Curtas de um Clássico em que um não conseguiu e o outro nem tentou

Num clássico extremamente mal jogado como já vem sendo hábito entre os três grandes, o domínio do jogo foi repartido com o Sporting a ser ligeiramente superior na primeira parte, embora sem praticamente qualquer acção que o pudesse guiar à vantagem e um Porto mais forte que o Sporting na segunda parte.

  • Primeira parte marcada por uma ligeira supremacia leonina, expressa numa maior capacidade de ter bola, sobretudo nos últimos 15 minutos. Mas cujos poucos momentos em que poderia ter colocado em sobressalto o FC Porto, a surgirem apenas aos solavancos;
  • Surpreendentemente, o Sporting optou pelo controlo em organização defensiva. Posicionados num 4-4-2 clássico, o Sporting demonstrou-se organizado defensivamente, a proteger bem o corredor central e a retirar sempre a profundidade que o Porto tanto gosta de explorar;
  • FC Porto esteve sem soluções para incomodar o Sporting em ataque posicional, muito por demérito próprio. Foi um FC Porto com poucas ideias, optando constantemente pela bola longa ou pela procura da profundidade e vivendo dos desequilíbrios individuais de Brahimi;
  • Mesmo com algumas trocas posicionais entre Marega, Soares e Corona durante a primeira parte, o Porto revelou muitas dificuldades em ligar o seu jogo de forma apoiada e paciente;
  • Sem bola, como já é habitual, a equipa de Sérgio Conceição posicionou-se num 4-4-2 clássico que condicionou muito bem a saída curta sportinguista, obrigando Renan a jogar longo constantemente;
  • Sporting seguro na sua transição defensiva, não por melhorias no modelo ou comportamentos, mas porque optou por ficar recuado e subir com poucos, precavendo a perda principalmente por ter mais jogadores aptos para defender, por estarem atrás da linha da bola. Na segunda parte, com o jogo mais partido, a equipa leonina permitiu mais transições ofensivas ao Porto
  • Na segunda parte, um Porto superior ao Sporting fruto também da entrada de Oliver e da mudança táctica. Mais critério com bola e ainda, maior capacidade para sair em transição ofensiva;
  • Assustador a quantidade de passes falhados ao longo de toda a partida. Inúmeros erros técnicos e más decisões provocaram um jogo menos bem jogado. E numa partida em que o Sporting optou por não pressionar, sobretudo o FC Porto poderia ter demonstrado outros argumentos para invadir os espaços defensivos leoninos;
  • Resultado justo no primeiro jogo na Liga do Sporting sem sofrer golos, mas à custa de abdicar totalmente de tentar vencer, contra um Porto sem criatividade em ataque posicional. Sporting mais longe do titulo, num jogo de muita luta, muitas faltas, e pouca qualidade. Será preciso recuar vários anos em Portugal para se ver um clássico bem jogado…
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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

2 Comentários

  1. Foi bastante mau, e é muito por causa destes jogos que Sérgio Conceição não causa grande impressão, isto para quem só vê o FCP jogar nos jogos grandes (como é o meu caso). Só na época passada jogaram algumas 5 vezes, para as 3 competições, e só no Dragão para o campeonato (2ª volta) o FCP jogou à bola (e o Sporting de Jesus também, perdendo por 2-1 no final). Nos restantes 4, prestações muito pobres. Ora, não é preciso ver o FCP jogar em todas as jornadas para se perceber ou pressentir que foi um campeão justíssimo em 2017/18, nenhuma dúvida sobre isso, tal como o será na corrente época, novamente, mas no fundo é isso … nos jogos grandes o FCP nunca convence.
    Quanto ao Sporting, muito público nas bancadas, estádio belíssimo, um ambiente e uma hora muito boa para se jogar, e um empate a 0 / uma não-derrota porque jogou em Alvalade, e só por isso, mas jogando em Alvalade nunca esteve perto de ganhar porque não tem argumentos para tal. Ainda assim, gostei de Wendel. Tem qualidade e tem personalidade. Não fez um grande jogo mas é provável que nas circunstâncias certas se revele um jogador acima da média.

  2. O momento mais bonito do jogo foi aos 70 minutos quando cantaram o nome do Glorioso. O desporto devia ser isto; adversários em concordia nas bancadas que com uma atitude de grande humildade e desportivismo, lá reconheceram quem é o maior de Portugal. Obrigado Dragartos!
    Uma palavra de apreço pelo discurso do Keizer. É bom ver um treinador honesto e verdadeiro de vez em quando, que vê os mesmos jogos que nós.
    Já o outro, com tanto frontal, é estranho que caia sempre de cara no chão (para nao dizer aquela palavra começada por m).
    Moral da historia: Se os VARes tivessem feito o trabalho durante o campeonato, e que fácil era, lá tinhamos o Porto em 4º, o Frontal já não era o que parece ser e o Vitoria ainda lá estaria.

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