Uma decisão, um pormenor, e tudo muda – O que é colectivo e o que é individual

Sem qualidade em abundância ao seu dispor, Nuno Manta Santos faz da sua organização colectiva o ponto mais interessante do Feirense. Embora estejamos numa Liga onde tacticamente a larga maioria das equipas sabe o que faz e como faz, o Feirense é acima de tantas, uma das que consegue retirar mais caos do jogo, controlando o máximo de momentos possíveis.

Não foi surpresa, portanto, as dificuldades que foi provocar ao Sporting em Alvalade.

Embora o mais importante no jogo seja o cumprimento dos princípios, dos posicionamentos, a competência de uns não é a competência de outros. E a equipa da Feira pagou bem caro, uma pequena troca posicional.

O lance do golo do Sporting ajuda-nos a perceber o que é colectivo, e o que é individual. Colectivamente, a equipa de Nuno Manta Santos, soube manter a excelência da sua organização. O lateral Vitor Bruno subiu no momento ofensivo, e não voltou para ocupar a sua posição. Colectivamente percebe-se o trabalho dos fogaceiros. Compensação de Alphonse, espaços ocupados e organização colectiva habitual. Colectivamente, o Feirense mantinha a organização defensiva para defender a transição do Sporting, e até o momento em que a transição passaria para organização.

Todavia, a competência de uns, não é a de outros. A decisão de Vitor Bruno ao pedir a Alphonse para ocupar o seu espaço, levou o marfinense a ocupar um espaço onde passa menos tempo. A má abordagem de Alphonse, abrindo mais no seu corredor em detrimento de esperar mais junto à linha defensiva, abriu espaço para que Bruno Fernandes pudesse solicitar Raphinha, e mesmo tendo Alphonse interceptado a bola, porque partiu de um mau posicionamento, não conseguiu orientar o corpo para ficar ou cortar de forma fácil, uma bola que não traria dificuldade, se estivesse rotinado na posição.

Daí até à bola entrar na baliza do Feirense, outros pormenores poderiam ser mencionados, mas foi sobretudo por uma abordagem muito deficiente num lance que seria fácil de resolver, se fosse Vitor Bruno o interveniente, que tudo se precipitou.

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3358 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

2 Comentários

  1. Quantas vezes. Vemos o lateral a entrar nas costas do médio ou do extremo sem qualquer eficácia?
    Eu pergunto me em que situações e que critério deve o lateral optar por ir nas costas ou ir para o meio?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*