Um jogo horripilante – Mais de uma perda por cada minuto

Sessenta e sete perdas em noventa minutos. Na verdade, sessenta e sete perdas em cinquenta e nove minutos de jogo corrido.

Ninguém escapa ileso.

Sim, os centrais não sentem conforto com bola (esqueçam a ideia de que Rúben Dias traria essa competência. De Rúben sinto-me particularmente à vontade para falar, afinal, muito antes de ser sequer conhecido do grande público já o Lateral Esquerdo o referenciava como tendo potencial para chegar rapidamente ao sucesso. Mas porquê esquecer? Quem entende dinâmicas grupais perceberá. Não é um miúdo de vinte anos que vai contrariar a tendência de um sector. No video seguinte, confira a indicação de Pepe para Cédric… Nunca será um miúdo de vinte anos a seguir sozinho por um caminho diferente dos mais velhos, mais cotados, com melhores experiências e mais ricos. Além de que é na excelência do seu comportamento defensivo que tem as maiores armas.

Sim, daria perfeitamente para com outra ideia colectiva fazer mais e melhor. A dúvida aqui prende-se unicamente em questões sobre se os melhores defesas estarão receptivos a tal. Honestamente, pelas ordens que trocam entre eles, e gestos corporais, não parece que estejam muito disponíveis para “arriscar” mais, e ficarem expostos ao erro.

Sim, Ricardo e até Semedo que nem está presente, dariam muito mais qualidade ofensiva à selecção nacional.

Mas, na partida com Marrocos, foi bastante mais do que somente não querer jogar.

Contra a tremenda capacidade física e agressiva dos magrebinos, urgia aplicar inteligência e qualidade técnica! É esse sempre o melhor caminho para o triunfo e mais ainda quando do outro lado estão cavalos que vencem sempre os duelos, mas que para o fazer se desorganizam.

O video seguinte traz uma série de perdas da selecção nacional, e servirá para confirmar vários lances em que os jogadores do sector defensivo português simplesmente preferiu, erradamente, não construir para não ficar sujeito ao erro, mas também um sem número de lances em que faltou inteligência e qualidade no gesto técnico para aproveitar não só para manter mas até para poder criar!

De Bernardo a João Mário, passando por Gonçalo Guedes, até ao péssimo jogo de Bruno Fernandes e Gelson Martins. Tudo foi demasiado mau. Mas, também muito teria sido diferente com outra qualidade ou outra inspiração, porque o chorrilho de erros técnicos e de decisão foi demasiado gritante.

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3407 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

8 Comentários

  1. Mas é por isto que nos actualmente temos jogadores titulares da seleção que são suplentes em West Hams e Leicesters.

    Como se diz num outro post, nós já tivemos titulares de Real Madrid, Barça, Juvenuts, etc… hoje em dia tirando Bernardo Silva (e mesmo este nunca será um dos melhores numa das melhores equipa do Mundo) e CR (muito pelas ações individuais nunca percebendo o jogo coletivo) jogam nos melhores…

    … o resto é 2a e 3a linha da Europa.

  2. A segunda metade com as saídas dos centrais é de equipa que luta para não descer.
    Pergunto-me qual será o discurso do treinador. Ele incentiva o “bate longo”? Ou simplesmente não diz nada porque “Pepe é Pepe” e faz o que quer?
    Faltou aí um lance em que o Pepe tem um livre no meio campo, tem WC e outro colega perto para tocar rápido e sair pelo chão apoiado. O que é o que faz? Pega na bola, coloca-a um pouco mais à frente do lançe da falta para “ganhar” metros, o adversário organiza e bate longo. Perdemos a bola.

    Outros duas impressões com que fiquei no jogo:
    . Pontapés do RPatrício mal orientados, era raro irem ter diretamente com Cristiano. Em imensas situações, os Marroquinos saltavam sozinhos e conseguiam direcionar os cabeçeamentos para os colegas.
    . Acho que não ganhámos uma segunda bola ofensiva. Aqui, muitas vezes, achei o WC mal posicionado, i.e. não encostava nas costas e não estava preparado para a perda. (Aliás acho que é esse “alheamento do jogo” que o impede hoje de estar numa equipa de 1ªa linha europeia).

  3. Voces falam aí e muito bem do Semedo e do RIcardo, eu diria que falta mesmo o Semedo e o Cancelo, mas pronto foram as opções do Fernando Santos. Qualquer um desses 3 traria melhor saída de bola desde trás, poderiamos ter 2 laterais com capacidade para sair a jogar mas assim não entende o Mister.

    Outra coisa que reparei é a falta que um Renato Sanches em forma (ou alguém com as suas caracteristicas, não temos é mais ninguém assim) faz ao nosso meio campo, principalmente em jogos contra equipas como a de Marrocos, traria agressividade com e sem bola, embora não tendo o critério ideal, poderia ser esse jogador que após recuperação de bola poderá lançar o ataque e melhor ligar os setores sem perder logo a bola. Outro que acho que faz falta é o André Gomes, mais um jogador bom tecnicamente, forte fisicamente e com boa capacidade de decisão, não percebo a ideia de levar o Adrien e deixar o André de fora. O André poderia muito bem também ser um jogador para ligar os nosso sectores médio e avançado.

    Que dizem sobre o que estes dois poderiam trazer à seleção? Sei que o Renato não merecia ser convocado, lesionado e jogou mal, quando jogou. Mas não poderia o André acrescentar algo ao nosso meio campo? E ainda me estou a esquecer do Ruben Neves, mas esse seria sempre complicado levar.

    • Concordo plenamente.
      Para mim o André Gomes, apesar de não estar a corresponder no Barcelona não deixa de ter qualidade e ser muito superior ao Adrien que este ano teve uma época para esquecer.
      Manuel Fernandes também pode ser uma opção a ter em conta durante a competição em vez do Adrien.

      • Concordo e tens razão, não me lembrava do Manuel Fernandes. Concordo que deveria de ser aposta e pode ser muito bem o elo que liga sectores. Assim como podia ser o B. Fernandes num 433… Alias a selecção parece chamar muito pelo 433 para resolver um pouco dos nossos problemas.

  4. Concordo que houve demasiados erros individuais, mas será que não há aqui um efeito ‘ovo/galinha’? Ou seja, será que a ausência de ideias, melhor definidas de jogo nas microestruturas, não traria maior confiança e capacidade na execução individual? No fundo parece-me que tem que ser essa a lógica do futebol, mesmo nas seleções, o coletivo a potenciar o individual e não o contrário.

    Off topic 1:
    Duas notas sobre o passado da seleção (relativamente recente):
    1. O Humberto Coelho fez algo mais do que utilizar a geração de ouro; tinha uma ideia de jogo! Sem dúvida que tinha uma qualidade individual extraordinária ao dispor, mas ele traduziu-a em desempenho na seleção A e fez apostas pouco consensuais na altura, como o Costinha por exemplo, e, assim, chegou ao famoso jogo com França.
    2. No euro 2004 o Scolari teve a oportunidade de poder decidir ir contra as suas (ausentes) ideias e utilizar o trabalho do Mourinho a partir do segundo jogo, após derrota no primeiro jogo com a Grécia. O meio campo do Porto do Mourinho fez toda a diferença para chegar à final, embora a tenhamos perdido com os mesmos que fizeram Scolari mudar de (ausentes) ideias no primeiro jogo.
    São dois exemplos de bom desempenho da seleção, a jogar bem. O primeiro com mais mérito técnico do selecionador do que o segundo, a meu ver.

    Off topic 2:
    Que tal um post sobre o jogar da Alemanha, com uma análise das ideias de jogo vs o que está a correr menos bem?

    Abraço

  5. GV toca num ponto fulcral… pra além da ausência de núcleos ou microestruturas (não sei que termo utilizar), que resulta da realidade do nosso futebol é da exportação dos nossos talento, acresce que este facto não é compensado (como em outras selecções) com núcleos que se conheçam e joguem juntos desde camadas jovens da seleções.
    Apesar disso a verdade é que temos jogadores talentosos e capazes o suficiente, seja uns a tocar o violino e outros bombo, para frente a Marrocos terem deixado outra imagem.
    Gosto muito deste vídeo porque como já em outros posts tinha comentado sobre o Cédric este pontapear pra frente sucessivo não é de agora vem de há muito, pode ser do estilo da sua equipa em Inglaterra não o sei… certo é que nem vejo vantagem alguma em ter o Bernardo a sua frente para este tipo de jogo!!!
    Abc

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