Como Luís Castro preparou defensivamente o Vitória para o Derby Minhoto

“Nós tínhamos como preocupação fundamental que o Braga não entrasse na nossa última linha defensiva.” Luís Castro

 

No Derby do Minho, o Braga teve sempre mais bola mas com muitas dificuldades em criar pelo corredor central. Não foi só demérito do Braga, existiu muito mérito do Vitória e da forma como defensivamente se posicionou para condicionar os pontos fortes do Braga em ataque posicional.

Um dos pontos fortes do Braga em ataque posicional é o jogo exterior e a amplitude que coloca em ataque posicional com Esgaio e Sequeira bem largos e profundos em cada corredor. Para contrariar os corredores laterais, os alas do Vitória baixaram em simultâneo e formaram uma linha de 6. Ao mesmo tempo que os alas do Vitória garantiam o controlo da largura defensiva, os laterais do Vitória não deixavam que os alas recebessem de frente para a sua baliza.

Além disto, os médios do Vitória eram responsáveis por controlar todo o corredor central em organização defensiva ao mesmo tempo que garantiam que a bola não entrava em zonas de criação com o portador enquadrado com a última linha. O grande objetivo do Vitória defensivamente era, de facto, não deixar que os alas do Braga enquadrassem com a linha defensiva e ainda, controlar os corredores laterais do Braga.

Foi um Vitória muito bem preparado defensivamente para as dificuldades que o Braga lhes iria causar em ataque posicional, controlando eficazmente os corredores laterais e nunca deixando enquadrar os jogadores mais avançados do Braga com a sua última linha.

 

2 Comentários

  1. Há mais mérito do Vitória ou mais demérito do Braga. Parece-me um pouco a táctica de “defender com muitos. Não houve muito demérito do Braga em não conseguir desmontar algo que me parece relativamente simples de montar a nível defensivo?

  2. Vou acompanhando à distância mas com interesse o que vocês vão escrevendo mas desta vez quero “meter a colher”.

    Tenho lido bastantes elogios à minha equipa (o Braga) e, em parte, são justos. No entanto, apesar da liderança atual, parece-me que estamos menos fortes do que na época passada. Em parte, em razão de lesões lá atrás que condicionam muito a qualidade da nossa saída em construção. Pablo é muito limitado com bola, o Braga precisa desesperadamente do regresso de Raúl Silva (já nem falo do Ricardo Ferreira, porque tenho poucas esperanças de que volte a jogar ao mais alto nível).

    Mas o maior problema do Braga é no miolo. Na época passada, tinha três grandíssimos jogadores para dois lugares: Vukcevic, Danilo e André Hora. Embora tarde na pré-epoca, a saída de Vukcevic acabou por ser bem coberta com Palhinha e sobretudo Claudemir, este talvez até com vantagem, pelo menos com bola (esteve muitíssimo bem em Guimarães). No entanto, as saídas de Danilo e André Horta deixaram mossa, sobretudo a deste – para mim, um mistério a sua saída para os EUA e por um valor relativamente baixo. João Novais tem jogado naquele lugar, tem qualidade técnica, mas não tem o critério nem a criatividade de Horta (e mesmo em termos posicionais deixa algo a desejar). Pode ser também uma questão de rotina do lugar – porque na época passada, com Miguel Cardoso, no Rio Ave, jogava a partir de um corredor e mais adiantado. Parece-me que é sobretudo por isso que o Braga não está tão forte no corredor central, nem vejo como poderá melhorar muito. Pessoalmente, não gosto de ver Fransérgio num meio-campo a dois. Talvez o Eduardo possa vir a assumir esse lugar, porque qualidade técnica e criatividade, tem – desde que não se esconda do jogo como acontece com alguma frequência.

    Claro que gostava muito de ver o Braga a morder os calcanhares aos grandes. Se tivéssemos o grupo de centrocampistas da época passada, eu diria que poderíamos ambicioná-lo. Nesta época, acho que estamos “curtos”.

    Ainda assim, em relação ao jogo de Guimarães gostei de um aspeto: ainda que o resultado me pareça espelhar corretamente algum equilíbrio em campo, o Braga foi mais ambicioso até ao fim. Equipa e treinador quiseram ganhar e arriscaram mais do que o adversário (que preferiu legitimamente recuar linhas e apostar no contra-ataque à medida que o jogo caminhava para o final). É um sinal de crescimento. Se chega para ameaçar os três grandes de forma consistente? Gostava mas não me parece.

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