Categoria, catálogo e cataclismo

Não estará, certamente, tudo dito sobre Mourinho, sobre o seu momento e sobre a sua passagem por Old Trafford – que ontem findou. Mas nas minhas poucas tentativas de perceber o que se passou utilizando a opinião de outrém por via de jornais, blogs ou redes sociais, parece que sim, que está tudo dito. Porque já não é corajoso, porque já não assume o jogo, porque defende ao homem, porque isto e por aquilo que por outras palavras quererá sempre dizer: porque não é Guardiola.

Muita análise a preto e branco e pouco ênfase nas especiais condições que Mou encontrou ao comando dos red devils. E essas, que Sir Alex cheirou como um porco de trufas antes de se retirar, nunca seriam debeladas por uma direção que não confiou no Special One. Foram, assim, bem constantes as críticas de Mou aos seus superiores, depois de uma primeira época de objectivos mínimos conseguidos. Fossem as infra-estruturas, fosse a falta de condições de topo, ou, mais importante, as negas nas contratações, tudo serviu para anunciar o divórcio ontem consumado. O tal que o pobre futebol apresentado bradava assim que não se vislumbrava mudança.

Contudo, Mourinho, acreditem, foi o primeiro a reconhecê-lo. Assim não fosse e ele não criticaria constantemente os seus jogadores e a sua direcção por não lhe dar intérpretes que pudessem mudar aquilo que Van Gaal, Moyes e os últimos anos de Ferguson, (des)caracterizaram. E para jogar e tentar ganhar como uma equipa que fez dele um ‘ungrateful bastard’ Mou teve de mudar método e abordagem para tentar esconder debilidades que, acreditem, seriam mais visíveis se Mourinho tentasse uma abordagem mais Guardiolista.

Sem definição de topo, decisão de topo, magia, criatividade e o motto ‘cães de caça sem ela (a bola)’ foi traumático ver José Mourinho passar por azelha para ficar de frente para o jogo com várias unidades que, ainda assim, pouco descanso lhe garantiam. É fácil dizer que o United deveria ter jogado mais (e devia) mas é fácil esquecer o desastre que foi a 1.a época de Guardiola ao serviço dos cityzens. E como corrigiu Pep o falhanço na estreia? Com métodos, diferentes abordagens mas, sobretudo com milhões (muitos mais do que aqueles que tornaram Mourinho em Chourinho) que lhe permitiram escolher jogadores por um catálogo que se adequasse totalmente na insistência do seu (excelente e extremamente evoluído) modelo.

Quebra, por falta de lógica, a ideia de que Mourinho devesse insistir na posse, como se por magia ou wishful thinking, isso fizesse com que os vários cepos que tem na equipa ganhassem pés e visão de Iniestas. E como o desastre da 1.a época de Guardiola provou, não bastam quatro ou cinco para bailar como Pep gosta. E eu sinceramente, no United, vejo mais gente com paralelos a fazer de pés, do que propriamente os quatro ou cinco constantemente invocados na já longa série de ‘Mourinho tem de ser Pep’.

E quando a ideia se tenta sobrepôr ao momento e condição, a análise a preto e branco acontece. Sim, Mourinho deve evoluir. E Mourinho deve achar onde está a sua responsabilidade, e transcender a birra por não ter acesso ao catálogo que faz os outros estarem passos à sua frente. Mas não se ver a incompetência que reina num clube outrora dirigido sabiamente, é uma atrocidade para alguém que, mesmo tendo errado bastante, ‘só’ tem que achar de novo a diferenciação que o tornou especial. E essa é muito mais do que a constante crítica que molda tudo à volta do jogo que gostamos e torna as críticas a Mou enfadonhas como a 1.a época de Guardiola no City. Vítor Pereira também tentou ‘tocar, tocar, tocar’ com uma equipa de árvores. E o que lhe aconteceu em Munique não foi bonito. É tempo de nos apercebermos, como Miguel Cardoso em Nantes, que nem sempre dá. É que a beleza de uma ideia na mente é sempre ‘melhor’ do que a realidade de alguém que está por baixo. E quem a faz não tem de passar pela ‘maçada’ de a trazer ao físico. Não quer isto dizer (antes que me acusem de ser avençado de Mou) que o próprio não pudesse ter arranjado melhores formas de retirar mais de um plantel que o decepcionou profundamente. Duvido é que ele quisesse estar mais tempo num clube onde não lhe satisfaçam a sua vontade. E, na sua cabeça, para reconstruir aquele United seriam sempre precisos muitos mais milhões do que aqueles que gastaram consigo. Talvez Florentino seja mais amigo. Não quer isto dizer que, para mim, esses milhões fossem  a solução. Mas quem contratou Mourinho (e quem contrata Pep) tem de contar que para haver categoria tem de haver catálogo.

PS: ao esquecer-me que os meus textos não são tão populares como uma série que segue em formato maratona, esqueci-me também, no meu último post, de (re)lembrar que o meu apreço por Rui Vitória anda longe de me poder incluir na sua lista de defensores. Fosse a minha regularidade, no LE, maior e o texto que visou a crítica dos adeptos do Benfica à sua equipa não seria, de forma alguma, interpretado como algo que tenta esquecer as debilidades que a equipa já demonstrou várias vezes. No entanto, quem por aqui escreve tem a boa tendência de procurar o todo. E naquilo que os adeptos ‘jogam’ e podem controlar (e é bastante, acreditem) mantenho que a feroz crítica que rodeou a equipa do Benfica não foi a forma mais evoluída de a defender ou de a fazer crescer. É por isso ridícula a acusação de que alguém aqui possa seguir uma cartilha imposta por um clube que, no meu caso, me diz muito pouco. O que não me impede de ter opiniões que possam ser consideradas como sendo em ‘defesa do Benfica’. Porém, todas as opiniões que aqui dei, ou darei, terão o foco na defesa do futebol e não de um qualquer clube ou cartilha. Fica a ‘mea culpa’ de ter achado que estava presente a lembrança de eu ter, várias vezes, aqui e noutros sites, ter criticado ferozmente Rui Vitória – achando ingenuamente que estava mais que sabida a minha opinião sobre o futebol do treinador e até sobre a sua condição como ser humano (da qual não sou um confesso admirador pela constante fuga à realidade que resulta num constante atirar de areia para os olhos). O que não me impede de concordar com ele: no início da época esta equipa mostrou ser capaz de conseguir os registos que fizeram de RV bicampeão. Bem sei que não é suficiente para agradar à exigente massa adepta, mas a reacção a essa falta não foi, a meu ver, equilibrada o suficiente para resultar naquilo que os adeptos querem: melhor futebol. Pelo contrário, castrou totalmente a confiança de um colectivo que já tinha as falhas que todos sabemos. Não foi a principal causa, mas também não é de ignorar. Fica a ressalva.

31 Comentários

  1. Mais uma vez, os extremos… o “fracasso” da primeira época de Guardiola? Ele que entrou com uma série de mais de 10 vitórias seguidas, e perdeu para um
    Chelsea que não competia na Europa? Comparar se a melhor época do united do Mourinho com a pior do city do guardiola deve ser um exercício curioso

    E a equipa de cepos… então o alexis que era inclusivamente desejado pelo guardiola agora é um cepo? O matic deixa de ser um dos melhores médios defensivos da Europa só porque está no united?

    O Mourinho não precisava de ser um guardiola, mas
    Para o estilo que preconizou (e chegou a concretizar em Madrid e Milão ) tinha matéria prima para
    Mostrar muito mais.

    • Mais uma vez atiram-se dois ou três nomes para a mesa para se fazer parecer que toda a equipa é boa. O texto preveu isso é nem assim se livrou de comentários desses. Quando assim é, pouco há a fazer ou, neste caso, a responder.

      • Lamento, mas pegar apenas em parte do que refutei (a exagerada ideia de que o united tem um plantel de cepos) também não é a maneira mais correcta de lidar com uma opinião discordante.

        Mas se o problema foi ter referido apenas dois ou três nomes, não seja por isso:, não acho que Martial, Mata, rashford e alexis sejam cepos, e no que toca ao lukaku, que não gosto, é no Mourinho que vai a responsabilidade de ter feito questão de p trazer a troco de 85 milhões (!). Juntando a isso uma dupla como pogba e matic ( perfeitos para o que o Mourinho preconiza), mikhitarian (não Faço a mínima
        Ideia como se escreve perdão), un guarda redes do nível do de gea, um central com as características (tão pouco exploradas) do lindelof… bem sei que vais dizer que não rivaliza com o que o guardiola, (ou mesmo klopp e Sarri) têm, mas dá para mais que o que tem sido apresentado.

        • Martial e Rashford não são mais que banais no capítulo da decisão. Jogar com eles por dentro, por exemplo, e com a reação à perda de Mata (este sim, um bom jogador) e a falta de vontade de Pogba, seria um convite a levar umas poucas de goleadas. Se nem com onze de frente para a bola se livrou de uns bons bailes, seria giro ver jogadores desse calibre a entregarem bolas ao adversário e a deixarem avenidas no corredor central.

          Obviamente o United devia jogar melhor. Ferguson fugiu, Moyes foi natural que não conseguisse, Van Gaal foi o que se viu. E Mourinho, pelo que leio, percebe menos de bola do que criadores de blogs e editores de jornais. Ninguém se deu ao trabalho de tentar perceber porque ‘jogou’ assim?

          Se no Porto jogou em posse, no Chelsea mais em transição, no Inter um misto e no Real também, sempre com ideias mais ou menos evoluídas para a época (Tirando jogos com equipas superiores, leia-se Barça de Rijkaard e Barça de Pep), decidiu jogar mal em Old Trafford.

          No Chelsea com o mesmo dinheiro revolucionou um plantel, que pôde ser escolhido a dedo. Hoje com 100 milhões compras alguém como Pogba e com 75 alguém como Lukaku. Noutros tempos, aposto, pegava numa vassoura e limpava aquilo tudo. Hoje com 120K compra dois jogadores… no Chelsea isso deu para quantos?

          O problema do United chama-se há muitos anos mediocridade. Algo que será resolvido quando 50% deste plantel sair, fazendo entrar outros 50% com real categoria, ambição e qualidade para jogarem com aquele símbolo ao peito.

  2. Por isso é que foi buscar dois claros alvos do Guardiola, que já estavam certos (Alexis e Fred) e os transformou naquilo que são hoje? Dois jogadores que brilhavam no City, Mou relegou para o banco. Ele comprou, e gastou tanto quanto os outros. 160 Milhões na primeira época, 179 Milhões na segunda, 74 Milhões esta época (o Alexis foi de borla mas é o mais bem pago da Premier pq o Mourinho lhe deu um super contracto). Ele teve o dinheiro mas gastou-o mal. Já não tem mãos para isto, e saber comprar faz parte de ser treinador.

    • O texto diz que os milhões talvez não fossem a solução para o seu autor, diz também que há bastante responsabilidade própria de José Mourinho. Em suma oferece aquele que penso ter sido a ideia de Mourinho para se defender com uma equipa que sempre achou incapaz para os seus moldes habituais, e junta-lhe a crítica a quem acha que a solução para tudo é copiar Pep. Isto é o texto, o mesmo que diz que foram gastos muitos milhões, com uns quantos tiros ao lado, mas que na cabeça de Mourinho muitos mais haveria a gastar para o United voltar ao seu padrão habitual. Na cabeça de Mourinho, repito.

  3. Brian Laudrup, a tempo de fazer um balde de café e de consumir uma análise que gosto muito tanto no conteúdo como na forma, tal como já gostara da fabricada por Pedro Espinha, ângulo ou vários ângulos que brilham e com os quais não estou em harmonia, embora subscreva o respeito e a admiração que envolvem as tuas palavras e que sentes pelo J. Mourinho. Antes disso, se me permites o desnecessário conselho: Não te justifiques à plateia (qualquer que seja) e muito menos à plateia do Benfica que como todos sabem jamais se notabilizará pela decência e pela racionalidade. Lia há pouco mais uma notícia de um crime violentíssimo (que incluiu a tentativa de violação de um idoso) cometido por dois adeptos que no regresso de Vila Real aterrorizaram umas quantas pessoas de uma pequena localidade vizinha de São Pedro do Sul, indivíduos drogados que motivados pela sua crueldade e pela tendência de praticar o mal e motivados também por mais uma exibição sofrível da ‘sua’ equipa se lembraram de queimar telhados e matas e de maltratar gente inocente que dormia a meio da noite. Outrossim, não precisas de dizer que não és acérrimo defensor de Rui Vitória sempre que exprimes apreço pelo actual treinador do Benfica. Não te justifiques dessa forma e não lhes dês essa satisfação porque o grosso da massa adepta acéfala que te lê não a merece, quando isto é válido tanto para adeptos do Benfica como os do Sporting.
    Em José Mourinho: Em três pré-temporadas gastou fortunas (tal como já fizera em Madrid) quando o resultado do seu trabalho são equipas cujo futebol é nada menos do que miserável. Independentemente do seu estado mental, de motivação (ou falta dela) e de problemas familiares que possivelmente o limitam, Mourinho tem capacidade para fazer muito melhor, não me referindo a sextos lugares ou a resultados de taças mas à inaptidão das suas equipas para jogar futebol por cinco minutos que fosse. Os resultados espelham simplesmente essa incapacidade. Não é tolerável assistir a um jogo do Manchester United quando existem outros treinadores que com aquele exacto grupo de jogadores produziriam certamente um futebol com muito mais qualidade. É assim tão simples.

    • Agradeço o conselho e segui-lo-ei à medida que a resposta às tentativas seja infrutífera. Até lá toda a gente me merecerá uma oportunidade. Sei que nem sempre estarei certo e que a minha visão é limitada, mas essa é a nossa condição como seres humanos. Não me aborrece minimamente a discórdia, mas não deixarei de desafiar os filtros das pessoas que me lêem.

      Consigo respeitar a tua opinião sobre o United. Só não acredito que José Mourinho seja o incompetente que a maioria acha que ele seja. Cresci a ver o Man Ute e s larga maioria deste plantel não tem qualidade para jogar em Olá Trafford. E os cinco, seis que toda a gente refere não chegam para destruir a Premier. Vai daí, Mourinho teve de arranjar maneira de não ser batido facilmente- e mesmo ficando de frente para a bola ou renunciando a ser batido no corredor central (pela incapacidade da larga maioria do plantel poder jogar por lá) nem assim ficou confortável defensivamente. E isso diz muito sobre a falta de United Standard daquela equipa. Com culpa própria e responsabilidade para reflexão, mas sem 100% de culpa ou inabilidade como atiram. Está é uma abordagem e não desculpa totalmente o seu insucesso. No texto nem tudo são rosas para Mou.

      Forte abraço, continua desse lado 🙂

      • “Só não acredito que José Mourinho seja o incompetente que a maioria acha que ele seja.” Mas isso nem se questiona e por isso é que no texto anterior referi que basta ele assinar por um clube qualquer de topo para imediatamente deixar quase toda a gente na expectativa de que fará qualquer coisa de inesperado e distinto, tal como fez no FC Porto, Chelsea e Inter, especialmente se entrar um clube / pegar numa equipa debilitada. Isso só acontece porque para nós Mourinho será sempre muito especial, desconsiderados chavões mas usando-o porque neste caso faz sentido. A única coisa que digo é que essa substância é anterior a 2010 e daí para cá é muito complicado louvar o futebol das suas equipas, quando até conquistou campeonatos em Espanha, em Londres e uma Liga Europa em Manchester. Poderemos especular o porquê mas o aparecimento de P. Guardiola terá possivelmente alguma influência no contraste entre as equipas de Mourinho pré e pós 2010, qualquer coisa do género (em termos simplórios): ‘A minha equipa nunca jogará o que a tua joga por isso dedicar-me-ei a construir o antídoto para o teu Barcelona’. Consigo imaginar este processo mental, um que não é muito saudável. 8 anos depois, em Manchester, os problemas serão certamente vários porque o insucesso é quase sempre o resultado de diversos factores que se conjugam. E o sucesso, também. Subscrevo o teu desgosto por esta equipa do Manchester United ao nível do perfil do grosso dos jogadores que a compõem, quando o ‘manager’ tem obviamente responsabilidades olhados os 3 orçamentos colocados à sua disposição em 3 momentos diferentes quando é ele que escolhe e recruta os jogadores que tem à sua disposição. Relembro ainda que no final da 2ª época o clube prolongou-lhe o contrato por mais 3 anos. Daí, teria cautelas em afirmar que a direcção não está com ele (evidentemente não sei se está ou se não está). Hey, possivelmente Mourinho saiu porque quis — é uma hipótese, quem sabe. Segundo a imprensa a família nunca se mudou de Londres para Manchester, ele vivia / vive num quarto de hotel, pouco socializava com as pessoas do clube, não exibe um sorriso ou qualquer traço de felicidade, treina uma equipa que joga um futebol miserável sem qualquer perspectiva que melhore, quando já não falamos de um jovem treinador de 40 e poucos anos mas de um individuo de 55 anos exposto a crises pessoais relacionadas com o envelhecimento e a sua própria decadência. Tudo pesará. Laudrup, muitas vezes as pessoas perdem simplesmente a perspectiva. Acontece nos mais diversos tópicos. Hoje somos uma coisa, amanhã seremos outra. É a vida. Ninguém apagará os memoráveis feitos do / o futebol praticado pelo seu brutal FCP em 2002/03, idem (mas menos) para 2003/04, tal como ninguém esquecerá que se sagrou campeão Europeu ao serviço do Inter, um triunfo numa medida grande mais difícil de alcançar relativamente à liga dos campeões que ganhou na Invicta, já que o FCP é um clube bem mais forte e compacto do que o Inter. Mourinho será sempre especial, nenhuma dúvida, mas para tal temos de obrigatoriamente fazer uma viagem ao passado. Hoje existem infelizmente (para Mourinho) treinadores bem mais ávidos de ver as suas equipas jogar bom futebol e que não perderam a perspectiva nem o entendimento das coisas também (imagino) porque nunca ganharam o que ele ganhou e não têm a experiência que ele tem. Muita experiência pesa, peso que nem sempre é positivo. Ou que não é positivo para sempre, assim é que é.

        Um abraço grande Brian Laudrup e um Natal muito feliz ou agradável para os teus e para ti.

        • Concordo com muita coisa, especialmente a parte que Guardiola trouxe uma evolução que Mourinho (ainda) não conseguiu apanhar. Um pouco como a evolução que Mourinho trouxe da qual Wenger ficou a léguas.

          Durante uns tempos, podemos trazer e estar alinhados com a mudança que é necessária. Mourinho trouxe e esteve alinhado com muita coisa de nova e transcendente nos 00’s. Concordo que o que Guardiola agora traz ao jogo é muitíssimo superior. É que isto não é só receber. E Mourinho está pouco interessado em dar ao futebol, mas sim continuar a receber a glória que recebeu enquanto portador da novidade necessária à evolução do desporto.

          Daí eu falar na necessidade de se realinhar com aquilo que o faz especial. E isso será sempre muito diferente daquilo que faz Guardiola especial. Daí, também, a crítica a quem pensa que Mourinho devia jogar em posse porque achamos que essa é a melhor forma de jogar o jogo. Longe de mim achar que a maneira como o seu United jogava era a melhor (cruzes, credo!) mas dada a sua deslocação e desapontamento com a equipa… foi a possível para evitar aquelas que seriam imensas goleadas em contra-ataque. Imaginar a maioria daqueles troncos a jogar em posse pelo corredor central só está ao alcance de um wishful thinking bem-disposto. E se juntarmos a gritante falta de disponibilidade na reacção à perda, não seria difícil imaginar um despedimento ainda no 1.o ano. E nisso concordo com José Mourinho. Pode ser que ele um dia explique isso melhor que eu 🙂

          Um grande abraço e boas festas, MM 🙂

      • “Não te justifiques à plateia (qualquer que seja) e muito menos à plateia do Benfica que como todos sabem jamais se notabilizará pela decência e pela racionalidade.”

        ya, não sabia que nosso senhor dá inteligência e urbanidade apenas aos adeptos não-benfiquistas. Gostava era de saber como faz no estrangeiro. sois quem nem seixos.

        • O Mourinho apostou recentemente na periferia do futebol: ao invés de criar, impede. À jogada corrida, opôs a jogada de bola parada e o contra-ataque. Ao pequenino génio criativo, o latagão que bloqueia ou cabeçeia – Fellaini é agora o seu tipo de jogador. Tão longe estamos da dupla Damien Duff & Arjen Robben do seu início inglês. Às vezes, torna o futebol em andebol, quando coloca a sua equipa a defender na linha de grande área; outras vezes torna-o em basquetebol, nos cantos e livres.

          Ao MM entregue-se o prémio FPF1966. Se a Direcção da Federação Portuguesa de Futebol fez muito mal ao ceder o direito de jogar no-estádio-que-servia-de-casa à Inglaterra, em troca duns milhares, também o lixo que o MM vomita (com uns elogios para disfarçar) ajuda a afastar o pessoal das competições que a acima citada organiza. Futebol português, estou a começar a gostar de viver sem ele.

  4. Não consegui ler até ao fim. Que enjoo. Bah. A forma como se manipulam argumentos e como se atacam as opiniões contrárias são típicas de quem defende o indefensável. O Mourinho falhou e falhou redondamente no United, seja qual for a perspectiva. Porque não há ali nada que se salve e também não foram os empregados de café que rebentaram quase 300 milhões no Pogba e no Lukaku e mais 50 e tal no Fred – falar na falta de investimento do clube que mais gasta em salários no mundo é patético, é um argumento que não cola em lado nenhum. E isto não tem nada a ver com o passado, muito menos com o futuro. São factos indesmentíveis, caldeados por uma actuação no espaço público (em privado não faço ideia) por vezes desastrada, para dizer o mínimo. Apenas isso.

    • Edson, respeito a tua visão. Mas acho que os nomes que referes provam que Mourinho queria jogar melhor. Têm muita culpa é uma delas é a de não conseguir retirar o suficiente de jogadores que lhe seriam úteis. Mas com o mercado como está, mandar embora todos os cepos e trazer gente de valor resultaria num investimento brutalíssimo. Há esse lado da história , sendo que as coisas não são tão a preto e branco.

      Abraço

  5. «Não te justifiques à plateia (qualquer que seja) e muito menos à plateia do Benfica que como todos sabem jamais se notabilizará pela decência e pela racionalidade.»??
    Esta frase diz mais sobre quem a escreve do que propriamente sobre a plateia do Benfica.

  6. Laudrup:

    Em geral gosto dos teus textos e em particular, apraz-me que consigas (concorde-se ou não) com lógica e de uma forma bem estruturada dar uma visão “defensora” do Mourinho num momento em que, como se costuma dizer “quando o leão está moribundo, até o burro lhe dá um coice”.

    No entanto, não pretendendo atacar gratuitamente Mourinho (e ser eu próprio o burro que dá o coice ao leão), coloco a seguinte questão: não há claramente um antes e um depois na carreira de Mourinho? Eu colocaria a faixa divisória ali no final do primeiro ano de Real Madrid…

    Julgo que, não obstante a verificação dos argumentos (válidos) com que se defende Mourinho, não será alheio à deterioração (à falta de melhor palavra) da sua performance um certo “aburguesamento” na condição. Isto porque, pegando num “argumento-contra” dos mais fáceis, as contratações levadas a cabo por Mourinho a partir de certo momento consistiram em autênticas sangrias aos cofres dos clubes por onde passou e, não obstante poderem revelar uma intenção de praticar o tal bom futebol (reconheço que assim será), a verdade é que o efeito das mesmas não foi o desejado e não pode estar apenas relacionado com factores externos.

    Correndo o risco de acrescentar só mais um argumento de discussão de tasca, vou fazê-lo: julgo que Mourinho achou genuinamente que se conseguiu o que conseguiu com matéria-prima inferior a tantos adversários – o que é inegável – com dinheiro para gastar seria imparável…e não foi.

    Com isto quero dizer que não se pode descontextualizar o homem dos que o rodeiam. Se eu vou aceitar o argumento segundo o qual a culpa não é só dele (e não é, de facto), ao reconhecer-lhe o extremo mérito em momentos passados e por uma questão de coerência, tenho que “exigir” que a parte que lhe compete seja melhorada e Mourinho parece não perceber isso. Aliás, a glória que ele procura (vide comentário supra do Laudrup sobre dar e receber) não cairá do céu como nunca lhe caiu…

    Mourinho nunca será Mancini, Ranieri, Benítez, Spalletti ou Ancelotti (citando, na minha opinião, os treinadores mais sobrevalorizados que não sei bem porquê conseguem sempre grandes contratos/oportunidades), mas para estar junto de Guardiola, Klopp, Tuchel ou Sarri (só para falar nos seus contemporâneos) tem que fazer mais, exigir mais e também de si mesmo.

    • Concordo absolutamente. Há um antes e um depois e fixo esse ponto no aparecimento da melhor equipa que vi jogar: O Barça de Pep.

      A partir daí a camisola amarela passou para as mãos de outro e começou uma crise ideológica que teve influência nos trabalhos seguintes. Se não decolou completamente as chances de competir com Pep, a ida para um United cheio de jogadores vulgares (muitos ainda dos tempos de Moyes) separou-os completamente.

      • Mas ele conseguiu bem mais e melhor em plantéis recheados de outros tantos jogadores também “vulgares”…:) Será que Guardiola surgiu como autêntica «nemesis» de Mourinho, transtornando-o ao ponto de lhe limitar o pensamento e a criatividade? Então Mourinho que se liberte dessa obsessão que não o leva a lado nenhum. Se assim é, duvido que Guardiola se preocupe com Mourinho na mesma medida em que este se preocupa com o primeiro. Se assim é, estamos perante o CHILDISH ONE!

  7. Desculpem mas a cru, e sem mais, considerando o que Mourinho quer do jogo, sem completamente despropositado “tem que jogar à Pep”, foi mau, medonho. Chegou a um cúmulo inacreditável.

    O plantel.Acredito mesmo que seria possível fazer diferente dentro do estilo que queria. Há que soltar, tirar algum gozo do jogo, equilibrando, claro. Há qualidade ali. Mas há que arriscar alguma coisa.

    Amarras a mais, preocupações a mais que petrificam todos e os paralisam. E medo, muito medo. Num registo que nem retira o que realmente pretende do jogo.

    Muita gente, muitas pernas apenas para encher e tentar trancar. O defender coletivo, a forma como o praticam chegou a um caos. Pânico a cada esquina.

    Não acredito que não tenha tido palavra a dar em parte do plantel. Pouca estaleca de vários sim, mas com suficiente para ter outro carácter e confiança.

    Pior que tudo isto é ouvir Mou no fim. Pensará mesmo o que diz?! Orgulho no pouco, nos minutos, que ainda consegue fechar e negar aos Grandes?! Negar, negar, é esse o seu troféu atual? Assustador. Mas vai repetindo abordagem, degradando ainda mais.

    Um travo azedo de vaidade decadente. Agarrado ao muito que fez, mas que já não é. Voltará?!

  8. Laudrup, o mais fácil é ver o que fará o Solskaer com a mesma equipa. Mourinho alienou toda a gente com o seu estilo truculento e belicista, dentro e fora de campo. Assim não dá.

    • Amua facilmente. Sempre assim foi mas hoje mais. No entanto chegou com aspirações naturais a dar tudo pelo clube e sentiu -se traído por outros que podiam dar o mesmo e não quiseram. Já outros (Algo a confirmar, como dizes, com Solskjaer) nem que quisessem dariam mais – e esses compõem a maior parte do plantel

  9. Mil coisas poderiam ser ditas sobre o United do Mourinho ou sobre o próprio Mourinho.

    Gostava apenas de perceber que justificação lógica haverá para a utilização contínua de um jogador como fellaini no meio campo ou, pior, para uma utilização frequente dele a PdL?

    Faz alguma sentido usar fellaini? Como enquadrar essa utilização com o lema deste fantástico blog? O que diferencia Mourinho de um qualquer treinador da distrital que mete um pinheiro na grande área e dá instruções para se jogar directo?

    Obrigado

    • Da mesma maneira que passam comentários a dizer que o texto é uma merda, que o autor tem de deixar de lamber os tomates ao Mourinho, ou com links para textos onde dizem que o LE é uma merda.

      Qual é o problema? Faz deles verdade?

      • A sua resposta é tão cheia de vida quanto um bife tártaro ou o ataque do Liverpool do J.Klopp, e como tal é igualmente capaz de deixar uma pessoa feliz.

        Deixe-me todavia dar-lhe uma justificação para o desagrado; não lhe posso chamar um argumento porque tem como base não apenas a lógica, mas também a sensibilidade, ou se quisermos as susceptibilidades e circunstâncias pessoais, cuja generalização requer outro tipo de habilidades que não a lógica.
        Sai assim: entre o seguidismo dos adeptos pelas acções de atletas, treinadores e (mais criticável de dar atenção) outros responsáveis dos seus clubes, a prática do insulto aos adeptos e funcionários dos outros clubes, e a corrupção dos reguladores do futebol, dentro e fora do campo (o que para um treinador não pode importar pois já tem tantas variáveis a lidar que não pode acrescentar outras que ainda por cima saem fora do seu controlo), não resta muito espaço para um adepto senão, não só pôr uma mola no nariz, mas também partir para outros campeonatos.

        Este é um blogue de treinadores, os vulgares adeptos como eu não devem ter poder decisório mesmo que indirecto (isto é influência via popularidade). Todavia, acho que a longo prazo, e fora da internet, vocês devem estar atentos à perda ou ganho de adeptos do espectáculo. Já não digo o histórico de outros web sites (não necessariamente sobre futebol) em função da variação da actividade moderadora, porque vocês tem o direito de pensar e fazer diferente, e de facto essa é a grande beleza do post do Brian Laudrup.

        Hmmm, seria interessante uma comparação entre o futebol dos dois irmãos Laudrup, para ilustrar como, talvez partindo de uma visão comum, adaptaram o futebol às suas diferentes características pessoais?

    • Pedro, não se apoquente porque palavras não ferem, quando não me dirigi a si ou a quem quer que fosse, e o mesmo aplica-se aos adeptos do Sporting, mencionei-o, por ser verdade, e não por pretender achincalhar o benfiquismo lembrando o Sporting para parecer que se espalha o mal pelas aldeias (como um parvo qualquer lá mais acima sugeriu). Vós, adeptos, generalização, significando a generalidade / a maioria, são uma coisa completamente medíocre. Se não fosse verdade eu não o diria, não significando isso que o teor da mensagem é verdadeiro por ser eu a dize-lo.
      Outra coisa: Jamais viria para aqui com pedidos encapotados de censura. Sentiria vergonha de mim próprio se algum dia o fizesse. Shame on you.

      • Deves ser novo por estas bandas, o Maldini orgulhava-se de censurar certo tipo de comentários, tanto quanto sei o blog ainda é dele, não é preciso ser muito inteligente (afinal de contas sou benfiquista) para perceber que o teu comentário só passou porque no meio da ofensa aos adeptos do Benfica elogiaste o Laudrup.

  10. Comecei a ler todos os comentários e sinto me um bocado mau ao ver o nível que se chegou aqui, desde insultar adeptos do Benfica (cujo eu me incluo) até ao próprio autor do post que tem todo o direito de exprimir a sua opinião. O Lateral Esquerdo não é isto. Sempre me dirigi aqui para aprender um pouco mais acerca do desporto que amo independente da cor futebolistica e não para ser insultado ou ver rebaixadas opiniões completamente válidas de outros. Deviam rever bem os comentários deste post. Saudações.

    • Encaro os comentários como uma revelação da perspectiva de cada um e não como qualquer tipo de verdade absoluta. Não me aborrecem minimamente, até porque a minha intenção é sempre procurar e dar mais lados das histórias. Há quem pense que já está tudo dito. E com opiniões fechadas, abanar o status quo aborrecerá sempre. Problema de quem se aborrece ao ver mal no Mundo por causa de alguém ver outra coisa qualquer

  11. Sinceramente, há opiniões, subjectividade, preferências.
    Mas aqui, sinceramente… resta alguma defesa possível para Mou?! Tudo tão mau. Mesmo pensando no seu registo. Horror o que se viu.

    • Se leres de novo o texto encontras N referências ao pobre futebol. Não foi uma defesa mas sim outro (possível) lado da história.

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