Frenético – Modelo e Estratégia – Sorte e Azar.

Costuma dizer-se que as equipas jogam o que os seus adversários permitem.

A ideia de jogo da equipa do Rio Ave na presente temporada é uma lufada de ar fresco na realidade do campeonato nacional. Enquanto adepto, a garantia de bons jogos do ponto de vista da emoção, isto é jogos com espaço para correr, ataques partidos e situações de golo, parece evidente.

“Depois da partida da Taça da Liga no Dragão, o Pedro Bouças escreveu:

Ser-se negligente no Futebol é estúpido, por muitos elogios que possam advir de uma postura aberta e corajosa

O modelo não pode ser tão fechado que não contemple comportamentos diferentes em função de diferentes estratégias. A menos que o propósito não seja vencer. Quando a única função é entreter, não haverá problema qualquer. Quando se fala do trabalho dos treinadores que estão a um nível médio alto, tudo tem de ser em função do aproximar a equipa da vitória.

Identidade não é jogar sempre com os nossos argumentos expostos. Nenhum grande general faria isso… Estratégia é utilizar o que temos de melhor…

Francisco Silveira Ramos

Na preparação de um jogo, e muito mais se do outro lado estiver uma força de nível bastante superior, o sucesso depende sempre da percepção dos comportamentos e características do opositor, para que se lhe consiga fazer frente.”

Se o Benfica pareceu em vários momentos uma equipa inspirada e capaz de criar sucessivamente lances de golo, sendo apenas uma questão de tempo até começar a avolumar o resultado até à goleada, tal deveu-se sobretudo à estratégia do Rio Ave, que mais uma vez entregou completamente o resultado.

Não é portanto surpresa alguma que o Rio Ave esteja mais longe do Sporting de Braga, do que a equipa de Abel da liderança, mesmo numa época em que os dois da frente seguem invictos.

O modelo de Miguel Cardoso é um dos que mais vale a pena seguir. O jogo nos dias de hoje, em que a informação corre de forma supersónica, é que é quase tanto de modelo como de estratégia.

Num grupo privado, ainda durante o intervalo e com o Rio Ave em vantagem, parecia unânime que o rumo do jogo acabaria por dar uma goleada para os encarnados. E as opiniões não eram proferidas por falta de qualidade na equipa de Vila do Conde…

Ainda mais em equipas de menor dimensão, a era é cada vez mais a da estratégia, depois do modelo ter feito furor na última década. Quem não o entende vai falar mais vezes em sorte e em azar

Sobre Rodrigo Castro 218 artigos
Rodrigo Castro, um dos fundadores do Lateral Esquerdo. Licenciado em Ed física e desporto, com especialização em treino de desportos colectivos, pôs graduação em reabilitação cardíaca e em marketing do desporto, em Portugal com percurso ligado ao ensino básico e secundario, treino de futsal, futebol e basquetebol, experiência como director técnico de uma Academia. Desde 2013 em Londres onde desempenhou as funções de personal trainer ligado à reabilitação e rendimento de atletas. Treinador UEFA A.

5 Comentários

  1. A própria equipa do Benfica sentiu isso… como a estratégia não mudou na segunda parte aconteceu o previsível. Ainda por cima Rafa entra num jogo que mais lhe proporciona. Há um ano falou se aqui que Zikovich podia dar se bem como criativo no meio campo do Benfica. Hoje deu se bem e é uma aposta a Krovinovich.
    Ps: André Almeida tomou algumas más decisões mas é incrível que a rotina de jogo deu lhe uma melhor relação com a bola.

  2. Foi esse mesmo modelo que parou o Benfica nos dois jogos anteriores ( empate e derrota no prolongamento). Gosto de treinadores que morrem pelas suas próprias ideias.

  3. O que é mais importante para o Rio Ave neste momento? Acabar em quarto ou valorizar os jogadores do plantel?
    Desde a pré época vaticinei o 5° lugar aos de Vila do Conde (talvez com mais pontos do que os atuais). Mas mais que isso, a venda de jogadores no fim da época por valores interessantes para um clube da dimensão do Rio Ave.
    A ver vamos, mas claramente que com um orçamento superior, se consegue grande vantagem competitiva na nossa liga. E logo depois dos grandes, temos Braga e Rio Ave. Em termos financeiros reflete a nossa realidade desportiva.

  4. O 5-1 mascarou debilidades do Benfica de organização e na capacidade de controlo efetivo, por muito que o modelo do Rio Ave promova isso mesmo?
    O jogo foi demasiado caótico?

  5. Penso que este jogo se decidiu pelas bolas paradas. Foi pelo canto de o benfica marcou e o jogo mudou.. Até lá o benfica estava completamente atado na teia do rio ave. Onde acho que o r.ave perdeu foi apenas em saber controlar e gerir o jogo abdicando de tentar marcar ou esperando um erro monumental do benfica para o fazer. O benfica continua muito mediano (onde a falta do krovinovic não explica tudo) e que caiu no quadrado defensivo do rio ave e não conseguiu de lá sair mudando rapidamente de flanco e explorando as zonas abertas. (podem por um video da 1ª parte onde qualquer bola pelo meio estavando 7/8 jogadores em cima não existindo qq linha de passe). O golo do jardel mudou a ideia e o pensamento do rio ave levando o benfica mediano ao que mais gosta. Um adversario a querer controlar a bola e a dar espaço na costas para poder fazer o contra-ataque e golear. Continuo a achar que o benfica têm bons jogadores mas um treinador mediano onde não existe um modelo dinamico adapatado às circunstancia do jogo que permita tirar partido e potenciar a qualidade dos jogadores do benfica, uma tactica de controlo ofensivo (excepto o belenenses, os ultimos jogos foram anormais neste benfica). O benfica faz muitos passes mas quase todos em “mei-inho” e para o lado e para traz faltando verticalidade e velocidade na zona frontal. Espero que o Rafa agarre o lugar pois faz falta velocidade no lado direito. O problema do rafa é a pressão na hora de marcar onde falha golos inacreditaveis.

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