Os desafios das marcações individuais – A difícil vitória do Sporting

Pela segunda semana consecutiva, o Sporting voltou a revelar dificuldades em ataque posicional para contrariar as marcações individuais por parte dos adversários. O Nacional de Costinha apresentou-se em Alvalade com marcações individuais em todo o campo e com isso condicionou a entrada em zonas de criação pelo corredor central, o que provocou inúmeras dificuldades ao Sporting em ataque posicional.

Para quem procura ligar o seu jogo com as costas dos adversários como o Sporting de Keizer procura fazer, as referências individuais são a forma de defender ideal para retirar os espaços entre sectores porque é impossível alguém que recebe a bola não o fazer de costas, se o adversário marca individualmente. Perante isto, o Sporting nunca se conseguiu adaptar às dificuldades impostas pela equipa de Costinha e a equipa leonina foi incapaz de criar pelo corredor central e quando tentava, tinha sempre alguém a pressionar pelo lado cego, o que causava desconforto e perdas sucessivas da posse.

Esta forma de defender da equipa madeirense exigia soluções diferentes ao Sporting em ataque posicional. Atacar contra adversários que defendem com marcações individuais exige comportamentos diferentes daqueles que se têm quando se defronta uma equipa defende de forma zonal.

Não é fácil contrariar esta forma de defender, é preciso que exista uma preparação estratégica assente em acções ofensivas que promovam a criação de espaços por dentro e por fora. Assim, na minha opinião, é fundamental existirem contra-movimentos (pedir no pé e atacar a profundidade ou vice versa), trocas posicionais que obriguem os adversários a deslocarem-se para espaços desconhecidos e claro, arrastamentos para que se criem esses espaços que referi.

Mais garra do que inteligência no triunfo do Sporting que necessitará, ainda, de crescer bastante no seu momento ofensivo, sobretudo precisará de se preparar estrategicamente para este tipo de defender, isto é, de criar rotinas diferentes para as diferentes formas de defender de cada adversário…

 

Sobre Pirlo 62 artigos
Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

9 Comentários

  1. Curiosamente, naquele golão do Nani, que vocês até falaram aqui:

    https://www.lateralesquerdo.com/2018/11/29/para-la-da-maravilha-de-nani-a-criacao/

    o Sporting resolveu muito bem essa situação… infelizmente deu para ver agora que foi circunstancial e não trabalho do treinador…

    Não percebo como não se usaram os apoios frontais como em Baku… talvez o Nacional tivesse melhor preparado… pq nesse jogo na Europa isso foi uma constante!

    Excelente perspectiva que nos mete a pensar! Inclusive para diferentes perspectivas de diferentes autores?! Continuem a fugir à manada, pessoal!

  2. Aqui os defesas so têem que continuar seguir em frente com a bola até que o adversario seja obrigado a fazer pressao e ai sim a marcacao individual é perdida. O penultimo lance mosta isso mesmo com o Coates a permitir desmarcacoes.

  3. Completamente! Afinal essa “maravilha” veio das circustâncias, ou do individual … e não da mão do treinador! porque neste video apresentado agora, não se vê um único jogador em posição de receber de frente para o jogo, o 2o passe! Sendo o 1o para o apoio frontal…

  4. Pirlo,

    “Assim, na minha opinião, é fundamental existirem contra-movimentos (pedir no pé e atacar a profundidade ou vice versa), trocas posicionais que obriguem os adversários a deslocarem-se para espaços desconhecidos e claro, arrastamentos para que se criem esses espaços que referi.”

    Completamente de acordo… mas também, o que é dito pelo Leonel:

    “Aqui os defesas so têem que continuar seguir em frente com a bola até que o adversario seja obrigado a fazer pressao e ai sim a marcacao individual é perdida” …

    se o defesa progride até chamar opositor directo do colega, o colega fica livre…

    ou… como no tal golo do Nani… que pode ter sido casual, ou fortuito, o movimento do Wendel… “aproximação de um 3o elemento que possa receber a bola de frente”

    são basicamente 2 das coisas mais importantes em ataque posicional – o homem livre, e o 3o homem…

  5. Eu penso que a diferença neste jogo foi de apenas um jogador. Ou melhor, a falta de um jogador: o Wendel. A diferença entre a inteligência/leitura de jogo do Wendel e a do Bruno César é enorme e que fez falta neste jogo. Bruno César sempre muito estático e sem oferecer soluções de passe (tal como Wendel fez no golo do Nani, ao desmarcar-se da marcação HH).

    E penso que também foi essa a leitura do Keizer, ao meter o Miguel Luis que conseguiu arranjar linhas de passe e alternativas de jogo (inclusive, libertou Bruno Fernandes para jogar mais à frente sem grandes “preocupações”), algo que Bruno César não conseguiu/consegue.

  6. Nem tudo está bem, nem ofensivamente nem defensivamente, onde continuam a permitir demasiado a adversário mais fracos:

    Este nível de eficácia tem tendência a baixar a aproximar-se no “normal”…

  7. Foi esta garra que faltou ao Sporting de Jesus em muitos momentos.

    Estou curioso para ver a reacção da equipa e mexidas tácticas que o treinador possa fazer após os primeiros resultados negativos.

  8. Os desafios são que esta abordagem pode fazer sentido pontualmente – e mesmo assim tenho dúvidas – mas é insustentável no médio-longo prazo e mesmo ao longo de 90 minutos. O Nacional foi mais forte com bola do que sem bola. O Sporting mostrou muitas dificuldades no processo defensivo: a quantidade de vezes que apareceu gente no corredor central de frente para o jogo, sem contenção, foi absurda. Especialmente na primeira parte. Mas o Nacional sofreu cinco como poderia ter sofrido sete ou oito – e marcado mais um ou outro também. Foi um jogo giro.

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