Arjen quem lhe-a Robben

Nada famoso é o histórico dos clubes portugueses no temível Allianz Arena. E, mesmo com condicionantes fortes no seu momento actual, nenhum conjunto português conseguirá sonhar, sequer, com a total imposição do seu jogo no terreno do colosso bávaro. Poder-se-ia dizer que o Benfica não encontraria melhor momento para pontuar no já mítico estádio de Munique, mas os números de Champions (competição onde os colossos costumam afastar fantasmas internos à custa de emblemas mais despreparados para os ambientes de alto nível) continuam favoráveis a um Bayern que, mesmo em crise interna, continua muito superior a este Benfica. Não só por tudo o que consegue criar para si próprio, mas também pela incapacidade encarnada em levar o jogo para onde poderia melhor escapar às óbvias superioridades dos bávaros.

Poucos pontos de contacto haverá entre o conjunto orientado por Rui Vitória no final de 2018 e a equipa do FC Porto que acabou por perder, desastrosamente, a possibilidade de em 2015 chegar às meias-finais da Liga dos Campeões. Mas ao ver o Benfica que se apresentou em Munique, foi difícil não nos lembrarmos da primeira decepção que desde o primeiro jogo de Lopetegui ao comando dos dragões nos foi dando pistas de que o espanhol estava uns furos abaixo do que a Liga portuguesa necessita para oferecer o seu troféu. Falo dos laterais, mais propriamente no seu posicionamento na saída-de-bola. Conservador, este Benfica foi, nesta terça-feira em Munique e num jogo que precisava de ganhar, praticamente igual na sua saída-de-bola àquilo que Julen Lopetegui (ainda) preconiza. Laterais quase ao nível dos centrais e inevitável encurralamento sempre que a bola lhes chega. Começou aí a derrocada de um Benfica que se apresentou em Munique para esperar pelo erro adversário, esquecendo que mais rápido o adversário encontraria os seus.

Questionado que foi Rui Vitória, na antevisão deste Bayern-Benfica (5.ª jornada do Grupo E da Liga dos Campeões), sobre a possível alternância entre sistemas, respondeu o treinador das águias que não discutiria isso em público porque poderia causar confusão no adversário. E o problema de Rui Vitória é que a alternância entre sistemas parece causar mais confusão ao próprio Benfica do que aos adversários. Isto é, dado que Jonas acabou por ser substituído aos 60 minutos, fica patente que na mente de Rui Vitória o Indiana nunca seria a solução para impedir a saída-de-bola dos bávaros. Sem pressão adiantada e condicionamento da primeira fase-de-construção nunca o Benfica poderia tirar partido do mau momento da equipa de Niko Kovac. Ao invés, esperar que o Bayern pudesse ter tempo para ir imaginando a forma de ferir o Benfica foi um erro que, incompreensivelmente, as equipas portuguesas continuam a cometer em jogos deste género.

E se a bola não se consegue manter no meio-campo ofensivo – seja pelo problema ‘lateral’ já referido, seja pela incapacidade de a manter entre-linhas no corredor central – sem a pressão referida acima, qualquer intenção de um bom jogo na casa de um colosso é… pura ilusão. E enquanto não forem permitidas armas-de-fogo para ferir jogadores, tudo será mais difícil para defesas que tiverem de enfrentar um Robben inspirado. O que para Pablo Escobar Gavíria seria macabramente fácil, continua a ser extraordinariamente difícil, por mais que se repita que Robben faz, e fará sempre, o mesmo movimento. Está no timing, entre ir para dentro e o chutar, o segredo para os dois golos que desbloquearam a maneira de o Bayern levar de vencido um Benfica que já tinha encurralado na sua área. E aquilo que o brilhante Odisseas foi, e vai, impedindo não é suficiente para que o génio de Robben, a superioridade de Lewandowski e a tentativa de Ribéry cantar ‘anything you can do I can do better‘, não aparecessem para vandalizar o (pouco) que resta da identidade e mentalidade que levaram, ainda há poucas épocas, o Benfica a fazer um excelente jogo no Allianz (e em seguida na Luz). Ficou patente que nem com um a encostar e mais dois na dobra, a bola nunca seria do Benfica. E se assim era, em nenhum dos três corredores, ou pelo ar, também não o seria. Algo que nem o fogacho de Gedson, com o imperial Jonas a demonstrar que se a equipa jogar ele não se apaga, conseguiria mudar.

Bayern Munique-Benfica, 5-1 (Robben 13′ e 30′, Lewandowski 36′ e 51′, Ribéry 76′; Gedson 46’)

12 Comentários

  1. Pois é Laudrup … para efeitos de exibição nada do que aconteceu em Munique foi surpreendente. Já o resultado foi pior do que o previsto, mesmo tratando-se do Benfica, quando a goleada até poderia ter sido mais severa (ainda bem que não foi). Para agravar a expectativa de um confronto desequilibrado pelo futebol quase-insignificante / totalmente medíocre que este Benfica pratica, o Bayern conta por empates e derrotas metade dos jogos que fez na Bundesliga, contexto que faz (e fará) os seus jogadores actuar na Liga dos Campeões mais descontraídos e inspirados, vista a oportunidade para esquecer(em) por momentos a competição doméstica. Niko Kovač resumiu o jogo de forma perfeita, em declarações à televisão do seu país: “Este era o jogo e o resultado que precisávamos, o Benfica veio na altura ideal, agora temos de nos concentrar na recepção ao Mainz que será incrivelmente mais difícil. (Satisfeito?) Muito satisfeito. Fomos dominadores, o Benfica não existiu, estamos a 45% do nosso potencial.” Na mesma toada, Arjen Robben: “Não fizemos um jogo perfeito mas os nossos adeptos mereciam uma festa bonita. Uma palavra para o Benfica que trabalhou muito para não sofrer mais. Temos de ser solidários, mas hoje fomos Bayern.” Amigos, estais recordados quando há pouco tempo no Benfica (adeptos e não só) se usaram em anos consecutivos de duas finais Europeias perdidas para desconsiderar / manchar / denegrir o trabalho absolutamente fenomenal duma equipa técnica comandada por um treinador genial que mais do que voltar a fazer do Benfica um grande tornou-o dominador? Pois claro, agora têm o que merecem, que é exactamente igual ao que tinham antes (e depois) de Jorge Jesus: um rotundo nada. Lamentavelmente, sem qualquer intenção de achincalhar (mais) uma prestação desta equipa, também é preciso recordar que após os tempos longínquos de Vigo, de Paulo Bento, de Toni ou de qualquer uma das várias deslocações do FCP de / do bom Jesualdo ao terreno do Arsenal, só mesmo o actual Benfica nos mostra uma equipa portuguesa fazer tão pouco e perder por tantos, o mesmo que já se vira esmagado em Dortmund (4-0) em 2016/17. Esperemos que na quinta-feira Marcel Keizer se revele capaz no Azerbeijão de anular o desprestígio construído pelo Benfica que mais uma vez abalou o futebol português.

    O Sporting já está a caminho de Baku.

      • P. Breitner, levou os encarnados a duas finais Europeias e coleccionou exibições em eliminatórias memoráveis (Estugarda, Turim e não só / muitas outras) com uma regularidade só ao alcance de treinadores especiais.

        • Caro MM, é precisamente por ser Jorge Jesus tão competente, que mais se nota quando lhe falta a ambição!

          Nesse aspecto, Jorge Jesus e Rui Vitória são demasiado parecidos. Rui Vitória sentir-se, não apenas feliz, mas realizado, por perder por apenas por 1-0 frente a Guardiola em Munique, e Jorge Jesus a sentir-se o mesmo no final do jogo com o Real Madrid, lá, quando o adversário só começou a jogar nos últimos minutos, você acha isso saudável?

          Falemos especificamente de JJ. Já no primeiro ano de JJ, frente ao Liverpool, lá, vê-se a passividade e frouxidão da equipa. Frente ao Leverkusen, que horror, eu fiquei a partir de dada altura a torcer pela outra equipa – sim, existem adeptos de clube que também são adeptos de futebol. Já no Sporting – desculpem-me por ir agora a uma competição nacional mas é uma coisa tão forte -, Bruno Fernandes faz à sua chegada uma série de exibições formidáveis, numa delas ganha o jogo sozinho, e o treinador, que faz? Fica furioso por perder protagonismo, vê-se mesmo nas suas palavras no final do jogo, e a seguir tira-o da posição.
          JJ é um treinador brilhante que com uma mão desfaz o que faz com a outra; devora-se a si próprio.

          Quem o quer de volta, contenta-se com pouco.

          • Nada (na minha desinformada opinião, já que não conheço JJ de lado algum) sugere falta de ambição. Falta de realismo, talvez, mas não de ambição, e também não creio que ele se sentisse satisfeito por perder por 1 em Madrid ou noutro lado qualquer. Tem ‘graça’ que como não-adepto do Benfica a eliminatória que mencionou com o Liverpool deixou uma marca positiva e é um dos momentos que recordo, deixando perceber que o Benfica iria readquirir (já tinha nessa altura readquirido, sem surpresa dado que o trabalho de Jesus levava meses de vida) as competências para não só deixar de ser uma equipa patética na Europa (como até então tinha sido) mas uma equipa que iria chegar às fases finais das competições Europeias que disputasse, especialmente ajudada pelos jogos caseiros e pela atmosfera do seu estádio, um que naturalmente se motivava por prestações empolgantes no relvado. Caro P. Breitner, recorda-se do jogo em casa com o Lyon? Um numa altura em que Carlos Martins ainda jogava com alguma regularidade. Foi mais ou menos parecido com essa recepção e vitória sobre o Liverpool. Futebol ofensivo de muita qualidade, bem-fazer, e muita emoção no relvado e fora dele. Foi um Benfica muito bom, em Portugal e na Europa. No ano seguinte, sim, Jesus derrotou-se a si próprio, quase-literalmente, já que o SC Braga que o eliminou na meia-final da UEFA era ainda o SC de Braga de Jorge Jesus, como mais tarde se viria a perceber aquando da passagem de Domingos pelo Sporting.
            Não consigo localizar essa situação de Bruno Fernandes. Não acompanhei a última época de Jesus no Sporting uma vez que nada naquele Sporting me interessou / interessava, por motivos estranhos ao seu treinador.
            Voltando à referência da falta de ambição, a diferença de Jorge Jesus para outros (99% de todos os outros) é que ele ‘oferece’ legitimidade às aspirações dos clubes por onde passa, quaisquer que sejam, capacitando as equipas que treina para disputar qualquer jogo e qualquer resultado em qualquer campo. Rui Vitória não tem essa capacidade. Nem Sérgio Conceição. Nem o Keizer a terá. O máximo que estes podem fazer é produzir uma equipa organizada para vencer em Portugal, mas nunca na UEFA. Já Jesus fê-lo em Braga (e antes disso nos Belenenses), no Benfica, e no Sporting. É só rever o Milão vs. Braga, o Real Madrid vs. Sporting, ou o Dortmund vs. Sporting. No mais, o Benfica (clube de Portugal) não tem qualquer obrigação de vencer em Madrid ou em Munique, mas um Benfica treinado pelo mestre Jorge Jesus pode passar uma eliminatória frente a estes clubes e jogando fora-de-portas dará / daria boa conta de si.

            Eu espero que regresse ao Benfica, não pelo Benfica se tornar mais forte (tornar-se-ia) mas para que actue no campeonato PT, que é onde J. Jesus deve estar.

    • Deve ser deve, ainda há meses atrás o FCP levou cinco batatas do Liverpool. É engraçado o teu amor pelo JJ, de repente tornou-se uma coisa platónica quando até uma certa altura o desprezo era total. Agora o JJ serve para justificar tudo e o seu contrário. Escreves muito mas não alegras ninguém. É preciso recordar ainda que o JJ, que é muito mas muito melhor treinador do que o Vitórias, também coleccionou diversas patetices nas competições europeias, sobretudo na Champions (com Schalke, Lyon, Hapoel Telavive e por aí fora). O facto de se recorrer constantemente à comparação para denegrir uns e atacar outros é quase sempre sinal de falta de argumentos. O Rui Vitória não é mau porque o JJ é melhor. O Rui Vitória é um treinador fraco porque tem uma perspectiva do jogo que não serve para determinado nível. É tudo demasiado banal.

      • E. A. do Nascimento, compreendo que há coisas difíceis de ler mas eu não joguei em Munique, não fiz nenhuma exibição ridícula, não fabriquei o resultado final, e não fui eu que destruí o potencial que o Benfica tinha (e não tem mais) de realizar campanhas muito boas nas competições Europeias. Evita por isso negativismo desnecessário e ofensas fúteis e sobretudo poupa-te de (tentar) iniciar diálogos nesse tom insolente e inconsequente, apesar de insultuoso, quando nada te obriga a comentar as opiniões de outros. À falta de meios para seres bem-sucedido, não vás por aí. Em conteúdos (que é o que importa), ninguém afirmou que ‘Rui Vitória é mau porque Jorge Jesus é bom’. Ninguém afirmou (sequer) que o primeiro é ‘mau, tenha isso o significado que tiver. Tal não se traduz na impossibilidade de relacioná-los e de compará-los, não por Vitória e Jesus se encontrarem umbilicalmente ligados mas por um ter sucedido ao outro no comando técnico do Benfica, e também por terem num par de épocas disputado os mesmos títulos / as mesmas posições na tabela. Essa é razão suficiente para relacioná-los. Pensa antes de abrir a boca.

      • Faltou dizer, ou como mera nota: Duelos em 2019/20 e em 2020/21 — tanto por lugares na tabela como em frente-a-frentes — entre um Benfica de Jorge Jesus e um Sporting de Maldini seria qualquer coisa de épico, tanto para os respectivos clubes como para o campeonato português, muito mais do que duelos Jesus VS Mourinho, como mero exemplo, ou termo de comparação, uma vez que se falou de treinadores ‘diferentes’ e ‘especiais’, presente e passado, e sem que tal sugira que Mourinho ainda o seja. Ou até Jesus, para esse efeito (‘especial’), porque o homem já deve ter mais de 70 anos e às vezes as pessoas mudam muito em muito pouco tempo. O cenário traçado pressupõe que Jesus conserva as competências exibidas até ao final de 2017/18.
        Logicamente, a referência a Maldini em nada belisca o mérito e a brilhante capacidade de análise de Laudrup quando este texto se viu escrito pelo último e é o texto que neste momento comentamos.

  2. Tanta incompetência e ignorância. Esquecem se de 2 pormenores. Na 1 mão perderam o bayern perdeu 3-1, por isso na 2 mão entraram com a força toda.2 Ponto no Allianz o porto jogou com 2 centrais adaptados porque os titulares cumpriam castigo. Se calhar por isso na saída de bola nao subiam. E o Benfica jogou com o pior bayern das últimas 2 décadas. Nao são treinados por guardiola

  3. O Bayern é um colosso, não há dúvida, esteja numa fase menos boa ou não.
    Mas o Benfica tem que fazer mais, mesmo ali. Entra em campo a saber que a Liga Europa está garantida e que ali só ganhando é que poderia ser mais feliz.
    Tinha uma estratégia mas a partir do momento em que sofre um golo e dois…, tem que mudar algo com ideias consistentes.

    Aqui estou eu a criticar o RV porque de facto o Benfica está francamente mal. Neste momento parece não haver ideias que se mostrem em campo.
    Mas mais uma vez digo, isto não me leva a só criticar o RV e a só elogiar o JJ, em comparação.

    Há várias formas de pôr as coisas e de apresentar argumentos para servir as nossas ideias. Aliás, esse cada vez mais é um lugar comum; ter uma conclusão à partida e precipitar a escolha de argumentos que a servem, em vez de olhar friamente para o máximo possível de detalhes que apoiem a análise e só depois retirar uma conclusão.

    Coloco aqui mais alguns detalhes e questões que me parecem muito importantes para que a comparação RV / JJ possa ser feita com mais abrangência:

    Última época do JJ no Benfica. Benfica em último lugar do grupo da Champions. Alguém dirá, ‘mas não tem nada a ver, esse grupo era muito mais equilibrado com o Mónaco, o Leverkusen e o Zenit’. Pois era, mas no grupo atual temos um dito colosso, o Ajax que está ao nível dos adversários do dito grupo de 2014/15 (com os quais “tanto se poderia perder como empatar” como foi dito aqui na altura) e até ver o Benfica ganhou o que podia ao clube mais fraco.
    Em 2014/15 levou um baile de bola muito maior que ontem quando visitou o Leverkusen.
    Será que está pior este ano na Champions do que esteve em 2014/15?

    Mas isto não me leva a querer apagar que na época passada foi mau de mais na LC para ser verdade. Muito mau mesmo!

    Por outro lado ainda, quantas vezes passou o Benfica do JJ a fase de grupos da Champions e quantas vezes passou o RV em menos anos?

    Mas claro que o desempenho do JJ na Liga Europa em dois anos após ter descido da Champions foi muito bom, algo que não temos ainda termo de comparação entre eles e que sinceramente me parece este ser um mau ano para que tal seja favorável ao RV.

    E no campeonato? É ou não um facto que o JJ só ganhou campeonatos em anos em que a concorrência direta não estava a altura?
    Jesualdo, Paulo Fonseca e Lopetegui.
    O Jesualdo estava habituado a que fosse mais fácil e facilmente foi apanhado completamente surpreendido.
    O Paulo Fonseca, tendo qualidade, deu o salto talvez cedo de mais sem apoio claro da direção do clube e sem reforços à altura.
    O Lopetegui, tendo reforçado bem a equipa, para mim, até ver, tem perfil de formação ou de selecionador e não tem perfil para sistematizar diariamente uma equipa destes patamares.
    Nos anos AVB e VP, foi o que foi. No ano AVB, tanto o JJ como o Benfica estavam deslumbrados e cometeram erros graves. Nos anos VP, se não me falha a memória, o JJ ganhou vantagens de 7 pontos que desbaratou num repente nas jornadas que antecederam os confrontos diretos com o rival.

    Será que o RV conseguiu ganhar 2 campeonatos em 3 anos contra melhor concorrência do que o JJ conseguiu ganhar 3 em 6 (desde o RV ganhou os 2 contra o próprio JJ)?
    O RV, ao longo de 2 épocas e meia teve altos e baixos, a segunda época teve até momentos muito bons, na época passada fez a tal alteração para 433 com o Krovinovic que funcionou muito bem, mas alguma coisa não pode estar bem quando não se consegue transportar de ano para ano o que de bom se faz. E se alguém não consegue transportar o seu próprio bom trabalho de um ano para o outro, como é que consegue transportar o trabalho que não é dele?
    Seguiu a estratégia da direção de transportar jogadores da formação para a equipa principal não tendo tanto investimento em jogadores quanto o JJ teve, mas sabendo que perdeu o Penta por pouco (em especial por ter tentado jogar para o empate com o rival direto como também tentou sem sucesso o JJ umas vezes) e mesmo sabendo que há uma espécie de ‘tiro ao Benfica’ desde o início da época passada, este ano teria que saber imprimir atitude e não está a conseguir.
    O RV, se ainda tiver tempo, ou tira um coelho da cartola e entrega rapidamente resultados convincentes (vitórias a jogar bem) ou perde (se não perdeu já) o controlo da psique do coletivo e depois provavelmente já quase nada haverá a fazer com ele.

    O JJ ajudou o Benfica a chegar a outro patamar. Não me parece que o RV o tivesse conseguido fazer se tivesse ele tido essa oportunidade em 2009.
    O JJ teve vários vacilos e estava a começar a a tornar o Benfica cada vez mais previsível e por isso mais dependente das individualidades. O RV também começa mal todos os anos e lá vai conseguindo compor a coisa, mas desde a época passada que os percalços começam a ser grandes demais.

    A minha conclusão, até ver, é a que já aventei em comentários noutros posts recentes, tendo em conta também o projeto que o LFV já anunciou por várias vezes (assumindo também que concordo convosco sobre a dificuldade na parte de ganhar uma champions, até pela ausência de ritmo competitivo aquele nível quando se joga em pt):

     RV / JJ, dos dois fazia-se um – porque um é melhor tecnicamente e outro é melhor a gerir a comunicação e a criar mapeamentos entre a estratégia da direção, o scouting, a formação, etc.

     Sendo, tanto quanto se sabe, impossível dos dois fazer um, está na hora de olhar para alternativas com o perfil certo, porque penso que uma eventual aposta no JJ poderá ser boa para para ganhar um campeonato por exemplo, mas mal isso aconteça, volta o rei na barriga e as quezilências que só irão atrapalhar o projeto de fundo, a não ser que o homem tenho tomado o xarope da humildade pelas arábias (e só se for de efeito bastante duradouro, diga-se).

    E porque acho muito melhor ter dúvidas conscientes do que achar que tenho certezas absolutas, pergunto,
    Que nomes alternativos se podem colocar com o perfil em causa?

  4. Nota importante para completar:
    Um parece melhor tecnicamente, mas não parece ter abertura/capacidade para um modelo adaptativo.
    O outro parece não ser tão bom a sistematizar (a operacionalizar, como ele disse ontem), mas já demonstrou entender a lógica adaptativa, que pela falta de sistematização se torna titubeante.

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