Conquistar o castelo ao som de música clássica

Clássica pela complexidade. Pelo estilo elaborado, pela forma como de vários “instrumentos” surge um “som profundo e rico”. O colectivo vimaranense.

Muito recentemente travei conhecimento com um futebolista de um dos grandes de Lisboa que me confessou ser o Vitória de Guimarães o clube do seu coração. Guimarães tem esta pequena grande particularidade de ser quase a única cidade em Portugal cujas gentes são “fieis” ao clube da cidade.

O Vitória nasceu e vive para conquistar… dominando!

E também por isso, tanto sentido teve a chegada de Luís Castro ao castelo.

Acordar o gigante é uma tarefa de tremenda dificuldade, mas o Vitória ao ritmo de Luís Castro já caminha para provar que o resultado pode casar com a exibição. Na verdade, mais possível é conciliar ambos, do que chegar ao produto final sem um bom processo.

Com bola, formação constante de losangos ao longo do campo, facilitando tomada de decisão do portador, possibilitando progressão apoiada, e com sentido, entrando pelas linhas adversárias, explorando o corredor lateral para atrair oposição e voltar dentro. Uma viagem conjunta de um grupo de jogadores, que porque vão e vêm juntos, também na perda da posse, estão preparados para colectivamente reagir rápido no centro do jogo. O Vitória prepara-se para monopolizar os seus jogos.

A inteligência e a primazia pela procura do melhor caminho até à baliza adversária, bem expressa logo no pontapé de saída, onde ao contrário da larga maioria, não vai à pesca, mas antes cria condições para chegar ao mar. Foi assim que num jogo de preparação recente viu o seu adversário fazer o seu primeiro passe e dar o seu segundo toque na bola (o primeiro foi um corte pela linha lateral) já em desvantagem no marcador.

Eis o que se desenha por terras onde nasceu Portugal:

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3333 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

3 Comentários

  1. Muita paciência, mas a posso é feita fora do bloco (bem organizado, diga-se)
    Precisa de trabalho a provocar a desorganização. As bolas que criam perigo são passes para as costas de grande distância ou cruzamentos, pouco mais

  2. Prometido é cumprido caro Pedro (sobre a análise ao Vitória).

    Tenho visto os jogos todos de pré época do meu Vitória agora orientado pelo Mestre Castro, e claramente há um upgrade enorme ao que tem sido o modelo e sistema que outros técnicos preconizavam.

    Uma saída limpa desde o guarda – redes, muita posse, boa circulação e sem pressa exacerbada em chegar rápido na frente, vários atletas dentro do bloco adversário (inverteu o triângulo no miolo finalmente era uma situação que não se visualizava há anos), falta agora preparar melhor a equipa em organização ofensiva (procura muito que os alas se desloquem para zonas interiores), mas na direita falta por exemplo um melhor lateral para a largura e profundidade, pois o Garcia é muito fraco (esperamos pela vinda do Dôdo).

    Estamos a gostar imenso das ideias que o Castro já preconizava em Vila do Conde e Chaves, e acreditamos que teremos um ano de futebol aprazível no berço da nação.

    Muito obrigado pelo post!

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