Lições tácticas de Diego Simeone

Porque vence tanto o homem que deu vida ao Atletico?

Dizia o Pedro Bouças na conversa com André David, que podes vencer de várias maneiras, mas em qualquer uma delas terás de ser competente. A diferença é que uma valoriza mais o jogo e o jogador, e outra bastante menos.

A proposta de Simeone é menos atractiva, porque pretende vencer os jogos da forma mais “fácil”. Aposta ofensivamente quase todas as fichas no momento em que mais golos se marcam, isto é nos seis a dez segundos pós recuperação da bola, enquanto o adversário está mais estendido no campo, e porque mesmo com bola em ataque posicional a maior preocupação é não consentir espaço após a perda, tornando-se uma equipa que não investe quer em termos numéricos quer em termos de tomada de decisão na sua organização ofensiva.

Vence porque é de uma competência enorme naquilo que se propõe a fazer.

O trabalho defensivo é absolutamente notável, seja em termos posicionais, seja na forma como em conjunto entendem timings para se mover, seja fechando os espaços, encurtando-os, reagindo ao movimento uns dos outros, ou até no entendimento dos indicadores para trocarem o controlo das situações defensivas, pelo momento para roubar a bola.

Com três golos em Transição Ofensiva selou a conquista Europeia e tornou-se no treinador mais vitorioso da história do Atleti.

 

Há no Atletico qualidade individual para um jogo mais aprazível. Não entender, contudo, a competência da equipa de Simeone é simplesmente fechar os olhos ao que é na actualidade o lado táctico de um jogo futebol. Que é muito mais que o “meu” futebol, por muito que quem não percebe o jogo, não o entenda. E tão a leste estão os que pensam que o jogo se resolve na correria e no choque, quanto os que pensam que quem joga como o Atletico, vence somente por sorte e não por potenciar ao máximo a competência dentro da sua ideia.

 

4 Comentários

  1. Eh pá… Tudo muito bonito, mas acho que estamos a fugir um pouco ao que se tem visto defender por aqui. Não havendo nada de mentira o tom elogioso vai um pouco contra o futebol positivo que se defende aqui.

    Ao ler o texto fico sem perceber exactamente porque acha o mundo do futebol que Mourinho está a atravessar uma fase menos boa da carreira e Simeone é o maior. Afinal o ano passado tocou o brinde ao Mou, este fim de semana até pode somar outro título, e como o Simeone ficou a ver o título de campeão por binóculos. Já para não dizer que em termos de qualidade individual o Mou está mais nivelado com a concorrência.

    Eu lembro vagamente uns elogios ao JJ do Benfica porque defendia bem com poucos porque defender bem com muitos é fácil. O que eu vi foi um Atlético que teve sempre 9/10 jogadores de campo atrás da linha da bola. Ou dito de outra forma, uma equipa a querer jogar à bola outra a marcar…

    • aqui fala-se, e explica-se e ensina-se futebol! não o futebol que eu quero, que tu queres, ou que o zé da esquina querem… Mas, o futebol real! o verdadeiro lado táctico do jogo!

      dizer meia dúzia de disparates e pegar só nas modas para ter uns likes até um vegetal consegue fazer! Aqui fala-se de jogo com as pessoas do jogo, para as pessoas do jogo, e todos os que nos queiram acompanhar!
      Mas, sim… tens um bom ponto! já sobre o Mourinho, má fase não entendo porquê… porque ficou atrás do City que para além de muito melhores recursos, é brilhantemente orientado?! Voltou a dar vida ao Utd que tinha morrido nos últimos 5 anos!

      • Eu sei que este blog não será o mais indicado para a crítica literária, mas uma vez que eu não questiono o conteúdo do post (“Não havendo nada de mentira”) fica complicado perceber a necessidade de se afirmar que «aqui fala-se, e explica-se e ensina-se futebol», indo até um pouco mais longe com «o verdadeiro lado táctico do jogo».

        Eu compreendo que a vida é feita de mudança e evolução. Que o LE de hoje não é o LE de há 2, 4 ou 6 anos atrás, e é nesse contexto de mudança que se entende que aqui se fale de um futebol que é «não o futebol que eu quero, que tu queres, ou que o zé da esquina querem», até porque a visibilidade traz outras responsabilidades, nomeadamente a de ter de ser lido por uma audiência mais vasta.

        No entanto não foi esse o espírito que norteou o LE durante uma significativa quantidade de tempo. Não foi esse o espírito que chamou uma série de «pessoas do jogo, e todos os que [os] queiram acompanhar» e é essa mudança o cerne do meu comentário. Não é uma qualquer confusão entre jogar bonito e feio ou bem e mal, porque a minha memória vai atrás o suficiente no tempo para lembrar discussões nas caixas de comentários do, na altura, blog sobre o “estilo Simeone”.

        Sobre o Mourinho e a sua má fase, há uma insatisfação na massa adepta apesar de não ter havido uma só época à mingua. O porquê? É perguntar-lhes, porque se calhar não vêem os “muito melhores” recursos do rival, ou o brilhantismo (que depreendo se deve ler como superioridade?) da orientação do rival.

  2. Confundir “futebol feio” com jogar mal, ou com jogar bem, é tão estúpido quanto confundir “jogar bonito” com competência, ou falta dela, como fez (por exemplo) Fernando Santos após a imerecida vitória no Europeu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*