No mar à deriva

Uma vez mais, o Benfica termina a sua pré temporada com uma série de indefinições (na melhor da hipóteses, porque se já forem definições, o caso agudiza-se), que poderá marcar o resto da sua época.

O jogo contra o Lyon foi de uma pobreza atroz sob todos os pontos de vista.

Nos momentos ofensivos, uma equipa demasiado afastada do ponto de vista colectivo, e com dificuldades de decisão e técnicas do ponto de vista individual. Praticamente sem nunca conseguir ligar o jogo desde a sua rectaguarda até às zonas de criação, por falta de linhas de passe constantes próximas, e do pouco trabalho para receber (simular profundidade – vir pedir no pé) de cada um dos seus elementos.

Individualmente, jogadores como Pizzi, Fejsa, Salvio, Cervi somam mais erros do que o seguimento que conseguem dar às bolas que recebem. Louve-se Gedson, com uma exibição muito acima da média. O único que se mostrou com capacidade para ligar o jogo encarnado. Embora, colectivamente devesse o Benfica mostrar-se preparado para esconder de forma mais eficaz os problemas individuais.

Sem bola, chega a ser inenarrável o comportamento do sector médio do Benfica. Tem mais um elemento do que antes, mas não há qualquer articulação entre os seus jogadores, e é mais fácil do que nunca colocar a bola nas costas dos médios, e obrigar os defesas a intervirem. Pizzi não defende sequer, basta qualquer bola ir ao corredor lateral, e voltar dentro para o bater, porque é muito raro vê-lo a recuperar metros para entrar no lance defensivo, Gedson move-se bem na profundidade a defender, mas sem articulação com colegas de sector, em largura permite espaços onde a bola entra, e Cervi e Salvio sofrem do mesmo problema. Fejsa, que deveria ser um seis, vê-se envolvido demasiadas vezes numa linha de cinco, que não controla largura, e a aumentar o espaço para os defesas. O que o impede de voltar e controlar de forma mais rápida espaços intersectoriais.

A passagem para o 442 trouxe um Benfica ainda pior no comportamento defensivo. Buracos enormes (distâncias) entre médios, e indefinição dos momentos para apertar e controlar. Ficou a sensação que não defendeu nem totalmente ao homem, nem à zona. Uma indefinição de comportamentos que abriu avenidas constantes.

Entre a banalidade de demasiadas individualidades e um colectivo completamente indefinido, ao Benfica restará esperar que os restantes competidores não se mostrem competentes.

Entretanto em Braga, a equipa de Abel atropelou o Newcastle, e prova que quando as individualidades não são de topo, a solução estará sempre no colectivo.

9 Comentários

  1. Bem sei que já vai há algum tempo, mas à medida que Vitória se vai afastando do que Jesus deixou, o Benfica vai jogando cada vez pior.

    Quanto ao Braga, volto a dizer: este ano vai meter-se na luta do título.

  2. Concordo bastante com o ter “à deriva”. Continuo a achar que o RV não treinador para o benfica ainda que seja bom profissional. O benfica nao se deve cingir a uma tactica rigida para conseguir aproveitar o melhor dos seus jogadores e esconder os seus defeitos. Creio que a pré-epoca esta a ser preparada para o “ponto” a eliminar e tentativa de entrada da liga dos campeoes, de um forma extremamente prudente e apoiada defensivamente, Daí que se tenha sentido muito comodo a jogar com o dortmund e juventus (Faz lembrar com as devidas comparações, o MU com mourinho que até da dó), Só que depois vem os problemas de limitação do jogo do RV dado que não consegue assumir um jogo ofensivo, com soluções de desequilibrio e golo, tal como sucedeu a epoca passada na famosa participação na champions. A matriz têm sido esta, e quando quer assumir mais no jogo faltam é um vazio de ideias com constante desequilibrios tacticos defensivos sem sequer ser objectivo no ataque. Enfim, não perspectivo nada de bom, dado que os erros persistem e as lacunas não foram colmatadas. o 4-3-3 com jonas nunca resultou mt bem, dado o bloco baixo, e para que fazer o mesmo com o ferreyra? Concordo com a surpresa do gedson dado que é o unico capaz de “comer” metros na verticalidade do jogo, mas apenas em bloco baixo. A nivel ofensivo continuamos a ver o “lado – lado- atras – lado- bola perdida. Criticar o A.almeida também me parece fácil demais sem tentar perceber as coberturas coletivas do benfica!

  3. Vímos um jogo diferente, pelos vistos.

    Benfica a nível ofensivo teve momentos bastante interessantes, um André Almeida a subir bem, a trocar bem de posições com Sálvio, ora dentro ora fora, Pizzi a aparecer uma data de vezes entre os sectores médio e defensivo do Lyon (quando não era mesmo na cara do guarda-redes, como no golo), uma equipa com boas trocas de bola e boas movimentações, que resultaram em 2 golos, 3 bolas nos ferros e mais um par de situações boas de golo.

    Defensivamente sim, demasiada passividade, meio-campo algo a dormir e os defesas a não terem pernas para as motas do Lyon.

    PS: ainda falando no momento ofensivo… médios de ataque ou atacantes não conseguirem dar segmento a jogadas é a lei do jogo, o nível de responsabilidade e de acções a terem de ser acertadas é em forma de triangulo da nossa baliza para a baliza adversária, um PL se fizer 2 ou 3 acções boas durante um jogo que resultem num ou 2 golos já fez o seu trabalho. (não falo de trabalho básico de receber de costas dar a um colega, ganhar umas bolas de cabeça, etc, falo de tentar algo diferente para ferir o adversário e conseguir).

    PS 2: o Salvio também não esteve nada mal e parece-me em boa forma para a fase da época (pré-época na verdade).

  4. Concordo com o post !!!
    Continuo e sem perceber depois da demonstração do ano passado a razão pela qual zickovic não é titular no benfica!!! Seja no meio ou nas bandas, tem de jogar … para mim até faria sentido no centro do terreno para ter se de voltas aqueles triângulos cervi-grimaldo-zickovic. Mas pronto sou apenas um amador que sofre de miopia !!!
    Abc

  5. Bem, eu pareceu-me um Benfica muito fraco em todas os momentos do jogo. Mesmo em transição ofensiva (saiu várias vezes em contra ataque e acabava sempre por haver má definição ou acabava por desaproveitar o desposicionamento do Lyon), onde outrora o Benfica era bastante forte. Ainda assim não me pareceu taaaao fraco como diz o autor do texto. No seguimento da má construção do meio campo benfiquista, muito criticam o Pizzi, mas acho que ele não é assim tão mau. Define bem na maioria das vezes e executa uma ou outra vez mal, mas nada de assim tão mal. Apenas acho que lhe está mal atribuída a funcao. Ora vejamos o Pizzi na maioria das vezes em organização ofensiva do Benfica vinha buscar jogo atrás e muito atrás e depois quando a bola entrava no último terço só lá estavam os dois alas. Isto pq o ferreyra não me pareceu nada ligado ao jogo e o gedson embora tenha pulmão é um bom transporte de bola, não me pareceu totalmente seguro com bola quando era pressionado forte e também não me pareceu um jogador capaz de criar ruturas e situações de finalização em passe. Já o Pizzi em anos anteriores quando chegava a frente, fosse em passe ou em desmarcação pensava rápido e criava várias situações, tendo sido dos jogadores mais influentes e mais criadores na equipa durante 1 ou 2 anos. Ainda por cima o Pizzi não é um jogador que pressione muito nem defenda bem, daí acho que se fosse ele a jogar na posição de gedson poderia dar outra criatividade no último terço e ter menos responsabilidades defensivas. Por fim parece me que o ferreyra não correspondeu ainda ao que se esperava, embora se saiba da sua qualidade e se espere maior rendimento. A falta de Jonas no último terço benfiquista reduz para um quarto a capacidade do Benfica criar ruturas e situações de finalização ao que me parece, concluo que este é um jogador fenomenal e não vou ver tão cedo outro assim no Benfica e concluo também que os comportamentos coletivos em organização ofensiva por parte do Benfica nunca foram grande coisa desde que Rui Vitória assumiu. Desde já 3 anos que digo que não me parece treinador para Benfica.

  6. Há deriva andam vocês…….imagina se o Benfica tivesse perdido com o Mafra ou com o Estoril como aconteceu com o sporting.
    Não vi esses tipo de notícia.

    • Que volte o Krovinovic e o Jonas, porque só com base nestas individualidades é que vamos ver algum bom futebol. Até pode ser que permita encostar o pizzi à direita. Defensivamente parece que os jogadores regrediram. Vamos jogar com o Fenerbahce que me faz lembrar um dos melhores jogos que vi ao vivo, em que tínhamos uma grande equipa, mas mais que isso, jogávamos muito à bola. Viva o Sun Tzu

  7. O Benfica não tem treinador ao seu nível. Rui Vitória não serve. A verdade é mesmo esta. Não é treinador para o Benfica. Já no ano passado jogamos uma miséria. Este ano vai ser preciso perder o acesso à Champions e ficar afastado do título até Dezembro, para agoniarmos até Junho para sua excelência Vieira deixar de contar notas e despedir o treinador que já devia ter saído em Junho último.

    Mas é assim, quando podíamos ter um Benfica tranquilamente a caminho do hexágono, temos uma equipa em farrapos, só se comprou entulho, o presidente só quer saber dos dolares e os adeptos que se lixem. É o Benfica moderno.

    Trocava já, já de treinador com o Braga. Até o ia lá buscar pessoalmente.

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