Invadir o bloco adversário. Explorar o corredor central. O exemplo do Arsenal.

Ponto prévio e pessoal: sempre fui um grande admirador da proposta de jogo ofensiva de Ársene Wenger no Arsenal. Se defensivamente, reconheço que o Arsenal não tem a melhor das organizações e que isso afasta os gunners de poderem ser uns reais candidatos a vencer títulos, ofensivamente, acredito que serão poucos aqueles que possam dizer que as ideias do treinador francês para o seu processo ofensivo não são aprazíveis. Para mim são e muito. Mas isto vai sempre do gosto pessoal de cada um.

O vídeo que vos trago é do quarto golo do Arsenal no passado sábado frente ao Everton, por sinal aos 36 minutos da primeira parte! Também sei que o golo é precedido de fora de jogo, mas aquilo que me importa realçar são os caminhos que o Arsenal percorreu até chegar ao golo, fazendo uso de uma das suas mais valias em ataque posicional: a exploração do corredor central. É certo que beneficia de alguma passividade e falta de agressividade quer no posicionamento, quer nos encurtamentos ao portador por parte do Everton, mas as intenções estão lá todas.

De um corredor ao outro em posse até chegar a Iwobi que parte do corredor lateral para o corredor central em condução com a linha média do Everton pela frente. Em zonas de criação já se encontram Ozil e Mkhitaryan prontos para receber e orientar para ficar de frente para a última linha do Everton. O movimento de ataque à profundidade de Aubameyang, ajuda a desarticular ainda mais a linha defensiva e a linha média do Everton provocando dúvida, mas a bola não entra na profundidade e com um passe, Iwobi ultrapassa toda a linha média do Everton. Depois é Mkhitaryan a receber, enquadrar e a definir com toda a assertividade de frente para a última linha do Everton, com o habitual movimento de ruptura de Aubameyang a fazer o resto (tantos golos fez assim no Dortmund).

 

José Carlos Monteiro
Sobre José Carlos Monteiro 47 artigos
Treinador de Futebol, Uefa B, com percurso e experiência em campeonatos nacionais nos escalões de formação. Colaborador como observador e analista em equipas técnicas na Primeira Liga. Alia a paixão pelo treino e pelo jogo à analise de jogo.

2 Comentários

  1. Melhor equipa do mundo a fazê-lo pelo corredor central…

    Grande treinador, Wenger! Quando o futebol é mais negócio que espetaculo, não se dá o devido valor.

  2. José penso que um dos grandes problemas defensivos do Arsenal de Wenger prende-se pela falta de um pivot defensivo, alguem que seja muito forte na construção e no apoio ofensivo mas também tenha a inteligência para ocupar bem os espaços defensivos sem bola dobrando os laterais e por vezes os defesas centrais.

    O que se vê muito nas equipas do Wenger é esse espaço livre em frente aos centrais e nas costas dos médios que é constantemente atacado pelo adversário

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