Vantagem qualitativa – Toto Salvio

Nos tempos mais recentes, e como integrador da boa tomada de decisão, importa perceber os vários tipos de vantagens no jogo. Não somente a numérica, e a espacial, mas também a qualitativa.

Brahimi, como Salvio toma um sem número de decisões que em praticamente qualquer outro jogador da Liga seriam tidas como erradas. Todavia, as suas qualidades não são as mesmas de qualquer outro, por serem jogadores com uma facilidade incrível para resolverem lances perante mais do que um adversário, mesmo que com menor espaço.

De forma muito simples, poderemos pensar em vantagem qualitativa numa decisão como: 3×2, num dos lados posso isolar em 1×0 o Castaignos, do outro deixo em 1×1 com 30 metros para definir, o Messi. Não é garantido que a melhor decisão se relacione apenas com a vantagem numérica. Provavelmente do lado do 1×1 estarão mais golos em 10 jogadas iguais, do que do lado do 1×0.

Desde que se passou a falar em tomada de decisão, Salvio tem sido um jogador pouco valorizado pela própria massa adepta encarnada. Curiosamente, o extremo argentino que faz valer muito do seu jogo pela forma como as suas capacidades condicionais o ajudam a ultrapassar opositores, é um dos mais capazes de toda a liga a resolver no último terço. Não somente na finalização, onde eventualmente encontrará pouco paralelo com qualquer outro, na sua capacidade para aparecer e finalizar com êxito, mas também no sucesso que tem quando procura as entradas em espaços interiores.

Não toma sempre as melhores decisões, perde timings para melhores passes, ou não vê em melhores condições os colegas de equipa. Mas, bem fisicamente, é sempre alguém com o condão de resolver um jogo, e honestamente, melhorando a sua tomada de decisão, não seria em Portugal que o iriamos encontrar a jogar futebol.

Na Madeira, o lance do primeiro golo do Benfica surge após uma decisão, eventualmente errada de Gedson. Há um lado para sair com clara vantagem sobre o corredor onde o Benfica recuperou, ainda assim o jovem persiste no mesmo corredor e no fazer a bola chegar a Salvio, que está de costas e em larga inferioridade numérica para seguir o seu caminho até à baliza adversária. A qualidade do argentino nos lances individuais, transformaria contudo, a situação de jogo, e aproveitaria o bom movimento de Seferovic (Atente no pormenor de se esconder nas costas do marcador directo, para depois lhe aparecer pela frente de forma inesperada).

 

10 Comentários

  1. O JJ diz que o Salvio é o melhor jogador que já treinou…. parece-me óbvio que se refere aquele salvio pujante e confiante… porque quando não está, traz muitos erros…

    boa análise! como em tantas outras coisas, o Salvio está mais perto do meio, do que ser o ultra craque, ou o nabo que não ajuda..

  2. já agora, para finalizar, quem acha o Salvio inepto, sao os mesmos que dizem ou diziam que o Sterling não era jogador etc etc etc… jogar não é só correr, mas isto também não é boccia…

  3. se melhorasse o timing de soltar a bola e se não fosse sucessivamente sozinho para cima de dois ou três adversários, era de eleição. É dos jogadores que mais me irrita no Benfica, sendo ao mesmo tempo um dos que mais me alegrias me dá, é paradoxal 🙂

  4. Concordo com toda a vossa análise sobre Sálvio, mas discordo sobre a critica à tomada de decisão de Gelson. No momento em que recebe a bola, a única linha de passe que tinha mais ‘segura’ era precisamente Sálvio. No momento em que param o vídeo para demonstrar o espaço que há livre no meio, a linha de passe directa para Pizzi está tapada e se fizesse um passe para o espaço à frente de Pizzi, este estaria numa situação de 2×1 e muito apertado. E, logo depois de fazer o passe para Salvio, o movimento do Gedson é de aproximação para o apoiar o primeiro. No entanto é parado pelo jogador do Nacional.

    O resto, sim, é fruto da qualidade do Sálvio e da boa forma física em que se encontra, estando a fazer um dos melhores (se não o melhor) início de época no Benfica.

    • Concordo! O Gedson tomou a melhor decisão para evitar errar um passe e apanhar a equipa em contrapé, no final resultou bem o lance mas se calhar normalmente o salvio teria segurado a bola e tentado se calhar ganhar a falta para segurar a bola

  5. Engraçado como conseguimos encontrar em duas realidades dois comentários inversos ao esperado. Aqui, o elogio a Sálvio, e na TV, o comentário de “um jogador à antiga”. Nem sempre se acerta, nem sempre se erra. O elogio de um jogador que perde entre 8 a 15 bolas por jogo era algo que não esperava encontrar aqui. Vejam o vídeo de todas as intervenções de Sálvio no jogo e depois digam-me o que acham. Qual os maiores desequilíbrios que Sálvio cria? No adversário ou na sua equipa?
    Um jogador que outrora brilhava pela qualidade individual que tinha mas que hoje ainda não percebeu que após tantas operações já não poderá nunca ser o mesmo jogador…

  6. Quando li este artigo, lembro-me de uma coisa que disse sobre o Messi à uns bons anos atrás e que foi mal compreendida, e que volto a repetir. O Messi toma decisões que se fosse qualquer outro jogar a tomar seriam erradas mas a capacidade individual, que tirar 3 ou 4 da frente é só um pormenor.

  7. Salvio tal como Pizzi é um jogador fantástico para o campeonato português, mas quando o Benfica joga contra equipa do seu nível ou superior, começamos a perceber porque não são de nível mundial, embora o caso do Salvio seja o oposto ao Pizzi, ou seja, um tem a mais o que o outro não tem suficiente, Pizzi decisão e Salvio técnica/Físico.

  8. Em jeito de brincadeira costumo dizer que o Salvio é perito em encontrar solução para os problemas que não existiam antes de a bola lhe chegar aos pés.

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