieu é de qualidade superlativa e no campeonato português isso fica ainda mais evidente. De acrescentar que, para a idade que tem, ainda está numa invejável forma física, provavelmente o central mais rápido do campeonato.

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