Luís Freire, muito mais do que um tipo que tramou José Peseiro

Há várias formas de partir em diferentes lados os treinadores. A forma mais simplista de o fazer é subdividir entre os resultadistas e os românticos.

Sobre a denominação que alguém, seguramente não desinteressado criou, já me referi por diversas vezes, opondo-me totalmente a uma denominação que faz crer que os resultados de um dos lados da barricada são melhores do que os resultados do outro.

Na verdade, em pólos opostos, mas com competência máxima, poderemos encontrar óptimos resultados. Assim, como o contrário, quer na competência quer nos resultados.

Ainda na temporada transacta, ouvia de um alto dirigente a afirmação de que nos dias actuais, para a sua equipa pouco importava fazer mais cinco ou menos cinco pontos, desde que o objectivo final fosse concretizado, e que seria sempre mais interessante fazer menos cinco pontos mas apresentar um jogar que valorizasse o jogador e a equipa do que o contrário.

Na presente temporada chegou aos campeonatos profissionais Luís Freire. Não foi a primeira vez que o nome do jovem treinador me chegou. Há não muitos anos atrás, desenhou-se a possibilidade de entrar numa equipa que Luís deixava, e enquanto recolhia algumas informações, percebi o apreço e o reconhecimento que o agora treinador do Estoril deixou por onde passou. Alguém cujas referências são as que ouvi, e vindas de quem mais importa, não poderia nunca ser apenas mais um.

E não é. A qualidade e a identidade bem vincada com que o seu Estoril se apresenta em cada campo é apanágio de quem mais do que somente vencer, porque isso todos querem, pretende deixar uma marca de um jogo em que é protagonista. Se os treinadores não fossem capazes de se adaptar e de se reinventar, e se se pudessem partir em dois: os treinadores de clube grande ou os treinadores de clubes de nível médio / baixo, Luís estaria sempre no lugar dos primeiros.

Partilhamos e sonhamos com ideais de Pep Guardiola, Maurizio Sarri, Quique Sétien, Paulo Fonseca e outros que tais por essa Europa fora. Mas, na Europa dos pequenos, também há espaço para quem ousa sonhar mais alto.

Que não se esqueçam de mencionar, aquando da sua catalogação ao lado dos românticos, pela forma como pensa o jogo, que Freire soma três subidas de divisão consecutivas.

Os passos atrás para ganhar espaço, receber, tocar, trazer oposição. As entradas para o espaço entre sectores adversários, a coordenação das rupturas com a entrada nos espaços oportunos, a chegada em condições óptimas à finalização.

O Estoril com bola:

 

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3400 artigos
Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã" da PrimeBooks. Analista de futebol na TV e no Jornal Record.

7 Comentários

  1. Maldini,

    Incluindo este treinador e de todos os que estão na 1ª Liga, quais achas que teriam qualidade suficiente para ocupar o lugar de Peseiro?

    E dos que estão no estrangeiro, que treinadores Portugeses achas que teriam qualidade?

    • Abel seria a minha primeira escolha dos que estão em Portugal. Paulo Fonseca, dos que estão fora. Embora dos que estão fora, não creio que alguém esteja interessado em voltar…

      • Pois, mas o Braga nunca deixaria sair o Abel. Não achas que o Silas apresenta boas ideias?

        Sim é verdade que quem está no estrangeiro, ganha bem mais do que por cá, mas talvez um dos desempregados….

        O que achas da ideia de Miguel Cardozo? Não foi muito bem sucedido no Nantes, o que deixa sempre uma má imagem.

        • Silas, claro que seria uma óptima opção! Miguel Cardoso também! Agora isso não significa que cheguem e tenham logo sucesso, medido em resultados, porque o momento actual é muito complicado… mas se houver paciência e tempo para eles crescerem dentro do clube, sem dúvida que qualquer um desses dois é muito bem vindo

          • Obrigado pelas respostas.
            Também gostava desses, mas temo que ao contratar o Miguel Cardoso, lhe metam logo o rotulo de “despedido pelo Nantes após 2 meses”. Já sabes como é a malta Portuguesa.

  2. Carissimo exelente artigo, so uma nuance salvo erro estamos a falar de 5 Subidas de Divisao seguidas (ERICEIRENSE(2), PERO PINHEIRO(2) E MAFRA(1)).

    Melhores cumprimentos,

    Andre Anastacio

  3. Sou seu conterraneo (A-da-Perra, Mafra) e e’ fantastico o que atingiu ate ao momento.
    Vai ter sucesso a alto nivel…

    Luis Borges

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*