Abordagem e Estratégia – FC Porto

Porto, 10/11/2018 - O Futebol Clube do Porto recebeu esta noite o Sporting Clube de Braga, no Estádio do Dragão, em jogo a contar para a 10ª jornada da I Liga 2018/2019. Sérgio Conceição ; Abel Ferreira (Miguel Pereira/Global Imagens)

No Dragão, na primeira meia final da Taça assistimos a um duelo de identidades bem vincadas. Com algumas alterações estratégicas, o Porto venceu justamente um Braga competente e que, a espaços, foi criando dificuldades ao FC Porto, embora o resultado transpareça uma grande supremacia portista sobre o conjunto bracarense.

“Pressionamos de uma forma um pouco diferente da que temos pressionado a construção adversária.”

Sérgio Conceição

À habitual construção a 3 do Braga, o Porto preparou uma pressão ligeiramente diferente da que costuma exercer sobre a construção adversária. Estrategicamente, colocou os alas mais altos num primeiro momento de pressão, de modo, a condicionar a saída pelos centrais de fora e uma possível ligação da construção pelos corredores laterais. Ao mesmo tempo que isto ia acontecendo, Otávio e um dos médios encostavam nos dois médios do Braga para impedir a ligação por dentro. Naturalmente, foram surgindo dificuldades para o Braga ligar a sua construção porque manteve a sua forma de construir (3+2) durante o jogo todo quando deveria ter modificado para obrigar a equipa de Conceição a reajustar-se.

O Braga de Abel optou por pressionar a saída curta do Porto com a linha defensiva bem alta, sobretudo na primeira parte. Em zonas mais baixas, a equipa bracarense posicionou-se no seu habitual 4x4x2 clássico com uma nuance estratégica para controlar a dinâmica ofensiva portista no corredor esquerdo, colocando Wilson Eduardo a controlar a largura defensiva numa linha defensiva de 5 quando Telles aparecia projectado.

Nos últimos três jogos, temos assistido a um Porto mais capaz em ataque posicional que promove mais saídas desde trás e chegada ao último terço de forma conjunta. A juntar isto, o excelente momento de Oliver e Corona beneficia imenso a dinâmica ofensiva portista. É, portanto, uma equipa com um jogo mais apoiado e menos físico, sem descurar a forte capacidade de aproveitar a profundidade.

No passado jogo em Tondela, Conceição decidiu mudar a forma como a equipa portista inicia a construção para uma saída a 3 com Herrera no meio dos centrais e a juntar Oliver a Otávio nas costas da primeira linha de pressão (3+2) que permitem uma maior largura e profundidade dos laterais. Ontem, o Braga sentiu muitas dificuldades em controlar a entrada da bola nas costas da linha avançada ou nas costas dos médios porque o posicionamento de Otávio na construção criou o engodo aos médios bracarense. Se saiam para pressionar Otávio e Oliver, a bola entrava nas suas costas. Caso contrário, a bola entrava nas costas da linha avançada e os médios ficavam de frente. A isto juntaram-se os diferentes movimentos entre-linhas e na profundidade (contra-movimentos colectivos) e a mobilidade no corredor central que aumentavam a entrada da bola no espaço entre sectores do Braga.


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Sobre Pirlo 66 artigos
Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

4 Comentários

  1. Pirlo, como é que caracterizas a pressão feita pela equipa do Braga na 1ª fase de construção do FCP que resulta no lance do 2ºgolo?

    • O Braga foi pressionante na saída do GR, sobretudo na 1ªparte. No golo (2ªparte), a saída a 3 bem larga do FC Porto alargou a primeira pressão do Braga (Dyego Sousa e Fransérgio) que optou por não pressionar a construção adversária e isto, facilitou a ligação da construção devido a uma enorme superioridade(5×2). Quando se defende com a 1ªlinha de pressão alta como foi o caso do Braga perante uma enorme superioridade numérica, pressionar a construção é um erro porque o adversário vai conseguir ligar facilmente.
      Cumprimentos

      • ‘Quando se defende com a 1ªlinha de pressão alta como foi o caso do Braga perante uma enorme superioridade numérica, pressionar a construção é um erro porque o adversário vai conseguir ligar facilmente.’
        Isso é muito relativo. Se fores ver o 1°jogo entre ambos, no dragão, a contar para o campeonato, verás que o Braga fez esse tipo de pressão com muito mais sucesso. O Paulinho teve mais competência que o Fransergio a perceber o momento em que tinha que saltar para pressionar quer o central quer o lateral, por exemplo. E o Porto tb saía a 3 como neste jogo. A diferença está tb nos jogadores que, estando no corredor central, têm tempo para decidir e encontrar o que outros não conseguem. Se quiseres que o Danilo faça aquele passe do Oliver a isolar o Corona terás que ter muita fé. Às vezes esquecemo-nos do óbvio, tentamos forçar situações que dificilmente acontecerão. Ou será que o Sérgio Conceição ainda acha que, por exemplo, o Sérgio Oliveira dá mais qualidade à ideia de jogo dele que o Oliver? Teimosices, digo eu.
        Abraço

  2. No lance do 2º golo quando a bola é metida na profundidade para o Corona, os defesas nao estariam com os apoios mal orientados ?? Tanto o Raul Silva como o Sequeira estao de costas para o Corona, que soube aproveitar mt bem esse espaço entre central e lateral. O Sequeira parece-me q está preocupado com a possibilidade de o Manafá atacar profundidade dai a sua orientação corporal e acabaria por ficar completamente fora do lance. Quanto ao Raul parece-me estar focado na movimentação do Soares e acabou por perder contacto visual com o Corona e quando se apercebeu ja foi tarde. A minha questão é : 1º a defesa do Braga nao deveria retirar a profundiade visto q era uma bola descoberta e havia o perigo de entrar nas costas?? 2º os apoios na tua opinião estao bem orientados ?? seria uma opçao estrategica do Abel ?

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