Contestação, acção e (falta) de reacção

As massas envoltas em dualidade, como as do futebol (apoiadas em vitória/derrota) têm, como já estamos fartos de saber, uma força imensa. Com elas terminam impérios, dinastias e começam revoluções. Tudo partindo de uma expectativa não concretizada. Ora, num Mundo perfeito, as manifestações de ‘desejo’ (chamemos-lhe assim) de evolução de uma equipa seriam mais construtivas e menos emocionais. E se num Mundo perfeito aquela contestação emotiva que assola, neste momento, a equipa técnica do Benfica não existiria, também a reacção a essa mesma contestação não teria razão de ser. No entanto, este não é um Mundo perfeito. E como demonstra a reacção das águias, neste algo decisivo Benfica-Ajax, os jogadores perderam a identidade, as (poucas ou muitas) ideias que tinham para jogar um futebol que noutras vezes chegou a ser sólido, e perderam o controlo emocional. No físico, leia-se relvado, ficaram as cinzas de um Benfica que nunca conseguiu (nem com a vantagem conseguida por Jonas depois de um brinde de Onana) controlar e dominar um Ajax que evoca boas recordações para os holandeses.

E se havia coisa boa que não se podia retirar a Rui Vitória era aquela blindagem – muitas vezes referida por ele como ‘carapaça’ – que o seu balneário foi tendo ao longo de três épocas e meia, o mesmo que atravessou vários momentos negativos, conseguindo levantar-se várias vezes e criar uma onda que, agora, ameaça engoli-lo. Como dissemos, num Mundo perfeito a contestação seria mais construtiva (e esta não o é, parecendo até em alguns momentos surreal – visto que ainda há um mês o Benfica bateu o campeão nacional em casa) e a reacção negativa a essa contestação não seria necessária. E esse desígnio (o de controlar a reacção negativa a terceiros), mais do que falar agora em ideologias tácticas de uma equipa que não encontra tranquilidade em si mesma para fazer três passes seguidos, tem de ser o foco de uma equipa técnica que, muito provavelmente, fará com certeza mais jogos no banco da Luz.

Desapareceu a carapaça porque são os próprios adeptos a atacar a equipa. E é essa instabilidade emocional que, primeiro, os encarnados têm de transcender. Se essa não deixa que se aproveite alguma vantagem nos anárquicos duelos, na 1.ª parte contra o Ajax, para se sossegar o jogo e levá-lo, de pé-para-pé para perto de Onana, então o principal foco, repetimos, tem de ser devolver estabilidade emocional à equipa. E essa não se encontra a correr por compensação mas sim por neutralidade. Confusos? nós explicamos:

Há uma diferença enorme em agir para compensar algo que está errado, ou agir com neutralidade, quase com desapego, a reacções externas – confiando numa identidade que sabemos nossa. Porém, se confiamos a nossa identidade – se ela fica dependente e refém de manifestações de agrado ou desagrado externas – o próximo passo é correr, com o coração em modo drum ‘n bass, atrás do prejuízo que nos colocam à frente tipo cenoura inalcançável à frente do burro. E é isso que agora acontece ao Benfica. Confusos, os jogadores correm para tentar de novo agradar aos adeptos. Confuso, o técnico põe Pizzi, tira Pizzi, põe Gabriel, Félix ou Jonas para agradar aos adeptos. E, no final, o presidente retirará o treinador para agradar aos adeptos. E este não pode ser o principal foco de uma equipa, com necessidade de evolução, como todas as outras.

Sabemos que se diz que a pressa é inimiga da perfeição. E tentando lá chegar com pressa – demasiada – o Benfica foi quase sempre anulado por um Ajax que sabe bem o que faz. E se a pressa é inimiga da perfeição,  também a perfeição é, por agora, inimiga do Benfica e, até, dos seus adeptos – que ao exigirem-na de forma, por vezes  absurda, estão a condicionar toda a época. Isto porque, o que é a perfeição? Na mente das massas essa atinge-se com -‘dois cliques‘. Uma mudança aqui e ali (nomeadamente na equipa técnica) e a equipa, subitamente, bater-se-ia com uma 2.ª divisão europeia que parece levar vantagem ao Benfica (algo que nem no tempo de Jorge Jesus foi total excepção). Mas ainda que esse tenha que ser o objectivo (o tal desígnio europeu) a perfeição não é algo estático. Assim, primeiramente, o Benfica terá que reconhecer o nível em que está. Não esperando saltar etapas para outros níveis, sem primeiro aprender lições que o farão subir na escadaria. Seria como querer passar do 10.º andar para o 30.º como que por magia. A perfeição é, assim, bem simples: é o próximo passo, e por aí adiante.

Essa falta de reconhecimento cria a desmesurada exigência. A desmesurada exigência cria a necessidade de compensar o erro que os adeptos apontam. E a necessidade de compensar esses erros cria espaços, e até alguma ou outra avenida, que o sereno Ajax aproveitou para empatar (algo que também podia ter feito no fim da 1.ª parte). A conclusão óbvia seria não jogar com a exigência desmesurada mas encontrar a identidade não apegada a julgamentos de terceiros, que dará a tranquilidade para se irem subindo esses passos. Ou seja, num Mundo perfeito a contestação não estaria lá. Mas a (negativa) reacção também não. E se os jogadores e equipa técnica (que, lembramos, na pior das hipóteses ainda lá estará alguns jogos) não podem controlar uma acção dualista da massa que os agride, podem, como única hipótese, controlar a reacção que terão a essa massa dualista. E esta, mais do que agora exigir ideologias perfeitas, é a única solução de um Benfica que, nesta quarta-feira, não foi mais do que um saco-de-nervos – quando ainda não há muito tempo marcava de joelhos ou virilhas, se fosse preciso. Não é Gabriel (90’+5)?!

Benfica-Ajax, 1-1 (Jonas 29′; Tadic 61′)

17 Comentários

  1. Esta contestação é só um reflexo do que se passa em campo. Ver o Benfica jogar é um suplício, quando tem um plantel para ter um futebol positivo e muito mais bonito. Há escolhas no onze muito duvidosas. O sferovich é um tronco, parece um Central a jogar na frente, tem gestos técnicos miseráveis, Gabriel nem cria nem deixa criar. Ontem o grimaldo quando tinha a bola nos pés era uma lufada de ar fresco, mesmo assim muito precipitado. Ver um meio campo escondido da bola quando o centrais estão a criar, vê-se logo o estado anímico, a qualidade dos intervenientes e as escolhas feitas. Zero de reação à perda da bola, o Ajax parecia que tinha uma mudança a mais.
    A verdade é que Rui Vitoria nunca convenceu, ia passando pelos pingos da chuva com os títulos e as vitórias, quando isso não existe tem de haver contestação.
    Como disse o Mourinho: isto é Sport Lisboa e Benfica
    E está exigência tem de existir no Benfica no Sporting e no Porto.

  2. Podem explicar-me toda esta campanha de defesa ao Rui Vitória? Compreendo o que dizem de não se julgar por resultados apenas é olhar para todo o processo, mas olhando para o Benfica dos últimos 3 anos, não notam que o processo está cada vez pior? Se um treinador novo conseguiria implementar logo o seu jogo e melhorias? Talvez não, precisaria sempre de tempo e treino. Mas que o Rui já devia de ter saído já! Claro que não trocaria pelo Zé da Esquina, mas vocês como experts digam-me uma coisa, se tivessem que nomear os 3 melhores treinadores da liga ou até mesmo os 5 melhores, o Rui estaria nesse top? Digam-me em que lugar o colocariam. Eu como benfiquista irei querer ter sempre o melhor treinador possível e hoje em dia acho que ainda há alguns melhores que ele. Já lhe reconheci algumas qualidades enquanto aproveitou o trabalho do JJ e deu o seu cunho pessoal, mas a partir do momento que implementou apenas as ideias dele, que a qualidade tem decaído.

  3. Como benfiquista, e não sabendo se o autor do post o é, vou dar a minha opinião enquanto adepto. Pessoalmente, acho o Rui Vitória um treinador com muitas limitações ao nível do modelo de jogo, e sempre me pareceu que colectivamente a equipa apresentava os mínimos exigidos. Isto foi evidente em praticamente todos os jogos internos, esqueçamos a europa, com o Porto e o Sporting. Dos poucos que RV ganhou, para mim a equipa só foi superior há 2 anos com o Sporting em casa (2-1, salvo erro). Por mais que os adeptos “apenas” queiram ganhar, isto deixa marcas. Deixa marcas perder com o Porto no ano passado da forma que foi: jogo ridículo na segunda parte sem se conseguir criar praticamente nada. Deixa marcas levar 5 do Basileira e continuar com o discurso “vamos levantar a cabeça”. Deixa marcas perder com o Tondela em casa “oferecendo” o título ao FCP. E mais recentemente deixa marcas perder de forma consecutiva com o Belenenses e o Moreirense. Neste momento já ninguém acredita que é “só” falta de sorte, talvez haja também um bocadinho de falta de competência do treinador.

    Resumindo, o adepto comum está convencido que com este treinador já não vamos lá. E será que estão assim tão errados?

  4. Concordo em muita coisa com o post, mas a minha pergunta é, em 3 anos e meio não se exigiria que o RV treinasse uma equipa ( e eles próprios) “Bulletproof” a este tipo de contestação? É muito tempo, muitas experiências, muitos testes para se cair num tipo de jogo como o de ontem. Parece que todos os anos volta se à estaca 0 e andamos a falar de coisas que já deviam estar enraizadas no seio da equipa…

  5. O post limitou-se a reconhecer a contestação e em fazer-lhe poucos juízos de valor (ainda assim fiz alguns porque concordo com parte do que se tem dito – estão no post assinaladas várias deficiências do Benfica -, isto porque me parece claro que a contestação vai continuar, assim como Rui Vitória.

    Não fui então pelos ‘ses’ ou por ‘a solução é despedir’. Como sei que não vai acontecer, foquei-me na reacção da equipa, e equipa técnica, à opinião de terceiros sobre a mesma. Pode não parecer, mas é das coisas mais importantes em futebol. Devia até, como exprimi na crónica, ser a principal preocupação de Rui Vitória. Mas lendo as declarações de ontem, rapidamente encontrei que “o que se pode tirar de positivo deste jogo foi a reacção da equipa”.

    Não me parece uma preocupação do Rui, não me parece uma preocupação dos adeptos. Como era o que eu faria, e era o que eu, no imediato, me focaria, pareceu-me bem focar a crónica nesse ponto – não caíndo muito na dualidade crítica/louvor.

  6. Caro Brian Laudrup,
    Louvo-lhe a clareza de pensamento.
    Parece evidente que o Benfica está a jogar sobre brasas, o que até não se justificaria, tendo conseguido a entrada na fase de grupos da LC e após uma vitória sobre o Porto, que colocou a equipa em 1º lugar. Acrescendo que já tinha jogado com dois adversários directos.
    Aquilo que Rui Vitória diz para fora e o que tramite ao plantel é concerteza diferente! Parece evidente que o mais importante nesta fase será que os jogadores voltem a confiar nas suas capacidades.
    As conferências de Rui Vitória têm revelado um certo nervosismo, que estou em crer está a transmitir-se à equipa.
    Veremos se será capaz de reverter essa situação.
    A envolvência dos adeptos e da comunicação social não tem sido favorável, resvalando muitas vezes para o insulto gratuita. Coisas que, infelizmente, fazem parte do fenómeno futebolístico.
    Não ponho em causa a competência de RV, que já deu provas mais do que suficientes, mas não sei será capaz de recuperar a equipa e voltar a isola-la.
    Há uma diferença muito grande em relação às duas primeiras épocas, pois se nessas a equipa se uniu contra adverários externos, neste momento é necessário que protejam dos próprios adeptos!

  7. “tendo conseguido a entrada na fase de grupos da LC e após uma vitória sobre o Porto, que colocou a equipa em 1º lugar. Acrescendo que já tinha jogado com dois adversários directos.”

    Esta análise faz sentido se excluirmos tudo o que aconteceu depois disso. foi a equipa que perdeu de forma vergonhosa contra o Belenenses, não foram os adeptos ingratos; foi a equipa que perdeu em casa com o Moreirense, não foram os adeptos ingratos; e certamente não são os adeptos, ou por sua culpa, que consecutivamente têm feito exibições paupérrimas na europa. Mas claro, se os adeptos mostram um descontentamento perfeitamente natural (como foi dito, o Benfica estava em primeiro e desbarata 6 (!) pontos contra os colossos Belenenses e Moreirense), aqui d’el rei que os adeptos são uns ingratos. pena não haver a mesma exigência para a equipa técnica que há para o comportamento de quem menos intervem no jogo.

    • Desculpa mas, até porque escrevi sobre isso, chamo-lhe contestação surreal porque começou a sê-la depois do jogo com o Ajax. Pareciam quase os tempo em que se despediam treinadores por não ganharem a TCE. Os jogos com o Belenenses e Moreirense já são reflexo e não causa.

      • O jogo do Restelo é paradigmático da tal “influencia de terceiros” e é, para mim, o sinal mais forte da crise em que Rui Vitória e o Benfica se encontra mergulhado. A crescente desorientação do Benfica, a partir do momento dos golos, com substituições incoerentes e que arrastaram a equipa para fora do seu plano de jogo demonstram à evidência o exposto no texto. A orientação técnica de equipa perdeu-se algures, ou perdeu a noção do seu caminho. E daí até à deriva no ultimo jogo foi uma bola de neve. Pergunto-me como será possivel dar a volta este caminho. Há 3 anos foi Jorge Jesus, involuntariamente (e com o apoio da Comunicação social) a dar a mão a Rui Vitória, mudando o sentir colectivo no clube. De onde pode vir semelhante ajuda agora?

        • Como venho escrevendo, toda a ajuda externa é efémera. Falei disso quando escrevi sobre a garra com que o Porto venceu a Liga, e sobre a garra com que o Benfica venceu o Porto. E, mais do que provado está, que assim o foi. Foi um balão de oxigénio que não dura sempre.

          A identidade não pode estar sujeita a factores externos. Se sabemos realmente quem somos não precisamos da aprovação ou desaprovação de terceiros para mostrar no campo essa visão de nós próprios.

          Não sabendo quem é, ficando na dúvida pelas acusações dos adeptos, o Benfica encontra-se, em primeiro lugar, numa crise de identidade. E esses balões de oxigénio externos nunca servirão para não se cair em dúvida lá mais para a frente.

          Sei que isto, hoje em dia, é menos tido em conta do que vários aspectos do treino e gestão das equipas. Mas num jogo em que a dualidade vitória/derrota está sempre presente, encontrar uma rocha onde assentes a tua identidade é, talvez, das coisas mais importantes. Sei que é vago e pouco objectivo (não posso dar soluções mentais e ideológicas a uma equipa e balneário que só conheço por fora) mas não deixou de estar presente em todas as grandes equipas que conheci. E se fizermos esse estudo vemos que a dependência sobre factores externos era bastante reduzida nessas equipas, ultrapassada por uma identidade quase inamovível.

          Em suma, será isso que falta não só ao Benfica mas a tantas outras equipas. E como se cria é muito único e individual para alguém dar muitos palpites sobre isso. Como diria alguém que goste de clichés: é uma oportunidade. Uma oportunidade para os jogadores perceberem que as massas estão com eles pela alegria que lhes podem provocar, ou tendo-os como bodes expiatórios para as suas frustrações. Qualquer minuto gasto a tentar agradar às massas é perdido. A reacção das mesmas (boa ou má) deve condicionar ao mínimo o jogo da equipa. E como disse no post, qualquer coisa neste Benfica é feito para ter de novo os adeptos ao seu lado. E esse é um caminho muito perigoso. Esse tempo devia ser usado para blindar e unir a equipa, independentemente de resultados ou opiniões. Só dessa força interior virá a tranquilidade para o bom jogo (e os golos marcados com joelhos ou virilhas) aparecerem.

          A maior parte do barulho vem de gajos que batem em cadeiras no próprio estádio, ou que partem mesas e tvs em casa. São assim tão evoluídos que a felicidade de uma equipa dependa deles?

  8. É uma perspectiva com argumentos frágeis e que me parece enviesada, acontece que as pessoas não são parvas e tomam decisões por razões concretas (ainda que possamos discordar). Que factores trouxeram a equipa até esta nervoseira completa? Os resultados, certo? E os resultados aconteceram, na maioria das vezes, por deficiências na forma como a equipa do Benfica se apresenta em campo. Ganhar sempre é impossível. Mas gostando muito ou pouco de futebol, percebendo muito ou pouco, quem acompanha com o mínimo de atenção já percebeu o que vale o treinador do Benfica. Já não há qualquer esperança em evolução, novas ideias, novas utopias, pelo contrário, quanto mais tempo passa menos rendimento/qualidade entra dentro de campo. É claro que, por exemplo, contra o Belém e até contra o Ajax (nos dois jogos), nem tudo foi culpa directa do treinador – não é este que falha pénaltis e que falha golos consecutivos com apenas o guarda-redes pela frente. Uma palavra para o Ajax: um jogador estratosférico (De Jong), outro com um potencial incrível (De Ligt), um pé esquerdo do outro mundo mas sem grande intensidade, infelizmente (Ziyech) e depois 20 gajos de classe média. Até o Labyad calça ali lol. E com algumas ideias interessantes – com bola, sobretudo – mas que não chegam para deixar de ser uma equipa pouco mais do que banal. Mesmo a roçar o patético (sobretudo na quarta-feira) o Benfica podia ter vencido os dois jogos. Teve oportunidades de golo suficientes para ganhar.

    • “Já não há qualquer esperança em evolução, novas ideias, novas utopias, pelo contrário, quanto mais tempo passa menos rendimento/qualidade entra dentro de campo.” Acho que isto é essencial para a contestação, já ninguém espera nada de especial do Benfica do Rui Vitória: é cumprir os mínimos e lançar miúdos. Transformaram uma equipa de futebol numa start-up.

      • Essa da start-up está bem metida 😀

        Mas há que ter algum cuidado. A estrutura trocou Jesus por Vitória. Este ainda assim segurou-se. E do que leio dos contestatários nenhum nome (possível) me deixa com grandes certezas. Parece-me berrar, metê-lo a andar e quem vier fará melhor. E depois talvez possa não ser assim…

    • Como já disse: pareceu-me lógico 1ue esta perspectiva fosse dada, porque RV, na pior das hipóteses, ficará ainda mais alguns jogos no banco. Isto não sou eu a defendê-lo. Para isso falem com o LFV. Isto sou eu a perspectivar o que tem de ser feito, nesta fase.

      Artigos de Rua Vitória ou Fica Vitória é o que mais há. O que ninguém tinha dado é a perspectiva mais realista e prática: ele não vai ser despedido; a equipa não aguenta a pressão externa; o que fazer em relação a isso?

      A contestação parece-me exagerada, como a maioria das contestações populares, porque não é construtiva. Na sua maioria é um atirar de nervos e ódio para o ar, sem qualquer tipo de lógica ou argumentos.

      Se me perguntares, RV não é um treinador que me diga muito. E concordo que lhe falta muita coisa, até, para ser o ser humano que ele acha que é (qualidade que ele pensa ter como inata e que pensa salvá-lo de todo o julgamento negativo). Mas esta não foi uma análise a um Benfica de RV que, ainda assim, pelo que consegiu no passado, pode muito bem ter o direito de tentar lutar pelo campeonato até ao fim e disputar uma Liga Europa mais ao seu nível.

      Tenho sempre muito cuidado em seguir estas manifestações colectivas de desagrado, desde que o Porto deixou fugir um treinador que garantia 80 ou mais pontos por época. Depois disso…

      • Acho o post muito interessante e, como dizes, realista. Rui Vitória não sai (pelos vistos). Para grande pena minha, não virá Vitor Pereira – e quantos benfiquistas teria este que conquistar por causa do seu passado no Porto?

        Há 3 anos, salvou-se Rui Vitória porque as “qualidades humanas” (em comparação torpe e surreal com Jorge Jesus) o aguentaram. Que agora as vá buscar é natural, visto que já deu resultado antes. No entanto, todos concordam que não chega. Penso que até o próprio concordará, de manhã, quando se vê ao espelho, antes de sair para ir trabalhar no Seixal. E é esse desacerto, essa insegurança, que se sente hoje nas conferências de imprensa e, por extensão, no campo.

  9. Não podia discordar mais.

    O Benfica perde com o Ajax na Holanda porque, mais uma vez, recua no terreno em vez de procurar a vitória.

    O modelo de jogo de Rui Vitória desrespeita os valores do Glorioso Sport Lisboa e Benfica.
    O seu estilo de comunicação, cheio de lugares-comuns e de desculpabilização, desrespeita os valores do Benfica.
    A ausência de trabalho nos treinos, desrespeita a história deste clube secular…

    É este desrespeito pelos valores do Benfica; especificamente “querer ganhar sempre, seja contra que adversário for”, que está na génese de tamanha contestação.

    Obviamente ninguém ganha sempre, mas a forma como se ganha (ou perde) também tem um peso que não é despiciente.

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