A eficácia pelo suspeito do costume

FUTEBOL - Bas dost durante o jogo Chaves - Sporting relativo a 26 jornada da Primeira Liga. Estadio Municipal de Chaves. Segunda, 12 de Marco de 2018. ASF/HELENA VALENTE

Em Chaves, Bas Dost voltou a resolver mais um jogo muito complicado para o Sporting. O holandês apenas foi opção na segunda parte, mas foi decisivo a resolver um jogo em que o Desportivo de Chaves de Luís Castro, já muito elogiado por cá, foi um osso bem duro de roer para os leões.

Jorge Jesus apostou num onze muito descaracterizado daquele que é normalmente o onze base leonino face às muitas ausências, mas com jogadores que gostam de ter bola no sector intermédio e ofensivo, embora sem grande velocidade de deslocamento. Sem Piccini, Coentrão, Bruno Fernandes e Acuna, Jesus voltou a apostar em Battaglia para lateral direito (bom jogo), estreou Misic ao lado de William Carvalho e colocou Ruben Ribeiro na esquerda, com Bryan e Gélson em permutas posicionais ao lado de Montero. A verdade é que a primeira parte leonina esteve longe da fluídez e intensidade exigidas. A uma circulação de bola lenta e previsível em zonas de construção, o Sporting teve muitas dificuldades em criar e em entrar no último terço flaviense, quer por dentro, quer por fora e quando o fazia, as decisões para a criação de situações de finalização, não eram as melhores.

Misic e William Carvalho jogaram de forma praticamente paralela enquanto esta dupla se manteve em campo. Com características muito idênticas, salvo as devidas diferenças de valor entre ambos os jogadores, e nenhum com chegada perto da área como o treinador do Sporting tanto gosta num dos seus médios, o Sporting sentiu dificuldades em ligar o seu jogo. Misic então, independentemente da relação com bola ser aceitável, pareceu um corpo estranho (reter as declarações de Jorge Jesus sobre o não treinar e só recuperar) e teve dificuldades em perceber que decisões tomar na segunda fase de construção.

Na frente de ataque, dificuldades para Montero aparecer no jogo, pelas dificuldades de criação leoninas, à esquerda Ruben Ribeiro ia aparecendo em todos os lances de perigo leoninos (exibição em crescendo, com destaque para o trabalho individual no primeiro golo de Bas Dost) enquanto Bryan Ruiz e Gélson iam permutando no corredor direito e corredor central, sem com isso criar qualquer problema a um competentíssimo Chaves, que foi fiel à sua identidade, abrindo a equipa para jogar, a tentar viajar juntos em ataque posicional até ao meio campo defensivo leonino e muito capaz nas saídas em transição para ataque rápido ou contra ataque, nem sempre definindo bem na última decisão, mas por outro lado, percebendo sempre muito bem os momentos de travar e ficar com bola, quando o Sporting se organizava defensivamente. Continuaremos a seguir com prazer, a viagem e o bom futebol de Luís Castro por Chaves.

A entrada de Bas Dost e a passagem de Bryan Ruiz para o corredor central ao lado de William, melhorou o jogar do Sporting na segunda parte. Bryan, um jogador multifacetado pela capacidade que tem em desempenhar várias funções e também fruto da inteligência que possuí, começou a ligar melhor a equipa juntamente com William e o primeiro golo de Bas Dost, libertou o Sporting para minutos seguintes de maior qualidade, sem antes não ter sofrido alguns sustos, pela forma como o Chaves atacava o último terço leonino, em situações promovidas à largura ou em ataques à profundidade. O segundo golo praticamente terminou com o jogo, num lance de crença e pressão por parte de Battaglia, para além de alguma infelicidade de Platiny, que depois teve a sua oportunidade de se redimir, ao reduzir o score para a diferença mínima.

José Carlos Monteiro
Sobre José Carlos Monteiro 47 artigos
Treinador de Futebol, Uefa B, com percurso e experiência em campeonatos nacionais nos escalões de formação. Colaborador como observador e analista em equipas técnicas na Primeira Liga. Alia a paixão pelo treino e pelo jogo à analise de jogo.

2 Comentários

  1. Ter o Bryan como opção, para qualquer posição do ataque, desde o início da época poderia ter tido uma influência decisiva no desenrolar da mesma.

    Quem achou que o Alan era melhor que o Bryan que se chegue à frente para explicar o que viu aqui para encostar um e apostar no outro.

  2. Na tua opinião, que vantagem tira Bas Dost do VAR, para marcar os seus golos em offside, por comparação com Montero, que também os marcava em off, mas não tinha VAR?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*