Em transição matas, em transição morres – Porto na Final

Num jogo equilibrado, o Porto conseguiu vencer um Benfica, que cresce de jogo para jogo, com golos somados em momentos cruciais, e que ditaram o apuramento portista para a final da Taça da Liga.

  1. O Segundo golo do Porto surgiria logo após o golo do empate da equipa de Bruno Lage, o que poderá condicionar mentalmente os jogadores
  2. O Terceiro golo surgiria em transição ofensiva, num momento em que o conjunto benfiquista estava até a ser superior no jogo com mais bola e instalado no último terço ofensivo

Poderia falar da pressão alta que fizemos ao Benfica na primeira-parte que provocou erros consecutivos na sua construção e até chegamos ao primeiro golo após um momento de pressão.

Sérgio Conceição

Ao longo da primeira-parte, o Porto foi altamente pressionante sobre a construção do Benfica, à imagem do que tinha feito em Alvalade, colocando a equipa de Lage bastante desconfortável na construção e incapaz de chegar ao último terço em ataque posicional pelo chão, tal como o próprio treinador encarnado na conferência de imprensa após o jogo. Curiosamente, o próprio primeiro golo da partida surgiu após um momento de recuperação em zonas altas.

Surpreendentemente, e ao contrário do que havia feito nos últimos jogos e do esperado para este jogo, o Benfica optou por pressionar a construção portista ao longo de todo o jogo para evitar que a equipa de Sérgio Conceição ligasse o seu jogo desde trás. O FC Porto abdicou na maioria das situações de não ligar curto, mas nos momentos em que o fez, existiram algumas perdas em zonas comprometedoras que deram origem a transições com ataques rápidos do Benfica… e quase sempre perigosos!

Num jogo marcado pelas correrias constantes, com especial relevo para a 1ª parte da partida, naturalmente que, os momentos mais em foco foram os das transições. O Porto sentiu muitas dificuldades após a perda, concedeu um espaço enorme nos corredores laterais e acabou por sofrer um golo num momento em que estava na sua transição defensiva. Poderia, porém, o Benfica ter aproveitado melhor as oportunidades que os azuis e brancos concederam sair em transição ofensiva. Não fosse a falta de eficácia encarnada nos momentos pós recuperação, e poderíamos estar a falar de outro desfecho no resultado final!

O futuro é como o jogo do gato e do rato, em apenas um jogo de futebol… adaptar mudanças tácticas para reagir ao teu adversário. Na Liga Europa do ano passado, fomos a Hoffenheim [Braga venceu na Alemanha 2 a 1]. Eles começaram em 5x3x2, e mudaram para um 4x3x3 durante o jogo. Nós começámos num 4x4x2, e terminámos num 5x4x1 para combater o que nos estavam a provocar.

Abel, na entrevista ao The Coach Voice

Num jogo cada vez mais táctico e estratégico emerge a necessidade de surpreender o adversário não só no que concerne ao plano inicial, mas durante o próprio jogo. As constantes mudanças de sistema durante a partida e até de dinâmicas, como forma de enganar a oposição são fundamentais para maximizar as possibilidades de sucesso das equipas, principalmente em jogos de nível próximo. Mas, desengane-se quem pense que tal poderá ser executado com qualidade sem trabalho prévio.

Durante a 2ª parte, ambas as equipas alteraram de sistema para atacar com mais gente, no caso do Benfica, ou para defender com mais pernas atrás da linha da bola no caso dos campeões nacionais. O FC Porto conseguiu controlar o jogo sem bola após a mudança para o 4x1x4x1.

Em Transição Ofensiva marcou o FC Porto, depois de os encarnados por más definições não terem mudado as agulhas da partida, quando em tal momento tiveram situações em número suficiente para o fazer.

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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

5 Comentários

  1. Isso é tudo muito bonito, mas uma das transições rapidas que dás como exemplo, primeiro golo do Porto, a recuperação de bola é feita através de falta, por isso é injusto considerar essa jogada como exemplo quando a mesma devia ter sido logo parada! Eu sei que o intuito deste blog não é esse, mas é impossível analisar o nosso futebol neste momento pois o mesmo está doente!!! Dizes que o Benfica poderia ter aproveitado melhor as transições rápidas, o que é certo é que até chegou aproveitar, mas não valeu.. Por uma decisão de arbitragem que em nada beneficia quem gosta do verdadeiro futebol. Por culpa do árbitro o resultado deste jogo é falso e por isso qualquer análise que se possa fazer em lances que não deviam existir não faz qualquer sentido! Desculpa, é triste, mas é a verdade!

    • Este tipo de comentários, num blogue que fala e bem de futebol, é ridículo para não dizer absurdo.

      A falta de critério na identificação do momento da queixa que faz é altamente parcial, pois o jogo já estava doente desde o pênalti na assinalado a Corona que, num movimento inteligentíssimo ataca o espaço de Rúben Dias e ganha posição, provocando Rúben o contacto que impede Corona de progredir e finalizar

      • PDuarte por favor deixa de usar as palas e fala no bonito jogo de futebol que houve esta semana entre dois grandes clubes. Pena o VAR estar em modo azul, mas de resto ja se sentia saudades de ver um jogo de bola assim.

  2. Do meu ponto de vista o Benfica foi um pouco anjinho no 3º golo sofrido. Com 3 jogadores perto do Soares e ninguém encosta ou o deita a baixo. Até pode “soar” mal, mas é assim que se matava logo um possível contra ataque, e é exatamente dessa forma que o Porto para contra ataques todos os jogos (e não estou a criticar esse facto).
    Depois cabe ao árbitro agir disciplinarmente como assim o achar, mas o jogador nunca pode estar naquela situação e fazer assim o passe.

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