O duelo na Pedreira – Abordagem ao jogo e estratégias

Possivelmente alicerçado naquilo que foi o ambiente externo na semana do jogo, não foi, na minha opinião pessoal, um jogo tecnicamente muito rico de se ver, antes um jogo mais emotivo, mas rico sim, no perceber da estratégia e ideias dos treinadores para o jogo. Aí sim, foi um bom jogo.

O jogo começou com uma toada muito forte por parte do Sporting. Foram cerca de 35 minutos de domínio e controlo do jogo por parte dos comandados de Jorge Jesus, domínio esse consentido pelo Braga e pela estratégia imposta por Abel. O Braga deu a iniciativa e o controlo de jogo ao Sporting, não pressionando a sua primeira fase de construção, antes esperando e controlando possíveis entradas da bola em zonas intermédias para recuperar e acelerar nas saídas para ataque rápido ou contra ataque, sempre com Wilson e Paulinho como referências verticais (o primeiro sempre a explorar o espaço pela subida do lateral) e Ricardo Horta e Esgaio à largura.

O Sporting pelo contrário, apresentou-se pressionante, tentando sempre condicionar a primeira fase de construção do Braga, subindo a sua linha de pressão, muitas vezes com marcações individuais no meio campo ofensivo, o que obrigou os bracarenses a outro tipo de jogo. Tentou fazê-lo durante quase toda a partida, mas efectivamente só o conseguiu durante a primeira parte, onde conseguiu ser mais agressivo e mais rápido. Na segunda parte, com a subida de produção do Braga, foi obrigado algumas vezes a recuar, não sendo tão efectivo nem consistente nessa pressão.

Ofensivamente, nestes cerca de 35 minutos, foi uma equipa com capacidade para construir e criar, chegando ao último terço, quase sempre entrando por dentro para atrair e ir por fora, onde aí os seus jogadores demonstraram maiores dificuldades em decidir alguns lances da melhor forma. Jesus colocou Bryan Ruiz em zonas de segunda fase de construção para ter qualidade na saída pela segunda fase e a verdade é que foi praticamente através do costa riquenho que o Sporting conseguiu ligar o seu jogo, ora colocando entre linhas em Bruno Fernandes para este depois definir, ora provocando desequilíbrios vindos detrás para a frente. Aliás, o corredor central do Sporting por esta fase mostrava-se muito forte com as zonas de construção e criação bem definidas com quatro jogadores: Battaglia, Bryan Ruiz, Bruno Fernandes e Gélson que partindo da direita para o corredor central criou muitos problemas e indefinição à organização defensiva bracarense.

 

 

Ao chegar ao término da primeira parte, o Braga equilibrou. E equilibrou, sobretudo porque tornou-se mais pressionante, mais agressivo, subiu a sua linha de pressão para uma zona mais alta e com isso tirou conforto que o Sporting estava a ter com bola e o jogo tornou-se mais equilibrado, não propriamente bonito, com demasiadas perdas, demasiados duelos, demasiada pressa a construir de parte a parte, um jogo menos pensado e muito mais emotivo, menos organizado em termos posicionais, menos pausado e mais partido, muito mais partido e com menor capacidade e inteligência para se tomar melhores decisões.

A partir desse momento, as ocasiões que se sucederam tanto numa baliza como noutra, foram fruto essencialmente de ataques rápidos e contra ataques, mal definidos pelas duas equipas. Foram várias as situações ora apenas com a linha defensiva para definir pela frente, ou mesmo quando a linha defensiva não estava organizada, nem com superioridade numérica as duas equipas conseguiram definir alguns lances em que poderiam e deveriam ter feito melhor. A expulsão de Piccini, enfraqueceu e de que maneira o Sporting e o Braga através de uma bola parada sentenciou um jogo, que teve várias partes distintas, mas que no fim foi o Braga quem soube ser mais inteligente e matreiro e levar os três pontos.

 

 

 

José Carlos Monteiro
Sobre José Carlos Monteiro 47 artigos
Treinador de Futebol, Uefa B, com percurso e experiência em campeonatos nacionais nos escalões de formação. Colaborador como observador e analista em equipas técnicas na Primeira Liga. Alia a paixão pelo treino e pelo jogo à analise de jogo.

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