Pecados de Maurizio Sarri na queda de Jorginho

Elogiado por cá por diversas vezes, Sarri é um dos melhores treinadores do mundo e tem, muito provavelmente, um dos melhores modelos de jogo da Europa. No entanto, o seu modelo não pode ser tão fechado que não contemple comportamentos diferentes em função de diferentes estratégias por parte dos adversários.

No passado fim-de-semana, o Chelsea perdeu por 3-1, foi esmagado no jogo jogado, e deixou um pouco fugir o comboio do primeiro lugar, aos pés de um Tottenham muito bem preparado do ponto de vista estratégico. No momento defensivo, o Tottenham posicionou-se num 4-4-2 losango que colocou muita gente no corredor central. Uma das estratégias para este momento do jogo por parte de Pocchetino foi condicionar a entrada da bola em Jorginho, mas fundamentalmente nunca deixá-lo receber enquadrado e conseguiu-o com muito sucesso durante todo o jogo.

Surpreendeu-me o facto de Sarri não ter alterado o posicionamento de Jorginho no decorrer do jogo para que o médio pudesse ter mais protagonismo. Contudo, não é de agora que o treinador italiano se prende tanto ao modelo e ignora as dificuldades que os adversários lhe vão colocando quando a equipa está com bola. Aliás, nos tempos do Nápoles, isto já acontecera em algumas situações. Na minha opinião, a solução mais viável durante o jogo, mesmo que não trabalhada, seria de construir a 3 com Jorginho no meio dos centrais ou a receber num corredor lateral porque obrigaria Alli a ser arrastado e a libertar espaço entre a linha média e a linha avançada dos Spurs, ou seja, alterar alguns posicionamentos em função do posicionamento defensivo do adversário.

O que quero dizer é que tudo no jogo é mutável. Podemos ter a nossa ideia, a nossa forma de construir… mas se o nosso adversário nos pressiona de uma determinada forma que nos condiciona a nossa própria forma de construir, então temos que alterar, sob pena de “morrermos com a nossa ideia”, num jogo em que é fundamental mantermos-nos vivos. Um dos defeitos de Sarri é este! As equipas do treinador italiano não alteram a sua forma de atacar e hoje em dia, é fundamental perceber como o adversário se posiciona defensivamente, com quantos jogadores pressiona a nossa construção, como pressiona… para sairmos vivos de todos os jogos. Tudo é importantíssimo!

Como todos os treinadores, Sarri tem, também, defeitos. Para os corrigir terá de se “abrir”, no sentido, de preparar a sua equipa ofensivamente não só em função da sua ideia, mas também em função do jogo! E o jogo sou eu – tu – nós e eles. Nunca apenas o “eu”.

Jorginho que tem uma média de 118 acções por jogo ao longo dos últimos 20 jogos, teve apenas 65 acções no jogo de Londres! Para além de ter tido no total das acções, a percentagem mais baixa de acerto das últimas vinte partidas.

3 Comentários

  1. Mais do que posicionar Jorginho noutras zonas onde fosse capaz de fazer o seu jogo, Sarri não deveria ser capaz de fazer a sua equipa aproveitar os espaços criados pela marcação individual a Jorginho?

  2. Eu também iria privilegiar una construção a 3 mas com Kanté entre os centrais. Preferia colocar o Jorginho uns metros a frenet a médio interior direito e fazer cair o jogo para o lado de Kovacic e Hazard. Com Ali fora da zona central iria encontrar igualdade numérica do lado de Hazard e quando assim é…

  3. Foi um jogo muito interessante apesar de não ter visto com a máxima atenção: duas grandes equipas, dois grandes treinadores e um jogo muito vivo, o Tottenham mais na estratégia e o Chelsea um pouco perdido pela forma como foram condicionados em toda a linha. Fortíssimo este Tottenham/Pochettino e o grande, fantástico Sarri a precisar de mais jogos destes na cabeça.

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